Marcas que a pandemia deixará na configuração urbana

19 de abril de 2021 3 mins. de leitura
Reformulação do desenho de sinaleiros e ampliação de ciclovias e calçadas estão entre as medidas urbanas para contornar a pandemia

O início da pandemia do coronavírus fechou diversos países. Fotos e notícias de cidades conhecidas internacionalmente mostravam ruas e pontos turísticos vazios. Mas além dessas transformações temporárias, houve aquelas que vieram para ficar.

Em março de 2020, Bogotá ampliou suas ciclovias para conter a expansão do novo coronavírus e, com isso, aumentou o número de adeptos ao uso de bicicletas para a ida ao trabalho. A cidade acrescentou 76 quilômetros aos 550 quilômetros de vias já existentes.

              

Ciclista com máscara de proteção. (Unsplash/Reprodução)
Ciclista com máscara de proteção. (Unsplash/Reprodução)

Já em Londres, Sadiq Khan, o prefeito da cidade, anunciou em maio de 2020 a ampliação das calçadas com o objetivo de facilitar o distanciamento físico contra a propagação do coronavírus. Elas foram ampliadas nas ruas comerciais para permitir que as pessoas respeitassem a distância durante as caminhadas ou nas filas nas entradas de lojas. 

A capital londrina também criou uma nova rede de ciclovias. Somando-se a Bogotá e Londres, Buenos Aires, Auckland, Milão, Nova York e Paris anunciaram medidas semelhantes no mesmo período. 

Segundo Anne Chemin, em reportagem para Le Monde Diplomatique, a relação entre saúde e planejamento urbano atravessa séculos. Anne explica que, ao longo do tempo, diversas doenças que assolaram a humanidade estavam associadas a questões de saneamento ou a condições insalubres, fazendo diversos estudiosos pensarem em soluções urbanas. 

As relações entre mobilidade urbana e saúde

No século 19, “as preocupações com a saúde estavam tão presentes na mente dos urbanistas que, às vezes, rebatizavam os planos ‘de planejamento’ prescritos pela lei de 1919 de planos ‘de saneamento'”, segundo Stéphane Frioux, mestre de conferências em História Contemporânea na Universidade Lyon-II. 

Com a consolidação do planejamento das cidades e o foco da medicina em doenças cardiovasculares, diabetes ou câncer, a interface entre saúde e urbanismo passou a ser menor.

Porém, na atualidade, arquitetos e planejadores urbanos se veem novamente pensando na relação entre saúde e urbanismo para enfrentar a pandemia enquanto as vacinas chegam lentamente.

Morador da cidade de Nova York utilizando patinete elétrico. (CC Search/Reprodução)
Morador da cidade de Nova York utilizando patinete elétrico. (CC Search/Reprodução)

O futuro do urbanismo pós-pandemia

Muitos especialistas já estão começando a pensar em um urbanismo pós-pandemia. Segundo Anne Chemin, ‘’alguns militam pela instalação de tecnologias sem contato para os interruptores ou as travas, outros querem substituir espaços abertos por caixas ou “escritórios de reserva”. Há também os que ainda querem multiplicar os terraços, as varandas ou as galerias. 

Para Rogier van den Berg, especialista em Desenvolvimento Urbano, o planejamento também deve focar, nos próximos anos, questões como acesso a serviços essenciais, moradia acessível, espaços públicos, integração dos espaços verdes, infraestrutura de água, planejamento urbano regional e disponibilidade de mais dados detalhados das cidades para tomada de decisões.

Fonte: Capa, Estadão, WRI Brasil.

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