O que é o Visão Zero?

23 de outubro de 2020 4 mins. de leitura
Conceito de segurança viária tem origem na Suécia e prevê responsabilidade compartilhada para reduzir mortes no trânsito

A principal premissa do programa Visão Zero, criado na Suécia em 1997, é a de que nenhuma morte prematura no trânsito é aceitável. A proposta conseguiu transformar o trânsito sueco em um dos mais seguros do mundo e serviu de exemplo para a implementação de propostas de sistemas seguros de mobilidade em diversos países.

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Os acidentes no trânsito são a oitava principal causa de morte no mundo e a principal entre crianças e jovens de 5 a 29 anos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). A cada ano, 1,35 milhão de vidas são perdidas, sendo que 90% desses óbitos ocorrem em países de baixa e média renda.

O Visão Zero coloca a vida humana como principal prioridade no planejamento do transporte. A política parte do pressuposto de que os erros humanos são inevitáveis e de que é possível reduzir os acidentes e suas consequências por meio de planejamento urbano.

Responsabilidade sobre acidentes

As políticas tradicionais de segurança viária focam principalmente nos usuários, que são responsabilizados pelos acidentes de trânsito por não estarem atentos ou por assumirem riscos desnecessários. No entanto, desconsideram como a infraestrutura afeta a habilidade das pessoas de circularem com segurança. 

O programa Visão Zero transfere a responsabilidade sobre os acidentes de trânsito dos usuários das vias para aqueles que as projetam. A abordagem sistêmica observa as causas dos problemas de insegurança viária, que na maioria das vezes se deve a problemas do desenho urbano, para criar um sistema de mobilidade seguro.

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Essa política considera que os erros humanos são inevitáveis, mas as mortes e as lesões graves no trânsito não deveriam ser. Dessa forma, o sistema viário deveria ser projetado para que o erro humano não gere um resultado grave nem fatal. Portanto, a responsabilidade pela segurança deve ser compartilhada entre governos, setor privado e sociedade civil.

Como salvar vidas no trânsito?

Asfalto pintado indicando limite de velocidade de 40km/h
Redução de velocidade máxima das vias ajuda a reduzir mortes no trânsito. (Fonte: Shutterstock)

Medidas de segurança de mobilidade devem considerar uma abordagem sistêmica. Educação pública, treinamentos, regulamentação e fiscalização são importantes para evitar mortes no trânsito. Entretanto, outras variáveis também devem ser consideradas, como governança e planejamento de transportes, desenho viário e infraestrutura viária de proteção.

As políticas de segurança devem observar todos os componentes do sistema viário e de transporte. Devem ser considerados aspectos institucionais, coleta de dados, espaço construído, limites de velocidade, transporte público e infraestrutura para pedestres e ciclistas, comportamento do usuário, controle policial e tecnologia.

A cidade deve garantir investimentos em segurança como elemento da mobilidade. Para tanto, é preciso definir um órgão responsável pela gestão viária, capaz de estabelecer medidas com base em evidências para definir metas verificáveis para analisar seus benefícios. As ações serão mais efetivas com a identificação de áreas prioritárias para maximizar os impactos das intervenções.

Ações efetivas

Ações para reduzir velocidade de vias e ampliar espaços para pedestres e ciclistas fazem parte do programa Visão Zero. (Fonte: Shutterstock)
Ações para reduzir velocidade de vias e ampliar espaços para pedestres e ciclistas fazem parte do programa Visão Zero. (Fonte: Shutterstock)

A segurança viária precisa ser pensada para a redução das velocidades, vias com boa sinalização e contemplar altos padrões de segurança veicular. O desenho de cruzamentos merece uma atenção especial e deve possibilitar que as pessoas atravessem com segurança. 

Ainda é preciso planejar o uso do solo de modo a reduzir a dependência de veículos e promover formas de deslocamento mais seguras, saudáveis e que respeitem o meio ambiente.

Fonte: WRI Brasil, Portal do Trânsito, Prefeitura de São Paulo, Estrada Viva, Organização Pan Americana de Saúde.

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