Isolamento por coronavírus reduz frota de ônibus nas capitais

20 de março de 2020 4 mins. de leitura
Diminuição dos veículos tem gerado reclamações de superlotação em ao menos três cidades

Um mês depois do primeiro caso confirmado de coronavírus no Brasil, o Ministério da Saúde já registra mais de 1,5 mil infectados e sete mortes em território nacional. A medida mais eficiente para retardar a disseminação da doença é o isolamento social, para diminuir a circulação de pessoas nas ruas.

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Por conta disso, várias prefeituras e empresas de transporte anunciaram a redução de frotas de ônibus, o que tem gerado reclamações de superlotação em capitais e até municípios do interior.

Com a suspensão das aulas e de outros serviços, as cidades vêm registrando menos passageiros no transporte urbano. Uma avaliação preliminar da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) estima que o transporte público deve perder metade dos passageiros nos próximos dias em decorrência da covid-19.

Natal (RN) registrou 90 mil passageiros a menos por dia, e as linhas de transporte público foram reduzidas em 30% na capital do Rio Grande do Norte. Porto Alegre (RS) fechou temporariamente 15 linhas, enquanto durar a suspensão das aulas. Em Salvador (BA), a prefeitura anunciou a redução de 30% nos ônibus.

A mesma proporção de veículos foi retirada das ruas pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (SetraBH) — após essa medida, a prefeitura anunciou uma nova redução de 5% dos veículos.

(Fonte: Shutterstock)

Cidades do interior também anunciaram a diminuição no transporte urbano. Campina Grande (PB) reduziu em 28% a circulação de ônibus, e polos regionais de desenvolvimento, como Juiz de Fora (MG), também tiveram cortes na frota.

O que se tem feito para conter o coronavírus em ônibus e metrôs?

Apesar do grande número de casos confirmados de covid-19, as cidades do Rio de Janeiro (RJ) e de Brasília (DF) ainda não anunciaram medidas de restrição de circulação do transporte público.

A Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob) do Distrito Federal anunciou o remanejamento de linhas na capital; os veículos serão retirados dos trajetos que atendiam estudantes e colocados em 53 linhas que têm maior demanda de passageiros. Na capital fluminense, o governo do estado diminuiu o número de veículos que atendem à região metropolitana.

São Paulo deve reduzir frota de ônibus

A prefeitura de São Paulo estuda retirar mil veículos das ruas da capital paulista, o que corresponde a 7% do total, a partir da semana que vem. A Secretaria Municipal de Transporte (SMT) e a São Paulo Transporte (SPTrans) estimam que a redução de passageiros nos ônibus municipais por causa da pandemia foi de 35%. O Metrô registrou queda de 48% no número de passageiros; a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), 35%; e a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), 25%.

Superlotação

(Fonte: Shutterstock)

Em Curitiba (PR), houve redução de 277 mil passageiros por dia, em uma queda de 37%. As linhas passaram a circular com horários de sábado, mas passageiros reclamam que essa restrição está lotando os veículos. O impasse é o mesmo em Fortaleza (CE), com usuários se queixando da demora e de ônibus lotados em pelo menos cinco terminais da cidade.

Home office por coronavírus tem efeito sobre a mobilidade urbana

As indicações de superlotação em Goiânia (GO) encontraram apoio em uma ação promovida pela Defensoria Pública de Goiás. A Justiça pediu o retorno da circulação de 220 veículos que foram retirados das ruas, especialmente em horários de pico. A Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos de Goiás (CMTC), responsável pela medida, argumenta que a média diária caiu de 522 mil embarques para 345 mil, o que justifica a mudança, mas avaliará as questões levantadas.

Fonte: NTU, Agência Brasil, Prefeitura de Curitiba.

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