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Covid-19: Ipea aponta importância da mobilidade no acesso à saúde

Covid-19: Ipea aponta importância da mobilidade no acesso à saúde
Ferramenta do Banco Interamericano de Desenvolvimento mostra consequências das políticas de isolamento na mobilidade urbana

Do isolamento social a políticas restritivas mais rígidas pensadas para conter a pandemia de covid-19, governos do mundo todo têm imposto soluções às cidades que impactam consideravelmente a mobilidade urbana. Para monitorar o efeito dessas políticas nas ruas da América Latina, bem como os efeitos que elas terão na economia e na mobilidade urbana, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) criou o Painel de Impacto do Coronavírus.

O BID é uma instituição financeira internacional com atuação em países latino-americanos, que busca reduzir a pobreza e fomentar o desenvolvimento sustentável por meio de diversas ações. A organização criou o painel com o intuito de monitorar e ofertar dados sobre o impacto do novo coronavírus no comportamento das pessoas, nas atividade econômicas e na mobilidade urbana em tempo real na América Latina.

Variação percentual medida em relação à semana de 1 a 7 de março. Baseado nos dados do Waze for Cities.
Variação percentual medida em relação à semana de 1 a 7 de março. Baseado nos dados do Waze for Cities. (Fonte: Iadb)

Inicialmente o painel divulgava apenas o número de contágios em cada país, mas os pesquisadores responsáveis pela ferramenta conseguiram adicionar novos elementos que agora podem ajudar os gestores públicos na criação de soluções para os problemas causados pela pandemia.

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O painel apresenta dados sobre o número de contágios por país, a avaliação dos congestionamentos nos principais centros urbanos, o uso de transporte público, a mobilidade humana e a qualidade do ar. As informações podem ser filtradas por país, região metropolitana, população e datas.

Um dos padrões medidos é o congestionamento de trânsito. Os dados avaliados nesse caso vêm da parceria com o aplicativo Waze. O monitoramento de trânsito é relevante, segundo os pesquisadores, para medir a saúde da economia, já que o trânsito mede o deslocamento de pessoas aos seus trabalhos e também o de mercadorias.

Conforme os dados do painel, em março os congestionamentos de algumas das regiões mais populosas da América Latina, como Bogotá, Buenos Aires, Cidade do México, Lima, Port of Spain, São Paulo e Santiago, caíram entre 34% e 63%.  Alguns dos efeitos da diminuição da movimentação de veículos já são vistos com a diminuição dos índices de poluição em todo o Brasil.

O painel também analisa dados de transporte público. De acordo com a ferramenta, houve uma queda de 68% nesse segmento em São Paulo na primeira semana de março, tendência comum em toda a América Latina — com reduções que vão de 41% a 88% nas cidades mais populosas. No Brasil, a queda do uso do transporte público nas principais cidades sofreu redução entre 70% e 80%. Esses dados são importantes para entender as crises que vêm acontecendo em empresas do setor, inclusive o risco de falência de várias delas.

Crise financeira do trasnporte público
A redução do uso do transporte público é um dos aspectos identificados no painel. (Fonte: Pixabay)

Outra métrica importante divulgada foi a mudança de hábitos de consumo e os efeitos disso na economia local. Por exemplo, com o isolamento social, o número de buscas por “Netflix” subiu em média 47%, enquanto buscas por “cinema” e “restaurantes” diminuíram cerca de 40%.

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A extensão global das restrições na mobilidade urbana demonstra um consenso de que essas ações são necessárias para diminuir a expansão do contágio do novo coronavírus. A ideia é que a divulgação do painel ofereça elementos que possam orientar as autoridades nas políticas públicas e em respostas que venham a salvar vidas.

Fonte: IDB, Estadão.

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