Como melhorar a mobilidade urbana no Brasil?

6 de fevereiro de 2021 4 mins. de leitura

O Brasil tem mais de 5 mil cidades com desafios de mobilidade urbana diferentes, e as soluções podem ser compartilhadas

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A expansão dos sistemas urbanos é um dos principais desafios enfrentados pelas cidades em todo o mundo. O município é o principal orientador de políticas de mobilidade urbana, sendo responsável pela manutenção da infraestrutura e do preenchimento de lacunas existentes para atender o crescimento da população.

O Brasil é um dos países mais populosos do mundo. A população urbana brasileira passou de 55%, em 1970, para 86%, em 2020. No entanto, os investimentos em transporte não acompanham o rápido processo de urbanização no país. 

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Sem um planejamento adequado da mobilidade, o transporte individual motorizado foi privilegiado com a abertura de ruas e avenidas destinadas a carros. Com isso, houve uma queda gradual no uso do transporte público, que passou de 68% do total de viagens em 1977 para 51% em 2005, enquanto o uso dos automóveis pulou de 32% para 49% no mesmo período.

Mobilidade urbana do Brasil

Os mais de 5,5 mil municípios brasileiros chegaram ao século 21 com graves problemas de mobilidade urbana. Se por um lado, em várias pequenas cidades inexistem sistemas públicos de transporte, por outro, em médias e grandes sobram os congestionamentos e os problemas com a poluição do ar.

O principal ponto de partida para a melhoria dos deslocamentos urbanos é a Política Nacional de Mobilidade Urbana, aprovada em 2012, que prevê a prioridade de transportes não motorizados em relação aos que são e o coletivo em relação ao individual.

Além disso, a integração entre mobilidade e ordenamento do território tem de ser incluída em pauta para reduzir os desequilíbrios em distribuição de transporte, habitação e emprego nas cidades brasileiras, melhorando o acesso da população aos direitos sociais básicos, como saúde, cultura, mobilidade, educação e lazer.

Embora as características e os desafios enfrentados pelas cidades possam ser diferentes, muitas soluções e experiências podem ser compartilhadas. Confira alguns exemplos.

1. Uma cidade sem carros

Somente bicicletas circulam pelas vias de Afuá. (PA). (Fonte: Iphan/Reprodução)
Somente bicicletas circulam pelas vias de Afuá. (PA). (Fonte: Iphan/Reprodução)

Na foz do Rio Amazonas, na Ilha de Marajó, a cidade de Afuá, de 40 mil habitantes, é um exemplo de centro urbano brasileiro que baniu totalmente os veículos motorizados de suas vias. Por suas ruas estreitas, trafegam mais de 15 mil bicicletas, inclusive bicitáxis equipados com molas, porta-malas e para-choque.

Com isso, a mobilidade urbana não emite poluição e consegue viver em harmonia com a Floresta Amazônica. O modelo poderia ser aplicado em quase 5 mil municípios que têm população inferior a 50 mil habitantes, em especial aqueles com relevo plano.

2. Bairros Integrados

O Projeto Bairros Integrados, criado na década de 1980 em Uberlândia, pretende contribuir para a estruturação da cidade de um crescimento ordenado e proporcionar uma melhor qualidade de vida aos seus habitantes.

Esse planejamento tende a descentralizar a cidade, prevendo mais empreendimentos comerciais e serviços públicos em bairros residenciais, de forma a reduzir o deslocamento pendular que, muitas vezes, impacta em longos percursos a serem percorridos diariamente por boa parte da população.

3. Recuperação de calçadas

O Plano Emergencial prevê requalificação de calçadas paulistanas. (Fonte: Prefeitura de São Paulo)
O Plano Emergencial prevê requalificação de calçadas paulistanas. (Fonte: Prefeitura de São Paulo)

São Paulo, a maior cidade brasileira, enfrenta o desafio de recuperar seu meio-fio. Com 34 mil quilômetros de calçadas, a capital paulista pretende criar faixas livres exclusivas para a circulação de pessoas, sem a existência de desníveis, obstáculos temporários ou permanentes, com superfície regular, contínua e antiderrapante. 

O plano, que deveria ser exemplo para qualquer cidade brasileira, também deve contemplar a melhoria de passeios no entorno de praças, parques e áreas de lazer.

4. Mobilidade de baixo carbono

Em grandes cidades, não é possível abrir mão de percorrer longas distâncias, o que inviabiliza, muitas vezes, a utilização dos modais não motorizados. Ainda assim, é possível reduzir o impacto ambiental e melhorar a eficiência do transporte com o uso de veículos movidos a eletricidade, como são os casos dos trens, metrôs e VLTs – que requerem grandes investimentos de implantação.

Soluções mais rápidas e baratas como ônibus elétricos começam a ganhar as ruas brasileiras, em cidades como São Paulo e Campinas. Isso demonstra que as cidades brasileiras podem mostrar caminhos para a melhoria da mobilidade urbana.

Fonte: New Cities, Colab, Politize, Aecweb, Mobilize, Unesp, Senado Federal, Ipea, Agência Brasil, Prefeituras de São Paulo e Uberlândia, Iphan, Câmara de Vereadores de São Paulo.

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