Maioria das pessoas é adepta a tecnologias de mobilidade

20 de setembro de 2020 4 mins. de leitura
Estudo realizado em dez países mostra que os cidadãos estão mais dispostos a pagar por serviços inteligentes de transporte

Cidadãos em todo o mundo acreditam que a tecnologia pode tornar suas cidades mais sustentáveis, em especial no campo da mobilidade. Isso é o que mostra um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Capgemini, que entrevistou 10 mil pessoas e mais de 300 funcionários municipais em 58 cidades de dez países, incluindo Estados Unidos, Índia e nações da Europa.

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O relatório Street Smart: colocando o cidadão no centro das iniciativas de cidades inteligentes analisou 39 casos de uso de tecnologia em sete áreas, para identificar onde as pessoas estão dispostas a pagar por ferramentas de cidades inteligentes em áreas como transporte, serviços públicos e serviços de saúde.

As tecnologias identificadas incluem o acesso baseado em aplicativo a todos os modos de transporte público, monitoramento da qualidade da água em tempo real, automação centralizada de energia em prédios, monitoramento remoto de pacientes para residentes idosos e rastreamento de consumo de energia em casa inteligente.

Tecnologia pode melhorar cidades

Carros liberando fumaça causadora de poluição
Alto custo de vida e poluição podem levar as pessoas a se mudarem de cidade, mas tecnologia pode ajudar a diminuir esses problemas. (Fonte: Shutterstock)

A pesquisa mostrou que 52% das pessoas podem se mudar para outra cidade devido ao alto custo de vida. Entre os entrevistados, 42% disseram que poderiam se mudar por conta da alta poluição, 40% pela falta de segurança pública e 38% pelo tempo excessivo gasto no deslocamento diário.

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A tecnologia pode ser uma parte essencial da solução para lidar com essas questões. Para 58% dos cidadãos ouvidos pelo levantamento, a tecnologia pode tornar a cidade mais sustentável. Na visão de 57% dos entrevistados, ela pode melhorar os serviços urbanos. Para 54%, é capaz de fornecer uma melhor qualidade de vida.

Além disso, quase três quartos dos cidadãos que usaram implementações de cidades inteligentes dizem que estão mais felizes com sua qualidade de vida em termos de fatores de saúde, como qualidade do ar. 

Soluções em serviços de mobilidade

Mulher sorrindo usando o celular
Sistema implantado na capital finlandesa integra diversos serviços de mobilidade em um único aplicativo de celular. (Fonte: Shutterstock)

Serviços de mobilidade inteligente economizam tempo de deslocamento e esforço para os cidadãos. As ferramentas de Mobility as a Service (Maas), mobilidade como serviço, em português, também podem fazer transições entre diferentes modos de transporte, usando sistemas de bilhetagem de um ponto e identificação e pagamento com base em aplicativo.

Helsinque, na Finlândia, por exemplo, implementou um único aplicativo de mobilidade cruzada que abrange todos os transportes públicos, compartilhamento de bicicletas e opções de compartilhamento de carros na cidade.

A cidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, utiliza inteligência artificial para permitir que os sinais de tráfego se comuniquem uns com os outros, tomando sua própria decisão ao detectar o fluxo de tráfego e coordenar o movimento com sinais próximos. Isso reduziu o tempo médio de viagem em 25%.

Pagamento por serviços

O estudo também descobriu que 36% dos cidadãos estão dispostos a pagar mais para ter acesso a alguns serviços digitais. O número sobe para 44% entre os millennials, 41% para os entrevistados da Geração Z e 43% entre aqueles que ganham mais de US$ 80 mil anuais.

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Apesar da disposição de alguns cidadãos a pagar mais por serviços que eventualmente deveriam ser cobertos por impostos, a abordagem de um pagamento extra levanta preocupações sobre a exclusão digital e o acesso desigual, bem como sobre a privatização dos serviços públicos.

Barreiras para a implantação de tecnologias

Funcionários municipais consultados disseram que seus principais obstáculos para a adoção de tecnologias de cidades inteligentes são a dificuldade de equilibrar a privacidade dos dados com a melhoria dos serviços, a falta de visão clara e acordo político e os desafios com o envolvimento dos cidadãos.

Apenas 9% dos funcionários municipais afirmam estar em estágios avançados de implementação de uma visão de cidade inteligente, e 22% começaram a implementar iniciativas de cidade inteligente.

A implementação requer colaboração entre as principais partes interessadas — funcionários da cidade, cidadãos e iniciativa privada, como startups, universidades, institutos ou fundos de capital de risco. 

Fonte: Instituto de Pesquisa Capgemini

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