IBGE antecipa dados sobre mobilidade por causa de pandemia

IBGE antecipa dados sobre mobilidade por causa de pandemia
A ideia é oferecer informações para estruturar a logística de saúde durante a pandemia

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) antecipou a divulgação dos dados da pesquisa Regiões de Influência das Cidades (Regic) para que autoridades, como o Ministério da Saúde e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), possam ter informações atualizadas sobre o deslocamento da população em busca de serviços de saúde. A ideia é subsidiar ações de logística para combater o surto provocado pelo novo coronavírus no Brasil.

O levantamento completo é realizado a cada dez anos, para compreender a hierarquia dos centros urbanos brasileiros e a sua relação com as regiões associadas. Isso permite, segundo o IBGE, identificar as metrópoles nacionais e o alcance espacial das suas influências.

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Os últimos dados foram coletados no segundo semestre de 2018 e serão divulgados neste ano, mas as informações antecipadas na publicação Deslocamento para Busca a Serviços de Saúde mostram como a localização dos equipamentos e da infraestrutura de saúde influencia os transportes de pessoas pelo País.

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"Se uma cidade tem um hospital regional, isso significa que ele não atende somente pacientes do município onde está localizado, mas também das cidades vizinhas. Os dados dessa pesquisa ajudam a dimensionar o impacto disso na saúde. Daí a importância de sabermos como as pessoas se deslocam no território", afirmou o coordenador de Geografia do IBGE, Claudio Stenner.

Deslocamentos para baixa e média complexidades

A média de distância percorrida para acesso a serviços de baixa e média complexidades no Brasil é de 72 quilômetros. Os tratamentos incluem serviços médicos e odontológicos que não precisam de internação, como consultas, exames clínicos, serviços ortopédicos e radiológicos, fisioterapia e pequenas cirurgias.

(Fonte: Shutterstock)

Manaus (AM) é a cidade que gera maiores deslocamentos para esses tipos de tratamento, e Goiânia (GO) atrai o maior número de municípios. Os cidadãos precisam percorrer, em média, 418 quilômetros para acessar os serviços de saúde da capital do Amazonas. Pacientes de 155 outras cidades procuram a capital goiana para tratamentos de baixa e média complexidades. Já o Estado de Santa Catarina apresenta média de deslocamentos inferior a 40 quilômetros, com destaque para a região de Chapecó.

Alta complexidade

Quando a necessidade do paciente requer internação, cirurgias, exames e procedimentos especializados, como tomografia computadorizada, ressonância magnética, hemodiálise e quimioterapia, as viagens são ainda maiores. A distância média percorrida para acesso a esses serviços é de 155 quilômetros.

(Fonte: Alf Ribeiro / Shutterstock)

Entre as regiões e os estados, existem grandes diferenças na concentração de atividades especializadas de saúde. Nas regiões Sul e Sudeste, a média de deslocamento é de 100 quilômetros, com fluxos distribuídos entre as capitais e as cidades centrais de menor porte no interior.

No nordeste, a importância das viagens para as capitais é maior do que as centralidades do interior. A média no centro-oeste fica em 256 quilômetros, enquanto o norte alcança a maior distância entre as regiões, com 276 quilômetros.

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Os estados que apresentam maior média de deslocamento são Roraima (471 quilômetros), Amazonas (462 quilômetros) e Mato Grosso (370 quilômetros). Na outra ponta, as pessoas que procuram tratamento de alta complexidade no Rio de Janeiro precisam se deslocar 67 quilômetros, a menor distância no País. A capital fluminense é próxima de outros polos de saúde no estado, como Campos dos Goytacazes, Volta Redonda e Itaperuna, além de cidades mineiras, como Muriaé.

Influências além das regiões

Alguns municípios ultrapassam a influência estadual e atendem a pessoas de diversas regiões do Brasil, como Barretos, no interior de São Paulo. A cidade é referência nacional no tratamento de câncer e atrai pacientes de 122 cidades em oito estados, incluindo toda a Região Centro-Oeste, o Pará e até Rondônia, como o caso de Monte Negro, que fica a mais de 2 mil quilômetros da cidade paulista.

Enfrentamento da pandemia

Os dados fornecidos pelo IBGE ajudarão as autoridades e os órgãos de saúde a identificar locais mais suscetíveis a um colapso no sistema hospitalar e tomar medidas como o direcionamento de respiradores e a instalação de pontos de atendimento em territórios com menor infraestrutura.

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O Instituto criou um mapa interativo, no qual é possível cruzar os dados e a concentração de casos confirmados e óbitos por covid-19 em cada região, estado e município.

Fonte: IBGE, Agência Brasil

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