99 lança seu serviço de delivery em Belo Horizonte

13 de abril de 2020 5 mins. de leitura
Serviço de delivery foca qualidade para abrir mercado e quer estreitar laços com restaurantes, entregadores e consumidores

Em dezembro do ano passado, a 99Food iniciou suas atividades no Brasil. Com atuação em Belo Horizonte (MG) e algumas cidades mineiras de médio porte, a 99 iniciou um “laboratório” de delivery com o objetivo de estruturar as atividades da empresa nesse ramo nos próximos anos.

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Além dessa experiência por aqui, o grupo chinês Didi Chuxing, dono da gigante de mobilidade 99, fez outras apostas pelo mundo. A Didi Food chegou ao México em 2018, tendo iniciado suas atividades em Guadalajara, também uma cidade de porte intermediário, e já tem planos para o início das atividades no Japão.

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Segundo Danilo Mansano, chefe de operação da 99Food, a prioridade não é crescer, mas sim compreender o mercado e estar pronto para oferecer um serviço que responda às demandas do setor. Em 2019, houve mais de 500 milhões de pedidos por delivery no Brasil, concentrados em três grandes aplicativos: UberEats, iFood e Rappi. Para Mansano, esse número é pequeno diante do potencial nacional — por isso, mais do que disputar clientes, o desafio é abrir mercado.

Para que isso aconteça, Mansano acredita que o mercado do delivery precisa superar alguns conceitos cristalizados. Um deles é de que delivery significa pizza; isso não apenas é distante da realidade como também sufoca uma série de alternativas que podem ser viáveis em um mercado plural. Outra impressão a ser superada é a ideia de que pedir comida por aplicativo é um conforto, um pequeno luxo. Na China, já é comum que clientes peçam delivery três vezes por dia — houve quase 5 bilhões de entregas por lá no último ano.

Menos quantidade, mais qualidade

(Fonte: Shutterstock)

Diferentemente do México, a 99Food surge no Brasil com alguns concorrentes bem estabelecidos no mercado. Mas isso pode ser uma oportunidade. A 99 já tem um branding bem estruturado e dispõe de uma enorme base de dados com informações detalhadas sobre preferências de consumidores: quais restaurantes costumam frequentar, que tipo de alimentos preferem em cada refeição etc.

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Outra razão para que a chegada relativamente tardia traga benefícios tem a ver com o fato de que, a partir da experiência das concorrentes, já é possível fazer um balanço de quais são os principais problemas enfrentados pelas demais marcas e projetar modelos que os superem.

Parceiros

(Fonte: Shutterstock)

Entre os principais gargalos identificados está a gestão da tríade restaurante-entregador-consumidor por parte do app. Segundo o diretor, as empresas de delivery não costumam dar a devida atenção a esses agentes igualmente. Isso é importante porque, entre a elaboração e o consumo do alimento, há uma série de operações delicadas que demandam cuidado, em uma logística bem mais complexa que o transporte de passageiros próprio da 99.

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Do ponto de vista do usuário, é ideal que o aplicativo apresente soluções mais próximas do cotidiano e seja mais que um serviço padrão de motoboy. Por isso, a 99Food permite que o delivery seja pedido por um aplicativo específico ou pelo próprio 99, que o potencial cliente pode já ter no celular.

Olhar para as demandas do entregador é outro diferencial apontado pela 99Food. Está em elaboração um ponto de apoio a esses profissionais, no qual eles possam permanecer, carregar o celular e usar WiFi e outros serviços. Além disso, está em discussão uma forma de remuneração por hora, segundo Mansano, para evitar que as métricas tempo e velocidade de entrega criem uma condição danosa de trabalho.

É necessário também mudar a relação dos aplicativos com os restaurantes. O diretor da 99Food aponta que é importante que os empresários entendam que o ganho está mais ligado ao volume de vendas e que, por isso, é possível baratear o preço das refeições.

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Mansano revela que, durante essa fase pedagógica, o aplicativo está disposto a abrir mão da sua margem para criar vínculos que redesenhem a relação entre restaurante e aplicativo, valendo até disponibilizar fotógrafos para ilustrar os pratos — daí porque adotar um locus e elaborar um novo conceito é tão importante. Por isso, o desafio de ganhar rentabilidade é algo para médio e longo prazos.

A aposta para agora é ampliar o mercado existente com relações mais orgânicas entre os diferentes agentes, buscando aproximá-los e resolver as lacunas existentes.

Fonte: 99 Food

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