Venda de carros elétricos cresce 221% no Brasil

14 de novembro de 2020 4 mins. de leitura
Em contrapartida, produção de automóveis movidos a combustão cai 50% durante os seis primeiros meses de 2020

No primeiro semestre de 2020, foram vendidos 7.568 carros elétricos, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). O resultado representa um aumento de 221% em relação ao mesmo período do ano passado e aconteceu mesmo em meio a uma forte alta do dólar e à crise do coronavírus.

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Apesar de ainda serem maioria nas ruas brasileiras, os carros movidos a combustíveis fósseis, como diesel e gasolina, tiveram uma queda de 50,5% na produção e de 38,2% nas vendas, conforme dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Segundo a ABVE, o mercado nacional de elétricos deverá crescer de 300% a 500% nos próximos cinco anos. De acordo com um estudo do Boston Consulting Group, o Brasil poderá ter 2 milhões de carros elétricos em 2030. Seguindo a tendência, grandes montadoras investem cada vez mais em novos modelos e soluções para aumentar a viabilidade do produto. 

Vantagens dos carros elétricos

Posição das baterias favorece desempenho dos automóveis elétricos. (Fonte: Jac Motors/Divulgação)
Posição das baterias favorece desempenho dos automóveis elétricos. (Fonte: Jac Motors/Divulgação)

A baixa emissão de poluentes, o baixo ruído dos motores, a pouca exigência de manutenção e o menor custo de rodagem são as principais vantagens que levam o consumidor brasileiro a preferir os carros elétricos e híbridos, segundo pesquisa apresentada pelo Instituto Ipsos durante o Congresso Brasileiro de Mobilidade e Veículos Elétricos (C-Move).

De acordo com a Associação Brasileira dos Proprietários de Veículos Elétricos Inovadores (Abravei), o custo de rodagem dos carros movidos a eletricidade pode ser até cinco vezes menor que o dos automóveis a combustão. Enquanto um carro a gasolina ou diesel gasta em média R$ 0,45 por quilômetro, um elétrico pode fazer o mesmo trajeto por R$ 0,08.

Os motores elétricos respondem melhor aos comandos do motorista, especialmente no pedal do acelerador. Além disso, o veículo movido a eletricidade é mais estável, por possuir um centro de gravidade mais baixo por conta da posição das baterias embaixo do assoalho. O automóvel elétrico também tem a capacidade de gerar a energia aproveitando o seu próprio movimento.

Alta de preço

Devido à forte valorização do dólar ao longo de 2020, os preços dos carros elétricos, que já não eram baixos, ficaram ainda mais salgados. Isso acontece porque não existe fabricação em larga escala desse tipo de veículo no Brasil e toda a produção é importada.

O carro elétrico mais barato da atualidade no mercado nacional, o JAC iEV20, custava R$ 120 mil quando foi lançado, há um ano. O veículo agora é vendido a R$ 140 mil, uma alta de 16%, enquanto a inflação dos últimos 12 meses ficou em torno de 4%.

A alta de preço, no entanto, tende a ser momentânea. É possível que o valor pago para a aquisição de um veículo elétrico continue caindo, por conta do desenvolvimento de tecnologias mais baratas para as baterias, que chegam a representar 40% do custo total. 

Até 2025, os preços de elétricos e de modelos a combustão devem ser equivalentes, de acordo com uma projeção do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD).

Melhoria de infraestrutura

Rede de eletropostos vai permitir viagem com carro elétrico de 2,5 mil quilômetros entre Florianópolis e Vitória. (Fonte: Shutterstock)
Rede de eletropostos vai permitir viagem com carro elétrico de 2,5 mil quilômetros entre Florianópolis e Vitória. (Fonte: Shutterstock)

Outro gargalo para o aumento do crescimento, a infraestrutura de recarga está recebendo fortes investimentos das montadoras. Um projeto realizado por Volkswagen, Porsche e Audi recebeu o aporte R$ 32,9 milhões para formar um corredor de eletropostos ligando São Paulo, Rio de Janeiro, Vitória, Florianópolis e Curitiba.

O primeiro posto de carregamento ultrarrápido público do Brasil foi inaugurado em Caraguatatuba, cidade do litoral de São Paulo. O carregador promete fornecer 100 quilômetros de autonomia em 15 minutos e consegue abastecer três veículos ao mesmo tempo em dois carregadores instalados. Pelo menos mais outros dez novos postos devem ser inaugurados ainda em 2020 nas rodovias Régis Bittencourt, Fernão Dias, dos Bandeirantes e Via Anhanguera.

Fonte: Portal Solar, Estadão, Automotive Business, Certi, Jac Motors.

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