Conheça a Declaração de Estocolmo e sua meta para o trânsito

15 de novembro de 2020 4 mins. de leitura
Formulado em encontro temático da ONU, documento propõe redução de 50% de danos humanos em acidentes de trânsito até 2030

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), 1,3 milhão de pessoas morrem todos os anos em decorrência de acidentes de trânsito no mundo. O dado assusta pela dimensão; enfileirados, os corpos acidentados no período de 12 meses seriam capazes de se estender de Curitiba (PR) a Salvador (BA).

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Há pessoas que sobrevivem aos acidentes, mas ficam lesionadas, e 90% desses casos ocorrem em países pobres, onde a infraestrutura viária costuma ser mais precária que nos países ricos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, se medidas duras não forem tomadas, 500 milhões de pessoas serão mortas ou feridas em acidentes de trânsito até 2030.

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Frente a esse problema, a ONU lançou em 2020 a Declaração de Estocolmo sobre Segurança nas Estradas. A meta é, em dez anos, diminuir em 50% o número de óbitos e ferimentos em decorrência de acidentes de trânsito, que são a principal causa de morte de pessoas na faixa de 5 a 29 anos de idade.

A declaração tem 18 assertivas e prevê que os 193 estados-membros da ONU trabalhem na redução dos acidentes, considerados problemas diretamente ligados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

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O documento chama atenção para campanhas que conscientizem sobre os riscos de dirigir após a ingestão de álcool e a redução da velocidade para 30 quilômetros por hora nas vias urbanas. Essas medidas simples podem ser vitais na promoção da segurança viária.

Entenda os principais eixos da declaração e o que está em xeque com as políticas propostas.

Economia

Danos humanos sobrecarregam orçamento público, que deveria ser mais direcionado a infraestrutura e sinalização. (Fonte: Shutterstock)
Danos humanos sobrecarregam orçamento público, que deveria ser mais direcionado a infraestrutura e sinalização. (Fonte: Shutterstock)

O número de acidentes de trânsito e de danos humanos causados por eles tem crescido significativamente. Embora a vida tenha valor em si, os gestores públicos têm se deparado com a outra face da moeda: o custo objetivo dos acidentes.

Esse é um problema que se retroalimenta: lugares pobres têm infraestrutura precária e por isso há grande número de vítimas de trânsito, o que aumenta os gastos com saúde pública e aposentadoria por invalidez. A Declaração de Estocolmo defende que deve haver uma articulação ampla entre o Estado e a sociedade civil para interromper esse círculo vicioso.

Segurança

Transporte coletivo ineficiente e perda no poder de compra tendem a aumentar a adesão a motocicletas, cujos acidentes são os mais preocupantes. (Fonte: Shutterstock)
Transporte coletivo ineficiente e perda no poder de compra tendem a aumentar a adesão a motocicletas, cujos acidentes são os mais preocupantes. (Fonte: Shutterstock)

Ainda segundo a OMS, as mudanças a serem adotadas precisam levar em consideração as necessidades das populações vulneráveis. Isso inclui, por exemplo, idosos e pessoas com deficiência, cuja capacidade de mobilidade pode ser ou estar reduzida.

Por que diversificar e integrar formas de deslocamento?

Por essa razão, mais que um modal específico, trata-se de repensar a cultura de mobilidade empregada. Isso se torna especialmente relevante durante o período atual, marcado pelos impactos da pandemia, e a fase imediatamente posterior: como muitas vezes o transporte coletivo tem ficado aquém na qualidade e no preço e como a renda das famílias diminuiu, é possível prever uma migração para as motocicletas, campeãs em acidentes de trânsito.

É por isso que as saídas de mobilidade adotadas pelas cidades, sobretudo no que se refere ao transporte coletivo e à mobilidade ativa, serão fatores-chave para reduzir óbitos e lesões conforme a meta estabelecida pela Declaração de Estocolmo.

Fonte: ONU, Declaração de Estocolmo

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