Trem que fará SP-Rio em 25 minutos pode chegar ao Brasil em 2025

6 de março de 2020 5 mins. de leitura
Com tecnologia inovadora e velocidade de até 1.100 km/h, o Hyperloop poderá reduzir tempo e custos com deslocamento

Desde 2013, são frequentes as menções ao lendário Hyperloop, um tipo de trem que pode chegar a 1.100 quilômetros por hora. Na última segunda-feira (02), Dirk Ahlborn, CEO da Hyperloop Transportation Technologies, que está implementando o conceito em operações comerciais, anunciou que pretende trazer a tecnologia para o Brasil até 2025.

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A ideia é oferecer uma rota que ligue as cidades do Rio de Janeiro (RJ) e de São Paulo (SP) em apenas 25 minutos — isso corresponde à metade do tempo gasto de avião.

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A HyperloopTT já está em negociação com possíveis parceiros comerciais no País e tem planos para Curitiba (PR), capital conhecida por suas soluções inovadoras de mobilidade.

Os primeiros investimentos devem começar daqui a cinco anos, mas não foram divulgadas previsões para o início das operações comerciais. Embora a rota SP-RJ seja uma das mais movimentadas do Brasil e por isso atraente para investimentos, o Hyperloop deve ser implementado primeiramente em trajetos mais curtos e de fácil construção, como SP-Campinas.

Hyperloop: um sonho possível

No conceito criado por Elon Musk, os passageiros são transportados em cápsulas que ficam suspensas no ar por magnetismo, algo já visto em trens de alta velocidade. A diferença é que, em vez de em trilhos, as cápsulas do Hyperloop se deslocariam em tubos com baixa pressão atmosférica. O vácuo criado faria com que elas encontrassem pouca resistência para ganhar velocidade, alcançando até 1.100 km/h.

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A pouca resistência também faria com que as cápsulas necessitassem apenas de um pouco de energia elétrica para entrar em movimento. Depois disso, os ímãs e o impulsionamento do ar se encarregariam de mover os passageiros, o que permitiria que os sistemas Hyperloop utilizassem fontes renováveis.

Nos planos da HyperloopTT estão instalar células solares em toda a extensão dos tubos, que, naturalmente, ficariam acima da terra. Em última instância, é possível imaginar que o trem devolveria energia para o sistema em vez de sobrecarregá-lo.

Histórico

Ao criar o conceito do Hyperloop, Musk abriu a propriedade intelectual da proposta e encorajou diversos estudantes e empresas a trabalharem nela. Duas companhias têm saído na frente.

A primeira é a Virgin Hyperloop One, fundada em 2014, que recebeu vultosos investimentos do bilionário britânico Richard Branson. A Virgin já fez testes funcionais em desertos nos Estados Unidos e pretende lançar a primeira aplicação comercial de seu Hyperloop para o público já em 2021.

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A segunda empresa interessada é a americana HyperloopTT, do investidor Dirk Ahlborn, que pretende tornar a tecnologia acessível aos brasileiros. O CEO já afirmou a diversos veículos de comunicação que o País está no radar para a próxima rodada de investimentos, além de ter revelado que a equipe já está em negociações com possíveis parceiros locais.

(Fonte: Hyperloop Transportation Technologies/Facebook)

Duas problemáticas podem surgir com a possibilidade da implantação do veículo. A primeira diz respeito à segurança de um deslocamento a 1.100 km/h acima do solo. Sobre isso, a Virgin Hyperloop One é categórica em afirmar que as mesmas preocupações surgiram em relação aos aviões quando eles se popularizaram, mas hoje milhões de pessoas os utilizam sem temor.

Para garantir a segurança do sistema, serão aplicadas tecnologias que envolvem materiais extremamente resistentes para revestimento dos tubos, que ficariam a uma altura segura do chão, com certa flexibilidade para responder a possíveis alterações na superfície, como terremotos.

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Caso as estruturas se rompessem, os especialistas afirmam que a entrada de ar faria com que as cápsulas fossem parando gradativamente. Mesmo assim, os projetos preveem vedações adicionais para que trechos funcionassem separadamente, bem como houvesse sistemas de alimentação adicionais (além do vácuo) e saídas de emergência para as estruturas.

(Fonte: Hyperloop Transportation Technologies/Facebook)

A segunda preocupação é se, de fato, as viagens de Hyperloop serão uma opção acessível para a maioria das pessoas; afinal, a promessa de integração entre cidades facilmente cairia por terra se ninguém puder pagar pelo deslocamento. O trem não tem custos de implantação tão diferentes dos de uma linha de metrô: são US$ 40 bilhões (em torno de R$ 180 bilhões) por quilômetro, enquanto um metrô custa entre R$ 150 bilhões e R$ 200 bilhões no Brasil, de acordo com dados do Banco Mundial divulgados pelo Senado brasileiro.

Pelas contas de Musk, uma viagem entre San Francisco e Los Angeles (por volta de 600 quilômetros) custaria em torno de US$ 20 (aproximadamente R$ 90 reais). Para efeito de comparação, a distância entre São Paulo e Rio de Janeiro é de 435 quilômetros, e uma viagem, de ônibus ou avião, custa pelo menos R$ 150 ou R$ 200.

Fonte: The B1M, Senado e Tecmundo

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