Como o setor de bikes impactou a economia brasileira na pandemia

14 de setembro de 2021 3 mins. de leitura
Estudo recente da Aliança Bike demonstra que o “bike boom” da pandemia trouxe reflexos positivos na geração de empregos

Desde o início da pandemia, foi possível observar um “bike boom” em todo o mundo, com uso cada vez maior das bicicletas como meio de transporte seguro e prático. Diversos governos ofereceram incentivos à compra de unidades, sistemas de bikes compartilhadas cresceram, entre outras evidências.

Mas será que esse movimento gerou impactos positivos na economia? De acordo com um estudo recente da Aliança Bike, associação que reúne fabricantes e varejistas do setor, sim.

Muitas pessoas adotaram a bicicleta como alternativa de mobilidade prática e segura durante a pandemia (Fonte: Blue Bird/Pexels)

Mais de 2 mil empregos formais só em 2020

É nítido que houve um impacto negativo nos empregos formais nos primeiros momentos da crise, entre março e abril de 2020, porém os sinais de recuperação não demoraram a chegar: a partir de junho, o saldo de vagas já era positivo. Agosto de 2020 foi o melhor mês para o setor — o que coincide com os picos de venda, segundo a Aliança Bike —, com 573 novos empregos na fabricação e 282 no comércio varejista de bicicletas. 

Ao longo do ano, registrou-se a criação de 1.079 postos de trabalho na fabricação de bikes e 984 no comércio, somando 2.063 empregos com carteira assinada graças ao “bike boom”.

Impactos positivos foram sentidos não apenas na fabricação, mas também no comércio e nos serviços para bikes (Fonte: Freepik)
Impactos positivos foram sentidos não apenas na fabricação, mas também no comércio e nos serviços para bikes (Fonte: Freepik)

Impactos positivos para uma economia fragilizada

A Aliança Bike afirma que “o aumento de empregos com carteira assinada mostra que, com pouco ou nenhum incentivo, o setor de bicicletas é resiliente e pode ser um importante vetor para a recuperação da economia brasileira”. Com efeito, o saldo positivo nos postos de trabalho formais e o substancial aumento nas vendas se destacam nesse cenário de fragilidade na economia, de modo geral.

Inclusive, é possível observar que esses resultados foram ainda mais expressivos nos dois primeiros meses de 2021, com 725 postos de trabalho. Resta saber se esse bom momento poderá ser sustentado ao longo do ano, com desafios como o desabastecimento de insumos para fabricação e a economia ainda em ritmo lento. 

Setor de bicicletas, sozinho, foi responsável por 1,44% dos empregos gerados no Brasil em 2020 (Fonte: jannoon028/Freepik)
Setor de bicicletas, sozinho, foi responsável por 1,44% dos empregos gerados no Brasil em 2020 (Fonte: jannoon028/Freepik)

Reflexos em todo o País

Em 2020, o saldo foi decididamente positivo: o setor de bicicletas contribuiu, sozinho, para 1,44% dos empregos gerados no Brasil. O Estado de São Paulo, mais populoso, destacou-se nos números absolutos — e é interessante pontuar o papel de Santa Catarina na fabricação e do Paraná no varejo, também com muitos empregos.

Por fim, é importante observar que esse impacto positivo pode ser ainda maior. Isso porque o estudo revela apenas os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia, que não incluem alguns setores (como o comércio atacadista de bicicletas e peças) e os empregos sem carteira assinada. Além disso, as pessoas com emprego no setor de bicicletas consomem mais e contribuem com os outros setores, em um movimento positivo para toda a economia brasileira.

Fonte: Aliança Bike.

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