Como se proteger do coronavírus no transporte público?

20 de março de 2020 5 mins. de leitura
Janelas abertas nos ônibus e higienização constante das mãos integram conjunto de medidas para conter a expansão da doença

De fácil proliferação, o coronavírus tem se alastrado pelo mundo rapidamente. Só no Brasil, ao menos 1,5 mil casos já foram confirmados e o número tende a crescer. Um dos principais pontos de proliferação de coronavírus é o transporte coletivo, motivo pelo qual autoridades e empresas do setor têm tomado medidas emergenciais para conter a expansão da doença e poupar grupos de risco.

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De acordo com a médica infectologista Aline Junqueira, do Hospital Adventista Silvestre, ônibus e metrô exigem atenção porque a transmissão pode se dar por via respiratória, a partir da emissão de gotículas que ficam suspensas no ar ao tossir, falar ou espirrar, por exemplo, em uma distância que vai de 1,8 metro a 2 metros do indivíduo infectado.

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Além disso, é comum a transmissão indireta a partir de aperto de mãos, abraço, beijo e contato com superfícies que tenham sido infectadas. No transporte público, as pessoas estão sujeitas às três formas de contaminação, por isso, se não conseguirem trabalhar em esquema de home office, devem tomar uma série de cuidados para evitar o contágio.

(Fonte: Shutterstock)

Junqueira orienta evitar o transporte público sempre que possível e apenas sair de casa se houver real necessidade. Caso seja inevitável ir à rua, é fundamental levar sempre álcool em gel 70% consigo para higienizar as mãos após tocar superfícies ou pessoas. Embora em muitas cidades a limpeza dos espaços comuns esteja redobrada, é fundamental fazer a própria parte e cuidar da higiene pessoal.

Segundo a médica, é importante não tocar no rosto e, caso o fizer, limpar sempre as mãos antes e depois. Outro ponto-chave é ter atenção à etiqueta: ao tossir ou espirrar, usar o braço para proteger a boca e o nariz, evitando o contato direto das mãos com secreções ou gotículas. Lenços de papel também podem ser usados, mas é importante descartá-los em seguida e higienizar as mãos imediatamente.

Janelas abertas

Em Porto Alegre (RS), os ônibus são obrigados, a partir de agora, a circular apenas com as janelas abertas. Em Florianópolis (SC), a Secretaria de Mobilidade Urbana solicitou a retirada das travas dos vidros dos ônibus. Esse tipo de medida é fundamental para conter o avanço da pandemia.

(Fonte: Shutterstock)

Segundo Olga Vale Oliveira Machado, médica do Hospital Universitário Walter Cantídio e professora do curso de Medicina da Faculdade Christus, quando há ambiente fechado e ar-condicionado, o vírus fica circulando; se alguém contaminado tossir, espirrar ou tocar em algo, é possível que esteja transmitindo a doença. Por isso, as janelas devem ser mantidas abertas.

Transporte por aplicativo

Embora ofereça menores riscos de proliferação por expor o indivíduo a menos pessoas do que ônibus e metrôs, o transporte por aplicativos, como Uber e 99, também requer atenção e muito cuidado — e o alerta vale para táxis. A médica infectologista do hospital HSANP, Juliane Gomes de Paula, orienta que, ao entrar no veículo, mantenha-se janelas abertas (para boa ventilação) e faça a higienização das mãos.

Para Junqueira, é ideal também evitar corridas com muitos passageiros, como ocorre na modalidade “pool” do Uber ou no Uber Juntos. Neste momento, quanto menos contato as pessoas tiverem umas com as outras, mais efetiva será a contenção do vírus.

Home office por coronavírus tem efeito sobre a mobilidade urbana

Quem se locomove de bicicletas ou patinete elétrico via aplicativos também precisa se atentar à higienização dos veículos. “Uma vez que a transmissão do coronavírus também se dá por meio de superfícies contaminadas, ao utilizar bicicletas e patinetes elétricos de uso coletivo deve-se proceder a limpeza com álcool a 70% pelo menos nas regiões que entrarão em contato com as mãos e higienizar as mãos após o uso”, orienta Junqueira.

Home office

Embora os cuidados com o transporte compartilhado amenizem a expansão do coronavírus, as médicas indicam que não sair de casa é a melhor forma de conter o alastramento da covid-19. Portanto, é importante que as empresas e os órgãos públicos se empenhem ao máximo para oferecer aos trabalhadores possibilidades de trabalho remoto. Para Machado, organizações que não possam garantir esse tipo de condição devem pensar em organizar escalas de trabalho, para que não tenham muitas pessoas no mesmo ambiente.

E a medida não diz respeito apenas à proliferação do vírus mas também à recuperação dos infectados. A especialista explica que o home office deve ser a única opção para pessoas com sintomas respiratórios suspeitos de contaminação. “O isolamento é um braço importante da prevenção da doença e deve ser seguido à risca”, conclui Aline.

Fonte: Prefeitura de Florianópolis, Prefeitura de Porto Alegre.

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