Riquixás podem ser alternativa de transporte durante a pandemia

21 de setembro de 2020 4 mins. de leitura
Abertos e seguros, os veículos se tornaram uma opção interessante para deslocamentos rápidos em meio à crise do coronavírus

Com a pandemia de covid-19 e a necessidade de distanciamento social, ônibus e metrôs precisaram diminuir a capacidade de passageiros. Além disso, muitas pessoas estão com medo de entrar em veículos fechados lotados e se contaminarem.

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Por um lado, a mobilidade ativa está recebendo cada vez mais incentivos de autoridades em todo o mundo; por outro, muita gente está voltando a utilizar automóveis particulares, o que preocupa os planejadores urbanos. A solução para esse dilema pode estar em uma tecnologia simples e existente há séculos: os riquixás. Também conhecidos como tuk-tuks, esses veículos são quase onipresentes na Índia e muito associados à cultura do país, porém são pouco utilizados no Ocidente.

A novidade é que eles estão sendo cada vez mais procurados em diversas cidades dos Estados Unidos como uma alternativa de mobilidade segura e sustentável para o atual momento. Isso porque eles são totalmente abertos, então o risco de contaminação pela covid-19 é muito menor do que em ônibus ou trem, mas não exigem que a pessoa pedale ou caminhe até o destino, já que a maioria dos riquixás modernos tem motores elétricos. Por isso, também são uma opção viável para deslocamentos mais longos e pessoas com mobilidade reduzida.

Tuk-tuks são abertos e podem transportar até seis passageiros em segurança (Fonte: Jacksonville Transport Authority/Divulgação)
Tuk-tuks são abertos e podem transportar até seis passageiros em segurança. (Fonte: Jacksonville Transport Authority/Divulgação)

Riquixás são mais do que atração turística

Entre as cidades norte-americanas que adotaram os tuk-tuks elétricos como veículo de transporte público está Jacksonville, na Flórida. A autoridade local contratou a empresa Go Tuk’n, que já oferecia o serviço para turistas, para fazer dois trajetos entre bairros próximos ao centro do município.

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Um assento no tuk-tuk custa US$ 2 e pode ser reservado pelo aplicativo próprio do serviço. Cada veículo consegue levar até seis passageiros, que se deslocam em uma cabine completamente aberta e ficam fisicamente separados do motorista. Os modelos usados nos EUA têm motores elétricos, embora na Índia versões com pedal também sejam bastante comuns. O serviço, batizado de Tuk ‘n Ride, começou a funcionar em meados de julho.

Transporte público com riquixás começou a operar em julho, em Jacksonville (Flórida)
Transporte público com riquixás começou a operar em julho na Flórida. (Fonte: Jacksonville Transport Authority/Divulgação)

Para as autoridades locais, a alternativa não apenas vai ajudar a diminuir a lotação no transporte público como também beneficiar os comércios do centro da cidade, já que mais pessoas poderão se deslocar para fazer compras. A empresa afirma que essa é uma oportunidade de ver os pequenos veículos elétricos como uma opção séria para a mobilidade nos grandes centros urbanos — o que os tuk-tuks são na Índia, de fato, transportando milhões de pessoas todos os dias.

A CEO da Go Tuk’n, Stephanie Dale, acredita que os riquixás podem substituir os automóveis principalmente em trajetos até as áreas centrais. “Nós cobrimos distâncias que não são caminháveis e podemos entrar em vielas que os ônibus não conseguem acessar facilmente”, afirmou ela ao portal Smart Cities Dive.

Como fica a mobilidade em Paris com o fim da quarentena?

No Brasil, há serviços similares em algumas cidades. Em 2020, a Uber começou a oferecer tuk-tuks em Vitória (ES), mas, de maneira geral, os veículos ainda são pouco comuns no País.

Fonte: Next City, Smart Cities Dive

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