Como é definido o tempo do semáforo?

8 de junho de 2022 4 mins. de leitura

Entenda quais fatores são considerados na hora de definir o tempo do semáforo

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Se você já precisou correr para conseguir atravessar a rua no sinal verde de pedestres, deve ter estranhado o tempo definido para cada sinal em um semáforo. E você não é o único! Pesquisas realizadas pelo Brasil afora mostram que muitas vezes o tempo para a travessia de uma rua é insuficiente para vários grupos de pessoas. Mas, afinal, como esse tempo é definido?

O processo é complexo e envolve fórmulas matemáticas que consideram variáveis como congestionamento, números de veículos, extensão das vias, fluxo de carros, entre outros. Porém, a aplicação dessa fórmula é realizada, na grande maioria dos semáforos no Brasil, por tentativa e erro, utilizando tempos predeterminados para a mudança das cores. Órgãos de trânsito de cada cidade têm diferentes orçamentos e demandas para melhorar a tecnologia empregada em cada cruzamento.

Existem tecnologias para aplicação inteligente de tempos precisos aos ciclos dos semáforos, mas a maioria dos sinais não as utilizam. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)

Melhores práticas para definição do tempo do semáforo

Já existe tecnologia para a aplicação de técnicas mais avançadas e precisas para a definição do tempo de semáforos. Em São Paulo, por exemplo, vários cruzamentos têm sensores sob o asfalto. Quando o número de carros parados atinge um limite, a velocidade do ciclo dos semáforos pode ser ajustada. Além disso, leva-se em conta a velocidade média com a qual se caminha. Na capital paulista, o tempo semafórico se baseia na velocidade aproximada de 1,2 metro por segundo. Isso suscita críticas, já que alguns segmentos como os idosos, que caminham 0,75 metro por segundo, são prejudicados e podem sofrer acidentes.

Em Curitiba, os ônibus chamados de Ligeirões — o modelo de Bus Rapid Transit (BRT) da capital paranaense — têm sensores que alteram o tempo de semáforos nas canaletas, vias exclusivas para o transporte público. Assim, ao se aproximar do cruzamento, o semáforo pode ficar verde ou diminuir o tempo de espera no vermelho.

O sensor leva em conta os horários de pico e o sentido mais utilizado no momento para dar preferência aos veículos. Os ônibus da linha Boqueirão, que transportam 25 mil passageiros por dia, fazem um trajeto de 10,3 quilômetros e, nos horários mais movimentados, ficam parados por apenas dois minutos em semáforos. Dos 33 que existem na linha, 27, em média, abrem-se com a aproximação dos veículos.

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Uma pesquisa realizada em 2019 pela organização Corrida Amiga, por meio do aplicativo Colab, mapeou o tempo de travessia de pedestres em 14 cidades brasileiras. Os piores índices estão na capital paulista. Lá, em média, os transeuntes precisam esperar 1 minuto e meio para realizarem uma travessia.

Atravessar no tempo estipulado para os pedestres pode ser um desafio para um grande grupo de pessoas. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)

Muitas cidades ainda fazem que as pessoas atravessem a faixa “correndo”. Isso porque grande parte dos semáforos calcula que as pessoas andem em uma velocidade média de 1,2 metro por segundo. Esse tempo médio, porém, é altamente criticado por especialistas, já que não foi calculado nem estudado por nenhum órgão técnico.

Pesquisas acadêmicas mostram, por exemplo, que idosos e pessoas com dificuldade de locomoção chegam a andar 0,75 metros por segundo. Outro problema, é que em caso de aglomeração de pessoas para atravessar a faixa, apenas as das primeiras fileiras conseguem fazer a travessia no tempo indicado.

Depois da divulgação desses dados, algumas cidades aumentaram o tempo de travessia de determinadas faixas de 12 para 15 segundos.

Quer saber mais? Confira aqui a opinião e a explicação de nossos parceiros especialistas em Mobilidade.

Fonte: Mobilize, Prefeitura de Curitiba, Guia da Engenharia.

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