Transporte público de NY pede ajuda estatal de US$ 12 bilhões

19 de outubro de 2020 4 mins. de leitura
Entidade responsável pelo setor prometeu reduzir a qualidade dos seus serviços caso não receba o auxílio em meio à crise do coronavírus

Em todo o mundo, pedidos de auxílio estatal para o transporte coletivo reiteram: a crise no setor é global. No Brasil, representantes do segmento chegaram a defender a criação de um sistema único de mobilidade urbana como saída para esse momento em que o uso de ônibus e metrôs tem caído drasticamente. Em Nova York, as perdas não são menores, e há pouca perspectiva de melhora. 

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O número de passageiros no metrô da cidade, por exemplo, despencou 90% em abril e até agora, mesmo com a retomada gradual das atividades presenciais, só atingiu um quarto da quantidade de usuários de antes da pandemia. 

Foi em meio a esse cenário crítico que a Autoridade de Transporte de Nova York (MTA) pediu socorro ao Estado, ameaçando reduzir o fluxo e a qualidade de seus serviços caso não receba um auxílio de US$ 12 bilhões — o correspondente a algo em torno de R$ 64 bilhões. O valor seria destinado para a cobertura de despesas até o final do ano que vem. 

No início da pandemia, a MTA recorreu às autoridades federais solicitando US$ 3,9 bilhões que deveriam cobrir perdas operacionais até o fim de 2020. Entretanto, cálculos mais recentes da organização constataram um furo ainda maior no orçamento. A projeção é de que, até 2024, o transporte coletivo nova-iorquino sofra um déficit de US$ 16,2 bilhões por conta das perdas sofridas em decorrência da pandemia de coronavírus. 

Alto subsídio

Pessoas dentro do metrô sentadas nos bancos e apoiadas nos postes
AAmerican Public Transportation Association reivindicou uma ajuda de US$ 32 bilhões no próximo pacote de estímulo para as agências de transporte em todo o território estadunidense. (Fonte: Shutterstock)

O valor de US$ 12 bilhões é alto. Para se ter uma ideia, a American Public Transportation Association, grupo sem fins lucrativos que defende os interesses do setor de transporte público nos Estados Unidos, reivindicou uma ajuda de US$ 32 bilhões no próximo pacote de estímulo para as agências de transporte do país inteiro.

O que se tem feito para conter o coronavírus em ônibus e metrôs?

Ainda assim, muitas das mais de 1,1 mil empresas associadas à entidade já estão reduzindo serviços e cortando funcionários. No caso de Nova York, as iniciativas que poderão tomadas pelo MTA deverão atingir diretamente os passageiros, impactando de maneira ainda mais sensível a experiência dos usuários daqui para frente. 

Quais os desafios da mobilidade para o novo normal?

“O futuro da MTA e da região de Nova York está inteiramente nas mãos do governo federal. Sem esse financiamento adicional, seremos forçados a tomar medidas draconianas, cujo impacto será sentido em todo o sistema e na região nas próximas décadas”, disse o presidente da agência, Patrick J. Foye, em entrevista ao jornal The New York Times

Perdas do setor

Janela de metrô com pessoas sentadas usando máscara
Caso não receba o auxílio solicitado, a MTA deverá reduzir os serviços de metrô e ônibus na cidade em até 40%. (Fonte: Shutterstock)

Entre os principais impactos que poderão ser sentidos pelo usuário de transporte coletivo diz respeito ao tempo de espera nas estações e pontos. A MTA diz que, caso não receba o auxílio solicitado, deverá reduzir os serviços de metrô e ônibus na cidade em até 40%, aumentando o tempo de espera em oito minutos no metrô e em 15 minutos nos ônibus. 

Por que diversificar e integrar formas de deslocamento?

O impacto será ainda maior nos trens urbanos da Long Island Rail Road e Metro-North, que operariam em intervalos de 60 ou 120 minutos. Além disso, atrasos já comuns causados por falhas em sistemas de sinalização do metrô perdurariam, uma vez que, sem verba extra, a modernização da sinalização não poderá ser levada adiante. 

Fonte: Mobilize, Ny Times

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