Summit Mobilidade debate a influência da tecnologia na mobilidade

17 de maio de 2022 7 mins. de leitura
No segundo dia do Summit Mobilidade 2022, especialistas debatem como superar o modelo de deslocamento pensado para os carros e a influência da tecnologia em novos caminhos do setor

O segundo dia do Estadão Summit Mobilidade 2022 ocorreu nesta terça-feira (17) e abordou os problemas causados pela priorização do transporte individual nos deslocamentos, os desafios do transporte público e as novas soluções de mobilidade aliadas à tecnologia. O evento é online, gratuito e segue até sexta-feira (20).

Desafios para superar os transportes individuais

O segundo dia do evento foi aberto com a conferência de Ciro Biderman, professor de Administração Pública e Governo da Fundação Getulio Vargas (FGV). O especialista apresentou dados para mostrar os gargalos que a escolha de meios de transporte individuais e movidos a combustíveis fósseis causam no mundo, principalmente no Brasil.

Atualmente, o setor de transportes é responsável por 45% das emissões de gases causadores do efeito estufa (GEE) no mundo e o transporte individual emite 2,6 vezes mais CO2 do que o coletivo. Portanto, um indivíduo que decide se deslocar pelo transporte público economiza o equivalente a 9 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono por ano.

Acidentes fatais diminuem drasticamente quando os limites de velocidade são mantidos em até 30 km/h. (Fonte: Summit Mobilidade/Reprodução)
Acidentes fatais diminuem drasticamente quando os limites de velocidade são mantidos em até 30 quilômetros por hora. (Fonte: Summit Mobilidade/Reprodução)

Além da poluição, o transporte individual gera um problema conhecido de qualquer morador das grandes cidades: o trânsito. Pesquisas citadas por Biderman mostram que, nas grandes cidades da América Latina, as classes C, D e E chegam a passar 50% do tempo que trabalham nos deslocamentos diários, ou seja, quem trabalha 8 horas por dia pode ficar 4 horas em traslados.

Para o professor, é possível que haja o incentivo às pessoas para que troquem o transporte individual pelo coletivo. Um caso de sucesso é o exemplo de Londres, mas isso passa, inevitavelmente, por ter um investimento maciço na melhoria da qualidade do transporte público.

Soluções simplistas, como baixar a tarifa, acabam lotando o transporte público. Mesmo fazendo os indivíduos que andam a pé ou de bicicleta migrarem para ele, não é algo que “seduz” os usuários de veículos próprios. A solução de simplesmente trocar os ônibus convencionais pelos elétricos também é problemática, pois não há infraestrutura para a manutenção e a recarga desses veículos, que também causam impactos ambientais.

Qualquer solução para a melhoria do transporte coletivo de modo a torná-lo preferido a outros meios deve ser eficiente em uma série de áreas, como tecnologia, energia, operação e capital.

Com os avanços tecnológicos, é possível pensar maneiras de integrar as tecnologias de aplicativos ao transporte público. Uma ideia seria substituir os ônibus de linhas que transportam poucos passageiros em determinados horários por veículos menores, como vans e carros controlados pela demanda dos usuários em aplicativos.

Contribuições dos aplicativos no acesso e integração das cidades

No segundo momento, Carolina Guimarães, Head de Políticas Públicas e Pesquisa da 99, apresentou as contribuições que os aplicativos de transporte dão para que haja democratização no acesso à cidade.

Por razões históricas, como a herança de desigualdades social e racial causadas pelos séculos de escravidão no Brasil, as populações de menor renda e compostas majoritariamente de pretos e pardos fixaram residência nas periferias das cidades. Enquanto isso, populações mais ricas e em sua maioria brancas estão mais próximas dos centros, onde há o acesso para oportunidades de emprego, saúde e lazer.

Tradicionalmente as populações periféricas têm mais dificuldade de acesso a qualquer serviço público e a outras oportunidades. A própria infraestrutura urbana e a do transporte público fazem que a demora para chegar aos centros torne os deslocamentos difíceis ou até impossíveis.

Nesse cenário, os aplicativos de transporte, como o da 99, fizeram uma verdadeira revolução. A pesquisa apresentada por Guimarães retrata de que modo a 99 é usada como maneira de integrar o transporte público.

“Reconhecemos os nossos desafios e queremos apoiar e construir cidades com diversos atores e perspectivas para trilhar essa ponte: onde estamos e aonde queremos chegar”, concluiu a Head.

Avanços da tecnologia e os efeitos na mobilidade

Os painéis de debate do dia abordaram a influência da tecnologia na mobilidade urbana. O primeiro painel, O ir e vir no 5G, fez os especialistas discutirem as mudanças que o avanço da tecnologia vai gerar para as indústrias de transporte, aplicativos e usuários.

A diretora de vendas da B2B Latam da Motorola Mobility, Georgia Sbrana, afirmou que o 5G proporciona até cem vezes mais velocidade do que a 4G. Esses avanços vão permitir a automatização em diversos setores, bem como a coleta e o processamento de dados em níveis ainda não vistos.

Com isso, veículos mais inteligentes vão poder garantir mais segurança no trânsito, ao, por exemplo, diminuir a velocidade automaticamente em meio a um acidente ou uma lentidão na pista.

Além disso, veículos de passageiros vão poder ter sensores de fadiga do condutor e até estacionar ou manter a direção correta automaticamente. É um passo adiante no caminho dos veículos autônomos.

Na questão dos aplicativos, o nível do processamento de dados do 5G vai permitir uma melhora significativa em processos já existentes, como a otimização das localizações de passageiros e veículos.

Também estavam entre os convidados do debate Marcelo Pereira,Diretor Automotivo e de Desenvolvimento de Mobilidade da Ipsos no Brasil, e Vitor Magnani, Presidente da Associação Brasileira Online to Offline (ABO2O).

Painel
Painel Inovação para a mobilidade do Summit Mobilidade 2022. (Fonte: Summit Mobilidade/Reprodução)

O segundo painel discutiu as alternativas de compartilhamento criadas pelas novas tecnologias. Participaram da discussão Frédéric Olier, CEO da BlablaCar; Marcelo Abritta, CEO da Buser; Phillip Klien, CEO da ClickBus; e o presidente da Associação Brasileira dos Fretadores Colaborativos (Abrafrec), Marcelo Nunes.

Depois de dois anos de restrições severas impostas pela pandemia de covid-19 e com a disparada dos preços de passagens aéreas, o setor de ônibus está animado com as perspectivas para 2022.

O avanço das tecnologias de aplicativos permitiu que empresas organizassem o fretamento de ônibus de viagens e oferecessem alternativas às viagens rodoviárias tradicionais. Nunes afirmou que “o setor avançou o equivalente a 40 anos nos últimos quatro anos”.

Ainda durante o segundo dia do Summit Mobilidade 2022, Maína Celidonio de Campos, secretária municipal de Transportes do Rio de Janeiro, apresentou o caso da Bilhetagem Digital na cidade.

Campos mostrou os avanços que podem ocorrer com a tecnologia, como a facilidade de recarga dos cartões de transporte e o uso de cartões de débito ou crédito e até celular para pagamento das passagens. Para ela, quanto maior a facilidade no pagamento, menor o uso de dinheiro e, consequentemente, maior a segurança.

Além disso, falou sobre as perspectivas da cidade em adotar a bilhetagem por quilometragem, o que pode diminuir as tarifas para usuários. Também foram discutidos os planos de integrar o pagamento da passagem e a possibilidade de utilizar outros modais com uma só tarifa.

Gostou do conteúdo? Fique ligado e se inscreva no Estadão Summit Mobilidade que acontece até sexta-feira (20). O evento é online e gratuito!

Quer saber mais? Confira aqui a opinião e a explicação de nossos parceiros especialistas em Mobilidade.

Fontes: Summit Mobilidade Urbana 2022

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