Isolamento por coronavírus reduz frota de ônibus nas capitais

Isolamento por coronavírus reduz frota de ônibus nas capitais
Diminuição dos veículos tem gerado reclamações de superlotação em ao menos três cidades

Um mês depois do primeiro caso confirmado de coronavírus no Brasil, o Ministério da Saúde já registra mais de 1,5 mil infectados e sete mortes em território nacional. A medida mais eficiente para retardar a disseminação da doença é o isolamento social, para diminuir a circulação de pessoas nas ruas. Por conta disso, várias prefeituras e empresas de transporte anunciaram a redução de frotas de ônibus, o que tem gerado reclamações de superlotação em capitais e até municípios do interior.

Com a suspensão das aulas e de outros serviços, as cidades vêm registrando menos passageiros no transporte urbano. Uma avaliação preliminar da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) estima que o transporte público deve perder metade dos passageiros nos próximos dias em decorrência da covid-19.

Natal (RN) registrou 90 mil passageiros a menos por dia, e as linhas de transporte público foram reduzidas em 30% na capital do Rio Grande do Norte. Porto Alegre (RS) fechou temporariamente 15 linhas, enquanto durar a suspensão das aulas. Em Salvador (BA), a prefeitura anunciou a redução de 30% nos ônibus.

A mesma proporção de veículos foi retirada das ruas pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (SetraBH) — após essa medida, a prefeitura anunciou uma nova redução de 5% dos veículos.

(Fonte: Shutterstock)

Cidades do interior também anunciaram a diminuição no transporte urbano. Campina Grande (PB) reduziu em 28% a circulação de ônibus, e polos regionais de desenvolvimento, como Juiz de Fora (MG), também tiveram cortes na frota.

O que se tem feito para conter o coronavírus em ônibus e metrôs?

Apesar do grande número de casos confirmados de covid-19, as cidades do Rio de Janeiro (RJ) e de Brasília (DF) ainda não anunciaram medidas de restrição de circulação do transporte público.

A Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob) do Distrito Federal anunciou o remanejamento de linhas na capital; os veículos serão retirados dos trajetos que atendiam estudantes e colocados em 53 linhas que têm maior demanda de passageiros. Na capital fluminense, o governo do estado diminuiu o número de veículos que atendem à região metropolitana.

São Paulo deve reduzir frota de ônibus

A prefeitura de São Paulo estuda retirar mil veículos das ruas da capital paulista, o que corresponde a 7% do total, a partir da semana que vem. A Secretaria Municipal de Transporte (SMT) e a São Paulo Transporte (SPTrans) estimam que a redução de passageiros nos ônibus municipais por causa da pandemia foi de 35%. O Metrô registrou queda de 48% no número de passageiros; a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), 35%; e a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), 25%.

Superlotação

(Fonte: Shutterstock)

Em Curitiba (PR), houve redução de 277 mil passageiros por dia, em uma queda de 37%. As linhas passaram a circular com horários de sábado, mas passageiros reclamam que essa restrição está lotando os veículos. O impasse é o mesmo em Fortaleza (CE), com usuários se queixando da demora e de ônibus lotados em pelo menos cinco terminais da cidade.

Home office por coronavírus tem efeito sobre a mobilidade urbana

As indicações de superlotação em Goiânia (GO) encontraram apoio em uma ação promovida pela Defensoria Pública de Goiás. A Justiça pediu o retorno da circulação de 220 veículos que foram retirados das ruas, especialmente em horários de pico. A Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos de Goiás (CMTC), responsável pela medida, argumenta que a média diária caiu de 522 mil embarques para 345 mil, o que justifica a mudança, mas avaliará as questões levantadas.

Fonte: NTU, Agência Brasil, Prefeitura de Curitiba.

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