Pandemia da covid-19 requer trânsito mais seguro

1 de julho de 2020 4 mins. de leitura
Com a quarentena por causa do novo coronavírus, o número de acidentes de trânsito cai, mas a severidade das lesões aumenta

O confinamento para prevenir a rápida propagação da covid-19 afastou pessoas e automóveis das ruas, resultando em um número menor de acidentes de trânsito, de acordo com os dados das autoridades de tráfego de Porto Alegre, Fortaleza, Campinas e Salvador. No entanto, a gravidade das lesões e a proporção de acidentes fatais aumentaram neste período.

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Medidas extras de segurança devem ser reforçadas, principalmente porque a circulação de carros, ciclistas e pedestres deve aumentar enquanto as pessoas tendem a ficar mais afastadas do transporte público.

Um levantamento da Apple, com base na busca de usuários no aplicativo Mapas, mostrou que a redução da mobilidade durante a pandemia foi maior em transportes públicos (78%), mas menor em deslocamentos a pé (51%) e de carro (31%).

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O novo contexto provocado pelo novo coronavírus ajudou a abrir caminho para ampliar o debate sobre como evitar lesões graves e acidentes, bem como as ações diante dessas situações. O aumento dos modos ativos de deslocamento, como andar a pé ou de bicicleta, mostra a necessidade de vias mais seguras para os usuários mais vulneráveis.

Imprudência no isolamento por covid-19

As infrações por excesso de velocidade e a gravidade das lesões em acidentes de trânsito aumentaram durante o confinamento. (Fonte: Shutterstock)

Durante o isolamento, as ruas ficaram vazias e a imprudência na direção aumentou. A prefeitura de Porto Alegre registrou um aumento de 47% nas infrações por excesso de velocidade durante os meses de quarentena, comparados aos mesmos meses de 2019. Em Goiânia, o crescimento das infrações foi ainda maior e chegou a 79%.

No Canadá, Toronto registrou um crescimento de 35%. Em apenas um dia em Nova York, o epicentro da crise sanitária nos Estados Unidos, a quantidade de multas por excesso de velocidade dobrou, a média foi 85% maior em alguns bairros da cidade.

A velocidade é um dos principais fatores de risco e está relacionada diretamente à gravidade das lesões provocadas pelos acidentes. Um automóvel a 30 km/h tem 10% de possibilidade de matar um pedestre ou ciclista caso haja uma colisão. Quando a velocidade sobe para 40 km/h, a probabilidade de óbito sobe para 30% e, a 50 km/h, chega a 85%.

Insegurança no trânsito atrapalha combate à pandemia

A insegurança no trânsito tem um alto custo financeiro e humano. Em todo o mundo, cerca de 1,35 milhão de pessoas perdem a vida no trânsito a cada ano. No Brasil, esses acidentes provocam 33 mil mortes anualmente.

Além disso, as lesões provocadas pelos acidentes pressionam o Sistema Único de Saúde (SUS), geram a necessidade de 231 mil internações em UTIs por ano e têm custo anual de R$ 52 bilhões. Esses leitos ocupados por lesionados no trânsito poderiam ser utilizados por pacientes com a covid-19.

Medidas para promover a segurança

Ruas fechadas para carros, mas abertas para pedestres e ciclistas, aumentam a segurança viária e evitam acidentes durante a pandemia. (Fonte: Jazzmany / Shutterstock)

A adoção de metas e ações para reduzir o número de óbitos em acidentes de trânsito já era preocupação antes da pandemia. No começo do ano, líderes de 140 países se comprometeram a reduzir as mortes no tráfego pela metade até 2030, durante a 3a Conferência Global Ministerial sobre a Segurança no Trânsito.

Os impactos do coronavírus na mobilidade urbana

Uma série de medidas de mobilidade pode ser tomada para promover maior segurança no trânsito, inclusive durante o período de pandemia (desde ações simples, rápidas e baratas até medidas de longo prazo).

A redução dos limites de velocidade em zona urbana para no máximo 50 km/h, como recomenda a Organização Mundial da Saúde (OMS), torna-se fundamental neste momento.

Além disso, a criação de novas ciclovias temporárias e permanentes, a adoção de zonas fechadas para automóveis, entre outras ações, são medidas adotadas em todo o mundo e podem começar a fomentar um novo padrão de desenho viário.

Fonte: WRI Brasil.

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