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Quais seriam os impactos da semana de 4 dias de trabalho no trânsito?

14 de julho de 2023 4 mins. de leitura
Experimentos realizados em diversos países dão uma amostra de como as dinâmicas das cidades passariam por mudanças

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Nos últimos anos, debates envolvendo o regime de trabalho ganharam um maior espaço, sendo um dos desdobramentos da pandemia e da reavaliação que pessoas e empresas realizaram em meio ao cenário crítico.

Como resultado, tanto o home-office quanto o modelo híbrido de trabalho foram adotados em várias empresas, mostrando o quanto é possível executar diferentes funções em jornadas mais flexíveis.

Ainda nesse contexto, experimentos envolvendo a adoção da chamada semana de quatro dias de trabalho estão sendo realizados em diversos países e surpreendendo tanto pelos seus efeitos na vida das pessoas quanto na manutenção de bons níveis de produtividade nas companhias.

Mas afinal, quais impactos poderiam ser percebidos na mobilidade se a iniciativa estivesse mais presente no Brasil?

(Fonte: Getty Images/Reprodução)
Adoção da semana de quatro dias de trabalho já é encarada como um caminho para reduzir as emissões de poluentes nas cidades. (Fonte: Getty Images/Reprodução)

Adoção da semana de quatro dias de trabalho ao redor do mundo

Para ajudar a responder essa pergunta, o grupo 4 Day Week Global tem investido em experimentos em diversos países. Em um deles, com a maioria das companhias localizadas na Austrália e Nova Zelândia, a mudança propiciou redução de 44,3% no absenteísmo nas 26 empresas que aderiram ao projeto.

Um outro efeito percebido foi que a frequência da prática de atividades físicas aumentou entre 36% dos participantes. A duração dos exercícios também foi prolongada em 20 minutos semanalmente, em média.

Já no campo da mobilidade urbana, com a redução da demanda do transporte público e do fluxo de automóveis, os horários de pico podem ser particularmente afetados se a adoção for massiva. A prova disso é que, em se tratando do tempo de deslocamento, houve uma queda de 36 minutos gastos no trânsito por semana nas localidades dos testes.

O relatório destaca ainda que 42% dos trabalhadores que foram acompanhados passaram a se dedicar a outras atividades e, em vez de dirigir, optaram pela caminhada ou pelo ciclismo.

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Com a adoção da semana de 4 dias, a mobilidade ativa, realizada por meio de caminhas e bicicletas poderá ganhar maior impulso. (Fonte: Getty Images/Reprodução)
Com a adoção da semana de quatro dias, a mobilidade ativa, realizada por meio de caminhadas e bicicletas poderá ganhar maior impulso. (Fonte: Getty Images/Reprodução)

Impactos ambientais da mudança

Além de induzir uma alteração na rotina, a semana de quatro dias de trabalho apresenta potencial para mudar algumas dinâmicas presentes nas cidades, de modo que a mobilidade ativa ganhe um maior espaço e gere reflexos no trânsito.

Ainda pode-se esperar que a população opte por frequentar ambientes mais próximos da sua área de convívio, reduzindo assim, o tráfego de veículos em outras porções mais movimentadas. Dessa forma, a redução na emissão de poluentes seria um outro desdobramento revertido em benefício das pessoas, com a melhoria na qualidade do ar.

Um outro estudo publicado em 2021 pela 4 Day Week apontou que se a semana de quatro dias fosse adotada no Reino Unido, a pegada de carbono poderia ser diminuída em 127 milhões de toneladas anualmente até 2025, representando uma redução estimada em 21,3%.

Na prática, isso equivale a retirar pelo menos 27 milhões de automóveis de circulação. Por ora, um projeto que contou com a participação de mais de 70 companhias para avaliar os benefícios da semana de quatro dias por lá deverá será mantido por 91% delas.

Fontes: 4 Day Week Global, Forbes,4 Day Week UK, 4 Day Week

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