Índices de poluição no mundo caem durante isolamento social

11 de maio de 2020 4 mins. de leitura
Redução no setor industrial e queda no número de veículos têm melhorado a qualidade do ar

O novo coronavírus vem causando impactos significativos nos níveis de poluição em todo o mundo. Imagens fornecidas pela NASA e pela Agência Espacial Europeia (ESA) indicam que a redução nas atividades industriais de alguns setores fez com que as taxas de gases poluentes apresentassem diminuição na atmosfera.

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Além da paralisação de diversas atividades econômicas, o isolamento social — principal prática de prevenção à covid-19 — fez com que os polos urbanos registrassem queda nos fluxos de veículos pelas vias e, sobretudo, nos níveis de dióxido de nitrogênio (NO2) na atmosfera.

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De acordo com os registros da Organização Mundial da Saúde (OMS), o NO2 é produzido pelo motor dos carros e por usinas de energia. Na comunidade médica, acredita-se que o dióxido de nitrogênio seja responsável por agravar quadros de doenças respiratórias como a asma.

Queda durante a pandemia

Tudo começou após a OMS classificar oficialmente a situação da covid-19 como pandemia. Depois de o vírus atingir massivamente a cidade de Wuhan, na China, e se disseminar para outras partes do mundo, a entidade disponibilizou uma série de recomendações para conter o avanço da doença.

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Wuhan, inclusive, é uma das cidades que mais registraram redução nos níveis de poluição após adotar medidas severas de confinamento no fim de janeiro de 2020. Lar para 11 milhões de pessoas e sede de centenas de indústrias fornecedoras de peças para o mercado automotivo, o local apresentou taxas até 30% menores de emissão de NO2 em comparação com 2019.

(Fonte: Pixabay)
(Fonte: Pixabay)

Na Europa, a Itália foi um dos primeiros países com queda nos índices de poluição da atmosfera. A região da Lombardia, no norte do país, que se tornou epicentro do surto de covid-19, também é conhecida pelo acúmulo de agentes poluentes que ficam presos nos Alpes, vindos da fumaça produzida pelas indústrias.

Segundo o serviço de monitoramento da atmosfera Copernicus, do Centro Europeu de Previsão Meteorológica de Médio Prazo, os níveis de emissão de dióxido de nitrogênio chegaram a cair 40%.

Brasil segue tendência mundial

Os dois maiores centros urbanos do Brasil também tiveram queda nos níveis de produção de NO2 após as primeiras semanas de isolamento social. A Região Metropolitana de São Paulo, um dos principais polos industriais do País, teve diminuição de 33% nas emissões de dióxido de nitrogênio, segundo pesquisa do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen).

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O documento também registrou que nas áreas da Marginal Tietê e do viaduto para Santana do Parnaíba, onde ainda prevalece tráfego intenso de caminhões e veículos de transporte de cargas, os índices seguem elevados.

No Rio de Janeiro, algumas regiões obtiveram marcas expressivas na qualidade do ar após adotarem o isolamento social desde as primeiras semanas de março. O Distrito Industrial de Santa Cruz, no oeste do estado, teve queda de 77% na concentração de NO2 na atmosfera, conforme apontou o Instituto Estadual do Ambiente (Inea).

Riscos à saúde

(Fonte: Pixabay)
(Fonte: Pixabay)

Apesar de não ser considerado oficialmente um gás de efeito estufa, o dióxido de nitrogênio é proveniente das mesmas atividades que mais liberam o dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, um dos principais agentes do aquecimento global nos últimos anos.

Em meio à pandemia do novo coronavírus, os altos índices de poluição e a queda na qualidade do ar podem representar mais um risco: aumento da letalidade da doença. A Aliança Europeia de Saúde Pública já trabalha com a possibilidade de a poluição do ar contribuir para que um paciente infectado tenha menores chances de sobreviver.

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A covid-19 ataca principalmente os pulmões e as vias respiratórias, por isso tem nos fumantes um dos seus grupos de risco. Em cidades onde as taxas de poluição são elevadas, é comum que os cidadãos tenham parte da capacidade pulmonar comprometida e, consequentemente, tornem-se alvos maiores para o vírus.

Fonte: Estadão, The Guardian

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