Como os carros a combustão moldaram as cidades?

20 de junho de 2022 5 mins. de leitura
Conheça a história dos carros a combustão e o papel deles na mobilidade urbana como a conhecemos

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Hoje, é impossível olhar para qualquer grande cidade no mundo e não a ver dominada por carros. Em grandes metrópoles, inclusive, não se precisa esperar os horários de pico para saber qual é o meio de transporte que domina o cenário. Mas como chegamos a esse ponto? Conheça um pouco a história dos carros a combustão e como eles influenciaram o desenvolvimento das cidades.

É bem verdade que nos séculos 18 e 19, as grandes cidades do mundo já viam seus habitantes dividindo o espaço das ruas com as carroças e charretes. Porém, na maioria delas, grandes fluxos de pessoas se deslocavam constantemente pelas largas ruas, que não tinham divisões de calçadas.

O engenheiro francês Nicolas-Joseph Cugnot é reconhecido como o criador do primeiro carro, em 1769. Tratava-se basicamente de uma carroça movida a um motor a vapor.

Assim, os veículos a vapor chegaram a ter certa popularidade nas décadas seguintes. Paris, por exemplo, chegou a ter uma frota de ônibus movidos a vapor alimentada por carvão. Porém, outras grandes cidades, como Londres, negaram projetos similares pela grande poluição de fumaça e sonora.

A virada para que a popularização dos carros acontecesse foi a descoberta do motor a combustão. Depois da década de 1850, alguns projetos pelo mundo trabalhavam com a tecnologia, e o modelo se popularizou com a descoberta do potencial do uso do petróleo para alimentar a combustão.

 Benz Patent-Motorwagen, o primeiro dos carros a combustão do mundo. (Fonte: WikimediaCommons/Reprodução)
Benz Patent-Motorwagen, o primeiro dos carros a combustão do mundo. (Fonte: WikimediaCommons/Reprodução)

Ainda no fim do século 19, o engenheiro alemão Karl Benz criou o primeiro carro a utilizar motor a combustão. O veículo, chamado Benz Patent-Motorwagen, era basicamente uma carroça com um motor acoplado e comportava duas pessoas (mas era indicado apenas para uma) e atingia a velocidade máxima de 16 quilômetros por hora (km/h).

Outra curiosidade sobre o veículo é que não havia volante. A direção e a frenagem eram controladas por alavancas que se comportavam de maneira similar ao leme de um barco.

Nesse período, Gottlieb Daimler montou uma fábrica de carros concorrente na Alemanha. Daimler e Benz uniram forças em 1926 e passaram a produzir os carros com o nome de Mercedes-Benz.

Com os veículos se popularizando pela Europa e chegando aos Estados Unidos, foi a vez dos americanos começarem a se aventurar na produção. Assim, uma revolução começou quando Henry Ford fundou a montadora dele e iniciou o conceito de “produção em massa” do Ford T. Em 19 anos, apenas esse modelo da Ford vendeu mais de 15 milhões de unidades.

Adequação das cidades

Após a Primeira Guerra Mundial, os carros a combustão já estavam bastante popularizados pelo mundo. Grandes cidades, como Detroit (EUA), foram pioneiras na implantação da sinalização de trânsito e, na década de 1920, já tinham desenvolvido um semáforo similar ao que é usado atualmente em todo o mundo.

(Fonte: WikimediaCommons/Reprodução)
Detroit em 1920, já dominada por carros. (Fonte: WikimediaCommons/Reprodução)

Com o sucesso dos carros e a multiplicação de fabricantes em todo o mundo, as cidades começaram a se adaptar para abrigar os veículos. Ruas e estradas asfaltadas, separação dos pedestres com o nível das calçadas e as sinalizações horizontais e verticais rapidamente transformaram a paisagem de algumas regiões. O século 20 chegou a ser denominado o “século dos carros”.

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Após um século como protagonista de cidades, os carros a combustão estão, agora, dividindo opiniões. Os problemas de poluição, engarrafamentos e falta de eficácia no transporte estão colocando em xeque a escolha das cidades pelos veículos.

Dessa maneira, diversos países fazem campanhas para substituir os carros a combustão por veículos elétricos ou por outros modais, como o transporte público e a mobilidade ativa.

Ironicamente, é no “coração” do país onde o carro foi inventado que uma das medidas mais radicais vai ser implantada: Paris vai impedir o uso de carros em um raio de 14 quilômetros quadrados em uma das principais regiões da cidade, em que há vários dos maiores pontos turísticos. A proposta entrará em vigor em 2024 e deve fazer que as pessoas redescubram a cidade, além de diminuir a poluição.

Quer saber mais? Confira aqui a opinião e a explicação de nossos parceiros especialistas em Mobilidade.

Fonte: Fluxo consultoria, Toda Matéria, Insta Carro, Mercedes-Benz.

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