Mobilidade no Brasil: 3 desafios a serem superados

22 de novembro de 2021 4 mins. de leitura
Com cidades maiores e mais congestionadas, gestores públicos de todo o Brasil se atentam à necessidade de planejar a mobilidade urbana

O Brasil tem 116 municípios com mais de 250 mil habitantes, além de 17 metrópoles com mais de 1 milhão de pessoas, segundo as estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2021. Um “mar de gente” que precisa trabalhar, estudar, consumir e se deslocar para realizar todas essas tarefas. O que coloca a mobilidade urbana cada vez mais no centro dos debates em todo nosso país.

Nesse cenário, todas as cidades com população acima de 20 mil pessoas precisarão entregar um Plano de Mobilidade Urbana até 12 de abril de 2023 (para os municípios maiores, acima de 250 mil habitantes, o prazo acaba um ano antes). Isso representa um avanço, uma vez que grande parte das prefeituras pouco estuda o assunto, mas também demonstra como as discussões sobre mobilidade urbana ainda são incipientes no Brasil. 

Pensando nisso, listamos a seguir três entre os principais desafios que precisamos superar no debate sobre mobilidade urbana no Brasil.

Falta de planejamento contribui para dificuldades nos deslocamentos nas grandes cidades brasileiras. (Fonte: tawatchai07/Freepik)
Falta de planejamento contribui para dificuldades nos deslocamentos nas grandes cidades brasileiras. (Fonte: tawatchai07/Freepik)

1. A falta de debate e planejamento

O primeiro problema é, exatamente, a falta de planejamento estratégico para a mobilidade urbana — um problema histórico no País. As cidades brasileiras cresceram rapidamente e de forma desordenada ao longo do século 20XX, sem um sistema viário coeso e com pouco planejamento para o uso do espaço. 

Com isso, é comum observar grandes fluxos de pessoas se deslocando das periferias para os centros, em carros e congestionamentos. “Aqui, as cidades crescem como puxadinhos, com avenidas que simplesmente acabam no nada, o que dificulta a aplicação de um sistema viário coeso e de um sistema viário hierarquizado”, explicou o professor Joaquim Aragão, da UnB (Universidade de Brasília), em entrevista à Agência Brasil

2. Dependência excessiva dos automóveis

Mesmo cidades planejadas, como Brasília, foram construídas apenas com o transporte individual em mente. Núcleos residenciais na periferia, com serviços e empregos concentrados no centro e nas grandes avenidas para ligar esses polos, são fatores que contribuem para que os automóveis se tornem as principais opções para muitos habitantes. 

O pouco investimento no transporte coletivo completa essa equação. A questão é que os ônibus ocupam menos de 10% das vias e transportam 40% da população, enquanto a relação nos carros é de 70% do espaço para 25% das pessoas, segundo dados da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU). Então, é uma questão matemática investir mais nesse modal e democratizar o espaço viário. 

Para diminuir essa situação no Brasil, é importante investir nos meios de mobilidade ativa, como a caminhada e a bicicleta. A discussão ainda é incipiente, porém está avançando à medida que os gestores percebem que calçadas e ciclovias são obras que demandam baixo investimento e dão ótimo retorno.

Transporte coletivo e mobilidade ativa precisam ser incentivados para diminuir a dependência dos automóveis. (Fonte: Freepik)
Transporte coletivo e mobilidade ativa precisam ser incentivados para diminuir a dependência dos automóveis. (Fonte: Freepik)

3. Conflitos de interesses

Mas ainda que exista planejamento e boas intenções de diminuir a “carro-dependência”, os projetos podem esbarrar em críticas ferrenhas de alguns setores da cidade. Os corredores de ônibus, por exemplo, podem sofrer críticas de moradores abastados que se recusam a deixar seus automóveis individuais e temem a perda de espaço. As ciclovias podem ser criticadas pelo mesmo motivo ou por tirar espaços de estacionamento para carros.

Já á implantação de uma linha de Bus Rapid Transit (BRT) pode ser rechaçada por comerciantes, temendo que a maior velocidade dos ônibus diminua o fluxo de clientes. Até as empresas dos ônibus podem impedir avanços na mobilidade urbana, lutando contra linhas de metrô ou Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) que tiraram os passageiros de seus veículos, por exemplo. 

Em resumo, é importante compreender que todo projeto de grande porte será polêmico, mas o fluxo das pessoas pela cidade deve ser sempre priorizado, para benefício do maior número de habitantes.

Naturalmente, diversas outras questões podem ser relacionadas aos três problemas citados aqui, porém a falta de debate e planejamento, a dependência excessiva dos automóveis e os conflitos de interesses continuam sendo três dos principais desafios a serem superados para o avanço da mobilidade urbana no Brasil. 

Fonte: Agência Brasil/EBC, FIA – Fundação Instituto de Administração.

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