O que muda no cenário das cidades após a pandemia?

11 de maio de 2020 4 mins. de leitura

Da atenção com a poluição à preocupação com gases poluentes, muita coisa pode mudar depois que a pandemia passar

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A pandemia do novo coronavírus tem sido responsável por mudar a dinâmica de diversos polos urbanos no planeta. Os constantes alertas da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam uma necessidade de cuidados redobrados com a higiene pessoal e responsabilidade do poder público em criar medidas de contenção do vírus.

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Um dos exemplos disso foi o anúncio no início de abril feito pelo governador de São Paulo, João Dória, que decretou a obrigatoriedade do uso de máscaras no transporte público do estado. Passageiros do metrô, ônibus intermunicipais e ônibus rodoviários fiscalizados pela Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) deverão utilizar o acessório dentro dos veículos.

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Enquanto os órgãos de saúde buscam formas para reduzir os impactos do novo coronavírus na sociedade, a população deve estar preparada para enfrentar mudanças em seu estilo de vida também no período pós-pandemia.

Mudanças de rotina e incentivos a modais alternativos

(Fonte: Pixabay)
(Fonte: Pixabay)

Responsável por causar aglomerações, o transporte público deve ser uma das maiores preocupações das autoridades nos próximos meses. De acordo com um ranking feito pela Companhia de Trens Metropolitanos (CPTM), em 2019, a cidade de São Paulo conta com três das dez linhas de ônibus mais superlotadas do mundo.

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Para evitar a grande concentração de pessoas em horários de pico, Fábio Teodoro de Souza — professor do programa de pós-graduação em Gestão Urbana (PPGTU) da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e especialista em Saúde Pública — sugere que novas estratégias nasçam na área de mobilidade urbana . “A sociedade pode exigir das autoridades competentes urgência em táticas que incentivem diferentes modais de transporte, alternância do início de horário de trabalho e mudança de hábitos”, comentou o professor.

Mobilidade sustentável

Em meio ao isolamento social, diversas cidades no mundo vêm apresentando queda nos índices de Dióxido de Nitrogênio (NO²) na atmosfera, conforme mostraram imagens fornecidas pela NASA e pela Agência Espacial Europeia. O NO², apesar de não ser considerado um gás de efeito estufa, é proveniente das mesmas atividades que geram o Dióxido de Carbono (CO²) e está ligado ao agravamento de quadros de doenças respiratórias, como a asma.

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Um estudo publicado no jornal americano The New York Times demonstrou que indivíduos residentes em áreas com alta concentração de poluição do ar têm maior probabilidade de morrer por epidemias, como a do novo coronavírus. Os gases poluentes liberados na atmosfera têm forte influência no aparecimento de doenças respiratórias que são desenvolvidas mais na população pertencente aos grupos de risco da covid-19.

Como estruturas urbanas podem se tornar hospitais de campanha?

Esse tipo de atenção deve ser uma forte tendência do pós-pandemia, o que poderá mudar substancialmente a estrutura das cidades. Na Bélgica, já existem propostas de pesquisa para estimular o uso de bicicletas e reduzir a utilização do transporte motorizado. Por meio da implantação de coberturas nas ciclovias do país europeu, o governo belga poderia proteger os ciclistas em dias chuvosos ou muito ensolarados.

Projeto da  Universidade Católica de Leuven, na Bélgica. Fonte: Souza, 2020
Projeto do professor visitante Souza na KU Leuven, na Bélgica. (Fonte: Souza, 2020)

Além disso, a cobertura nas ciclovias também poderia servir como espaço para receber dispositivos de utilização pública, como painéis solares, telhados verdes ou até mesmo sistemas de reutilização de água da chuva. “Mundialmente falando, é preciso repensar a legislação sobre a queima de combustíveis fósseis em áreas densamente urbanas e praticar ações para mitigar os efeitos da poluição do ar em doenças respiratórias”, ressaltou Souza.

Fonte: Governo do Estado de São Paulo, European Respiratory Journal, CSSE, Worldometers, NY Times.

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