Qual é a viabilidade dos ônibus elétricos?

13 de abril de 2020 4 mins. de leitura
Como os custos de implantação podem impactar a ascensão dessa proposta

Os custos iniciais com a implantação de ônibus 100% elétricos, com baterias, híbridos ou trólebus são mais altos que com os convencionais a diesel em todo o mundo, ainda que os gastos operacionais dos veículos movidos a eletricidade sejam inferiores aos tradicionais.

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A falta de informação e o alto investimento dificultam tomadas de decisão nos vários estágios de implementação: da avaliação do custo-benefício até a transição de um projeto piloto para uma operação de maior escala.

Segundo estudo publicado pela Agência Nacional de Transportes Públicos (ANTP), entre as principais barreiras que impedem a popularização do veículo elétrico no transporte coletivo do Brasil estão o alto investimento inicial, a aversão ao risco dos operadores em relação a uma nova tecnologia, a dificuldade de revenda dos veículos para cidades menores e a falta de flexibilidade e de experiência operacional.

Ferramenta para calcular custos de ônibus elétricos

Para suprir a escassez de informação, o instituto de pesquisas WRI Brasil criou uma ferramenta para que gestores de cidades brasileiras possam compreender os gastos e os benefícios da implantação do sistema de veículos movidos a eletricidade no transporte público coletivo. O serviço de avaliação de custos e emissões para ônibus de transporte público, conhecido como CEA Tool, serve para que empresas de transporte coletivo e agências públicas possam tomar decisões fundamentadas para determinar a viabilidade de transição para uma frota mais limpa.

O método, desenvolvido em planilha do Microsoft Excel, está sendo utilizado em São Paulo e outras cidades e permite analisar o custo durante a vida útil do veículo, além das emissões de diferentes tipos de veículos para ajudar a conduzir a transição para o transporte limpo. Os tipos de ônibus podem diferir em tipo de combustível, tecnologia utilizada para atingir diferentes padrões de emissões e tamanho do veículo.

Para compor a base de dados da ferramenta, a WRI Brasil trabalhou diretamente com a São Paulo Transporte (SPTrans) e a Agência de Transporte de São Paulo (Artesp) para obter informações operacionais da frota, utilizou dados da cidade de Santiago, no Chile, e de uma extensa revisão de literatura sobre alternativas elétricas, híbridas e outras.

O CEA Tool pode criar cenários para ajudar a encontrar opções de renovação da frota de transporte coletivo rodoviário. A ferramenta mostrou que, para alcançar 100% de redução de emissões de poluentes (CO2, PM e NOX), seria necessária uma frota 98% elétrica e 2% de trólebus em São Paulo. Essa composição também reduziria em 12% os gastos totais em comparação com a renovação da frota usando tecnologias típicas de diesel.

Custos de ônibus elétricos pelo mundo

Um estudo realizado pela Universidade de Columbia, em 2017, estima que os ônibus elétricos em Nova York começaram a ter vantagens econômicas sobre os de diesel após 12 anos de uso, considerando apenas gastos com combustível, energia elétrica e manutenção dos veículos. Caso fosse considerada a economia de gastos na saúde pública, os electric buses em Nova York poderiam se pagar em dois anos.

Shenzhen, na China, anunciou no fim de 2017 a primeira frota de ônibus 100% movida a eletricidade. Com mais de 16 mil veículos, a cidade chinesa tem mais ofertas do que Nova York, Los Angeles, Nova Jersey, Chicago (EUA) e Toronto (Canadá) juntas.
De acordo com estudo realizado em 2016 pelo Banco Mundial e pelo Global Environment Facility, o custo do veículo elétrico na cidade chinesa equivale ao do movido a diesel em 8 anos. Considerando a aquisição, a energia e a manutenção, o veículo elétrico custa US$ 375 mil, enquanto são gastos US$ 342 mil com o modelo a diesel.

No Chile, essa diferença pode ser diminuída em menos tempo; Santiago é a cidade fora da China com a maior frota elétrica de ônibus. O governo chileno espera que o custo de investimento em ônibus elétrico seja igual ao de convencionais em 2022. Atualmente, um veículo elétrico de 12 metros custa em torno de US$ 290 mil, enquanto um veículo a diesel custa US$ 190 mil.

Fonte: Universidade de Columbia, WRI Brasil.

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