Projeto em NY pensa cidade segura para crianças na pandemia

12 de outubro de 2020 4 mins. de leitura
Na transição para o “novo normal”, Big Apple estrutura ruas para brincadeiras e deslocamentos seguros

Durante a gradual reabertura das ruas sob a lógica do “novo normal”, é necessário garantir o acesso à cidade para as crianças e prepará-las para a mobilidade ativa, cuja adesão vem crescendo no mundo todo durante a pandemia da covid-19. De olho nessas demandas urgentes, a cidade de Nova York (EUA) tem desenvolvido projetos para abrir as ruas para os pequenos aos poucos e da maneira mais segura possível.

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Não é de hoje que a Big Apple busca estratégias de ruas abertas para crianças. As chamadas Plays Streets (Ruas Para Brincar, em tradução livre) eram iniciativas comuns até o início da pandemia, com vias fechadas em alguns períodos do ano para a recreação infantil. A proposta ficou suspensa por um tempo, até começar a ser adaptada para o cenário atual.

Inserido no programa Open Streets (Ruas Abertas, em tradução livre), que visa ampliar o acesso a pedestres e ciclistas, o novo projeto Plays Streets prevê estruturas como jogos gigantes de tabuleiro, cantos de leitura e áreas de esportes para a meninada.

Novas ruas para brincar

Brinquedos precisaram ser repensados para evitar superfícies de contato e promover o distanciamento social adequado. (Fonte: Shutterstock)
Brinquedos precisaram ser repensados para evitar superfícies de contato e promover o distanciamento social adequado. (Fonte: Shutterstock)

A Street Lab, organização sem fins lucrativos que cria móveis e propostas para o espaço público, é um dos grupos envolvidos nessa transformação em Nova York. Recentemente, a ONG lançou o PLAY NYC, que oferece suporte para brincadeiras seguras em bairros carentes da cidade.

Se antes da pandemia a meninada costumava brincar com peças de montar e participar de leituras coletivas, agora, com as novas demandas de segurança, esse tipo de interação não é mais possível. Pensando nisso, a Street Lab propôs configurações que incluem de pistas de obstáculos sem toque.

Quais serão os desafios da mobilidade para o novo normal?

As pistas de obstáculos estão entre as intervenções mais implantadas neste momento. Isso porque, diferentemente de gangorras e estruturas de escalada, por exemplo, podem proporcionar ações divertidas sem que precise haver contato com as superfícies dos brinquedos.

Pistas de obstáculos estão entre as principais adaptações na implantação de novas Play Streets. (Fonte: Street Lab/Reprodução)
Pistas de obstáculos estão entre as principais adaptações na implantação de novas Play Streets. (Fonte: Street Lab/Reprodução)

Um dos principais desafios de se pensar essas estruturas reside no fato de elas serem temporárias. Em entrevista ao site Next City, a designer industrial Hannah Berkin-Harper explicou que uma solução comum frente a esse impasse é a utilização de materiais leves e que possam ser desmontados com facilidade. Ainda assim, aliar um equilíbrio eficiente entre o robusto e o desmontável no desenvolvimento dessas armações pop-ups não é nada simples.

A cultura das Play Streets

A ideia de adaptar as Play Streets para o “novo normal” pode ajudar a salvar uma cultura em declínio, que há anos tem sido ameaçada por vários fatores, entre eles a mobilidade urbana centrada no uso do carro particular. Um levantamento feito pelo jornal The New York Times em 2015 mostrou que em duas décadas o número dessas estruturas em Nova York caiu de 150 para 15.

Retomada verde pode fomentar cidades mais sustentáveis

A esperança dos entusiastas das Play Streets é que a crescente adesão à mobilidade ativa e a projetos de ruas abertas pelo mundo possa impulsionar a retomada dessa ideia sob um viés mais sustentável e social. Uma boa notícia é que eles têm encontrado em comerciantes locais grandes parceiros que buscam impulsionar seus negócios em uma retomada também econômica.

Segundo o site City Lab, enquanto antes da pandemia propor o fechamento das ruas para que pessoas pudessem transitar significava ter que enfrentar embates com comércios e estacionamentos, agora até restaurantes contam com propostas como o Open Streets para sobreviver.

Fonte: Next City, Street Lab

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