Projeto cria carroças elétricas para auxiliar catadores de papel

17 de outubro de 2020 4 mins. de leitura
As chamadas “Carroças do Futuro” foram criadas com o apoio dos próprios catadores para facilitar o dia a dia desses trabalhadores

O dia a dia dos catadores de recicláveis não é fácil: é comum que muitos deles puxem 200 ou 300 quilos de materiais por até 12 horas, todos os dias. E muitos desses trabalhadores precisam seguir trabalhando mesmo com o peso da idade e de dificuldades de locomoção. Para facilitar a vida dessas pessoas, a ONG Pimp My Carroça, que já atua em prol da categoria há alguns anos, criou o projeto “Carroças do Futuro”. 

Catadores chegam a trabalhar 12 horas por dia, puxando carroças que podem ultrapassar 200 quilos. (Fonte: Estadão/Reprodução)
Catadores chegam a trabalhar 12 horas por dia, puxando carroças que podem ultrapassar 200 quilos. (Fonte: Estadão/Reprodução)

Veículos criados com a participação dos catadores

O projeto Carroças do Futuro teve início em 2019, com a ideia de criar novos modelos de veículos para catadores de material reciclável e facilitar o cotidiano de profissionais que continuam trabalhando, mesmo com dificuldades de locomoção. 

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A equipe idealizadora da proposta começou pesquisando outras iniciativas que já tinham tentado colocar motores em carroças e se reuniu com engenheiros, para estruturar novos projetos. 

O grupo criou seis protótipos com o apoio do Instituto Clima e Sociedade, de engenheiros eletricistas, engenheiros mecânicos, especialistas em energia solar e gerenciamento de resíduos, além de estudantes dessas áreas.

Protótipo de carroça elétrica do projeto Carroças do Futuro. (Fonte: Pimp My Carroça/Divulgação)
Protótipo de carroça elétrica do projeto Carroças do Futuro. (Fonte: Pimp My Carroça/Divulgação)

A partir dos seis primeiros protótipos, a ONG fez uma parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), para construir projetos técnicos dos novos veículos. 

Foi com a participação dos próprios catadores, que deram suas opiniões e ideias, que a equipe da ONG chegou aos dois projetos finais: em grandes cidades, serão usadas carroças elétricas, enquanto os profissionais de cidades litorâneas vão receber triciclos, já que o terreno costuma ser mais plano nesses locais. 

As carroças elétricas ainda devem ser puxadas pelo catador, mas o motor, que chega a 5 km/h, vai facilitar muito o deslocamento, principalmente em subidas. Já os triciclos podem alcançar 40 km/h, de acordo com informações divulgadas pelo Carroças do Futuro. 

Motores elétricos 

Os novos veículos criados pela equipe do Carroças do Futuro passaram por uma bateria de testes e estão sendo aprimorados pelos especialistas do IPT. Um triciclo já está sendo usado por uma cooperativa de catadores de Guarujá e outros dois por profissionais da cidade de São Paulo

Esses primeiros usuários vão indicar em quais aspectos o veículo ainda pode receber melhorias antes de ser distribuído para todos os beneficiários do projeto. Um dos problemas das versões iniciais que os catadores já ajudaram a resolver é o travamento da carroça depois que a bateria acabava. Estima-se que os veículos possam andar de 40 km a 80 km com uma carga — a autonomia depende do peso carregado pela carroça e do piso onde ela se desloca —, ao custo de R$ 0,40 por carga. 

Assim, é possível criar uma alternativa não poluente e que funcione com energias renováveis, mas também tenha baixo custo e escalabilidade (para chegar a muitos outros catadores). Mesmo assim, a ideia da equipe é que o motor elétrico seja utilizado preferencialmente para auxiliar em subidas ou quando a carroça estiver carregada — ela tem capacidade para até 500 kg de materiais. 

Uma vez que os testes nas ruas e os aprimoramentos nas carroças elétricas e triciclos sejam finalizados, a ideia da ONG é oferecer os veículos em comodato — uma doação, mas com contrato, para que o catador não venda o veículo. 

Além do motor elétrico, as carroças terão rastreador via satélite, pisca-alerta, buzina, retrovisores e adesivos refletores, para aumentar a segurança dos catadores, bem como um pequeno gerador de energia solar para carregar dispositivos eletrônicos e uma caixinha de som. 

Fonte: Ciclo Vivo, BBC, Mobilize.

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