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O que esperar do mercado de veículos elétricos para 2023?

9 de janeiro de 2023 6 mins. de leitura
Mercado de veículos elétricos deve continuar em alta nos próximos anos, tanto no Brasil como no mundo

O mercado automobilístico aponta a tendência de eletrificação dos veículos como solução para mitigar a poluição nas cidades, mas será que o mercado brasileiro seguirá essa tendência? Como será o mercado de veículos elétricos no Brasil e no mundo em 2023? Para entender melhor tais questões, conversamos com Clemente Gauer, responsável por Corporate Affairs da Tupinambá, empresa de soluções inteligentes para veículos elétricos.

Tendência de crescimento

O comércio de veículos elétricos segue em constante crescente nos últimos anos. Em 2021, as vendas dobraram em relação a 2020, alcançando o recorde de 6,6 milhões de veículos elétricos vendidos no mundo. Os números de 2021 representam 10% das vendas globais de carros. Segundo Gauer, um estudo da consultora AlixPartners estima que a participação dos elétricos nas vendas pode chegar a 33% em todo o mundo até 2028 e a 54% até 2035.

Mercado de elétricos no Brasil

No Brasil, as vendas ainda são bem mais modestas do que nos principais centros, como Europa e Estados Unidos, porém os números também estão crescendo. No primeiro semestre de 2022, foram emplacados 3.395 veículos elétricos no País, em aumento de 19% em relação às vendas totais de 2021.

Para o representante da Tupinambá, alguns dados ajudam a explicar o aumento das vendas de elétricos no Brasil. Há crescimento expressivo de investimentos nas infraestruturas pública e semipública para veículos elétricos e já existem 2 mil pontos de recarga (eletropostos) nas principais cidades e rodovias do País. Esse número deve chegar a 3 mil no fim de 2022 e a 10 mil nos próximos três anos. A maioria desses eletropostos é encontrada no aplicativo da Tupinambá, que pode ser baixado gratuitamente.

Venda de veículos elétricos está em crescimento no Brasil e no mundo. (Fonte: Pixabay/Reprodução)

Ainda segundo o Corporate Affairs da Tupinambá, um estudo divulgado pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) prevê que, até 2035, dois terços dos veículos vendidos no País serão eletrificados, caso as empresas por aqui sigam as tendências internacionais.

O mercado deve continuar crescendo à medida que aumentem as ofertas de veículos e caiam os preços. Com isso, ficarão claras para os consumidores as vantagens financeiras de ter um carro elétrico. Na questão do consumo de combustível, o custo do quilômetro rodado em um carro elétrico pode ser mais de seis vezes menor do que em um veículo a gasolina.

Assim, a tendência é de que a venda de carros elétricos continue evoluindo no Brasil e no mundo e que o segmento siga se desenvolvendo no País.

Polêmicas em relação à poluição de veículos elétricos

Veículos elétricos são apresentados como uma das grandes soluções para problemas ambientais, mas estudos recentes mostram um grande poder poluidor durante a produção deles. Perguntamos a Gauer sobre as medidas que as empresas do mercado elétrico têm tomado para diminuir a pegada de carbono.

Para o especialista, é preciso olhar a vida do produto de forma total, desde a extração da matéria-prima, a fonte de energia, a produção e o uso do veículo até o fim da vida e a reciclagem dele. A emissão de poluentes na produção de veículos realmente é um problema, e há esforços para mitigar a poluição durante o processo, porém carros a combustão também poluem na produção e continuam poluindo durante a vida útil, dependendo de extração, transporte, refino e distribuição de petróleo.

Já os veículos elétricos não emitem poluentes e, quando carregados com energia de matrizes limpas, não causam maiores impactos ambientais durante a vida útil. Segundo Gauer, veículos elétricos em países com energia de matrizes limpas poluem 70% menos do que veículos a combustão.

Número de eletropostos deve crescer substancialmente no Brasil nos próximos anos. (Fonte: Pixabay/Reprodução)

Problemas para reciclagem de baterias

Outro gargalo da indústria de veículos elétricos é a questão das baterias. A reciclagem é considerada difícil e, normalmente, não reutiliza todos os componentes (os muito tóxicos precisam ser descartados). Além disso, a produção das baterias gera considerável impacto ambiental.

Mesmo a partir desses fatores, o especialista responde de forma positiva sobre os veículos elétricos serem uma solução para a poluição urbana. Para ele, a indústria tem avançado na qualidade da reciclagem realizada, e muitas empresas especializadas em reciclagem de baterias de veículos elétricos surgiram nos últimos anos. Assim, as inovações podem extrair materiais valiosos existentes nas baterias e garantir uma reciclagem bem-sucedida para a produção de novos veículos.

Além disso, Gauer lembra que “A reciclagem é o último estágio da vida da bateria, e elas ainda podem armazenar pelo menos 70% da capacidade original. Dito isso, há a possibilidade de reutilização como armazenamento de energia solar fotovoltaica (segunda vida)”.

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Logo, a tendência é que os veículos elétricos continuem como principal alternativa para o problema das cidades que, atualmente, dependem de veículos a combustão. Gauer ainda informa que os veículos devem continuar ganhando espaço, já que existe a Lei nº 13.755, que passou a ser conhecida como Rota 2030 e prevê redução significativa do imposto sobre produtos industrializados (IPI) na venda do veículo.

Esse programa teria como foco o incentivo a projetos de pesquisa e desenvolvimento da cadeia do setor, com algumas diretrizes como estímulo de produção de novas tecnologias, automação do processo de manufatura e incremento da eficiência energética. São iniciativas que visam à redução final do valor do veículo e estabelecem requisitos obrigatórios para a comercialização.

Com isso, os custos devem baixar, e os veículos elétricos poderão se tornar mais comuns nas cidades de todo o País.

Quer saber mais? Confira aqui a opinião e a explicação de nossos parceiros especialistas em Mobilidade.

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