As lições das cidades mais inteligentes do mundo

18 de julho de 2020 5 mins. de leitura
Aplicar práticas características das cidades inteligentes também é possível em estruturas urbanas já consolidadas

O que é possível aprender com as cidades mais inteligentes do mundo? A primeira lição pode estar no fato de que até mesmo estruturas complexas são capazes de se tornarem modelos inspiradores no campo da mobilidade urbana. Um exemplo disso é o Rio de Janeiro.

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Se convidado a citar um modelo de cidade inteligente no quesito “mobilidade”, podem ser baixíssimas as chances de alguém pensar na capital carioca. No entanto, é justamente ela — conhecida por seu trânsito caótico — a escolhida para dar início a um projeto que aplica os princípios das smart cities.

Até o final de 2020, a metrópole eleita em 2015 “a mais conectada do Brasil”, por meio de uma pesquisa do Urban Systems, deve começar a receber estruturas para implementação do sistema My City Smart. Este foi desenvolvido pela empresa de mobiliário urbano Metalco, com a participação do renomado designer brasileiro Guto Indio da Costa.

Rio de Janeiro não costuma ser exemplo de smart city
Rio de Janeiro é a cidade mais conectada do Brasil. (Fonte: Michelle Guimarães/Pexels)

O projeto consiste em um aplicativo para smartphone no qual o usuário obtém rapidamente informações sobre trânsito, vagas de estacionamento disponíveis nas redondezas, em horários e trajetos de ônibus e metrô, além da integração com serviços públicos, como polícia e corpo de bombeiros.

Também serão instalados pontos para carregamento de celulares, scooters, skates, bem como outros veículos e acessórios do tipo. A ideia é que os usuários estejam integrados e munidos de bateria para acessar os recursos do app.

Antigas cidades, novas práticas

A iniciativa do My City Smart é apenas um exemplo de como estruturas urbanas já consolidadas, e muitas delas bastante problemáticas, podem começar a “beber da fonte” de dezenas de cidades inteligentes que vêm sendo construídas ao redor do mundo e a se tornar referências.

Metrópoles com séculos de história vêm provando que é possível desenvolver iniciativas funcionais nesse sentido. Em 2019, Londres, na Inglaterra, foi eleita a cidade mais inteligente do mundo na 6ª edição do IESE Cities in Motion Index, índice que avalia o nível de desenvolvimento de 174 municípios em 80 países.

Londres: cidade mais inteligente do mundo
Londres foi eleita a cidade mais inteligente do mundo. (Fonte: Daria Shevtsova/Pexels)

No critério “mobilidade e transporte”, em que são observados especialmente a facilidade de locomoção entre grandes distâncias e o acesso a serviços públicos, as duas primeiras posições ficaram com cidades chinesas quase milenares: Xangai e Pequim.

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O que elas têm em comum? Colocam informação à disposição dos usuários de transporte, diminuindo o tempo em que os cidadãos passam no trânsito e combatendo as ineficiências do tráfego. Incentivam o uso de rotas alternativas a destinos frequentes, como o trajeto casa-trabalho, e oferecem serviços de compartilhamento de bicicletas.

Exemplos ao redor do globo

Em 2017, a União Europeia estimava que cerca de 250 projetos de cidades inteligentes estavam em desenvolvimento no mundo. Até 2020, esse número deveria crescer para 300 só na Europa. Também estão na Ásia algumas das principais referências contemporâneas quando o assunto é mobilidade inteligente.

China, Coreia do Sul, Singapura e Índia oferecem algumas das experiências mais bem-sucedidas. Nelas, o transporte é apenas um dos pilares que sustentam o conceito de cidades inteligentes, os outros são: energia limpa, melhor aproveitamento e captação de água, destinação correta do lixo, infraestrutura adequada, segurança pública eficaz, prédios verdes, prestação de serviços aos cidadãos apropriada, saúde e educação de qualidade.

Apesar da alta circulação de pessoas, Xangai tem um elogiado sistema de mobilidade
‌‌Apesar da alta circulação de pessoas, Xangai tem um elogiado sistema de mobilidade. (Fonte: Pexels)

Na Índia, a Gujarat International Finance Tec-City (GIFT) é uma das 100 smart cities que o país quer construir nas próximas décadas. O distrito, que adota matriz energética avançada, monitoramento de transporte e gestão de resíduos, tornou-se modelo para outros municípios indianos.

Em Songdo, na Coreia do Sul, o transporte público utiliza tecnologias de última geração, com veículos pouco poluentes, parques verdes e energia limpa.

VLT ou BRT: qual é a melhor opção?

Na smart city ideal, todos esses aspectos estão interligados e funcionam como uma rede estratégica para proporcionar bem-estar aos seus moradores. Há ênfase à micromobilidade, pois sensores monitoram a emissão de poluentes, sugerem rotas, indicam modais mais adequados a seu destino naquele horário, entre outros aspectos.

Com uma boa estrutura, as pessoas preferem transporte coletivo a automóveis próprios, e há espaços de convivência com muito verde por todos os lados. O resultado é menos poluição, mais saúde e qualidade de vida.

Fonte: Urban Hub, Comissão IoT União Europeia, IESE Cities in Motion, Fuorisalone.TV, Forbes, TecMundo, Enterprise IoT Insights.

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