4 iniciativas urbanas que contribuem para os ODS da ONU

18 de março de 2021 4 mins. de leitura
Entenda por que os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável são importantes e conheça iniciativas de mobilidade urbana sustentável que contribuem com eles

Talvez você já tenha visto uma obra ou política pública ser paralisada em meio à troca de gestão. Quando as iniciativas são governamentais, e não estaduais, tendem a responder a necessidades parciais, de curto prazo e orientadas por um fluxo eleitoral.

Se é possível vislumbrar o problema disso em uma prefeitura, o que dizer do impacto dessa descontinuidade no nível planetário? Como resposta a isso, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) criou os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

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São 17 eixos temáticos atemporais em torno dos quais devem ser construídas políticas de médio e longo prazos com o intuito de enfrentar os principais gargalos sociais, econômicos e climáticos da atualidade no mundo. 

Conheça algumas iniciativas de mobilidade urbana sustentável que colaboram para atender aos ODS.

Iniciativas para construir cidades e comunidades sustentáveis

A meta 11 tem íntima relação com a mobilidade urbana. (Fonte: UFMS/reprodução)
A meta 11 tem íntima relação com a mobilidade urbana. (Fonte: UFMS/reprodução)

Conheça as principais metas e algumas iniciativas que trabalham sob seus eixos.

1. Até 2030, garantir o acesso de todos à habitação segura, adequada e a preço acessível, e aos serviços básicos e urbanizar as favelas

Uma iniciativa interessante vem da Índia, onde o governo criou um concurso em que as cidades poderiam inscrever projetos e receber financiamentos. Uma das vencedoras foi Pune, cujos objetivos passam por mobilidade, eficiência energética, reflorestamento, revitalização de favelas, tecnologia digital e capacitação de jovens mais vulneráveis.

Um exemplo de ação simples, barata e funcional é a iluminação pública com lâmpadas de LED em regiões pobres. Trata-se de uma solução urbana inteligente e sustentável, monitorada por um centro de controle, a fim de criar bairros mais claros e seguros, o que é importante para a mobilidade a pé. Isso é especialmente relevante em um país que tem uma das maiores taxas de estupro do mundo.

2. Até 2030, proporcionar o acesso a sistemas de transporte seguros, acessíveis, sustentáveis e a preço acessível para todos, melhorando a segurança rodoviária por meio da expansão dos transportes públicos, com especial atenção para as necessidades das pessoas em situação de vulnerabilidade, mulheres, crianças, pessoas com deficiência e idosos

Curitiba é uma das poucas cidades brasileiras com BRT padrão ouro. (Fonte: Wikimedia/Reprodução)
Curitiba é uma das poucas cidades brasileiras com BRT padrão ouro. (Fonte: Wikimedia/Reprodução)

Em Curitiba (PR), o sistema de transporte de ônibus de trânsito rápido (BRT) substituiu a necessidade de metrôs em uma capital cuja população passa de 2 milhões de habitantes. Estações-tubo localizadas nos principais eixos da cidade permitem que as pessoas se desloquem com facilidade e relativa rapidez. Embora haja muitas paradas, há ônibus de cinco em cinco minutos, em média.

Outro destaque vai para a acessibilidade: pessoas com dificuldade de locomoção acessam as estações-tubo por uma plataforma que as coloca no nível do veículo, permitindo embarque e desembarque rápidos.

3. Até 2030, reduzir o impacto ambiental negativo per capita das cidades, inclusive prestando especial atenção à qualidade do ar, gestão de resíduos municipais e outros

Em 2017, o governo chileno publicou uma Estratégia Nacional de Eletromobilidade com o objetivo atender aos ODS. O documento foi responsável por criar metas específicas e viabilizá-las por meio de um consórcio para a aquisição de uma frota elétrica de ônibus.

Desde então, a capital Santiago tem sido uma referência no assunto. A estratégia pretende que pelo menos 40% dos carros particulares e 100% dos veículos de transporte público sejam movidos a eletricidade até 2050.

4. Apoiar relações econômicas, sociais e ambientais positivas entre áreas urbanas, peri-urbanas e rurais, reforçando o planejamento nacional e regional de desenvolvimento

As cidades circulares são um exemplo de como integrar economia e meio ambiente em uma lógica construtiva. Berlim (Alemanha) e Malmö (Suécia), são exemplos de municípios que operam com esse conceito. A ideia é incluir a natureza na construção urbana e vice-versa.

Terraços e fachadas verdes e árvores urbanas auxiliam no armazenamento de água, diminuem o efeito do aquecimento das cidades, melhoram a qualidade do ar e geram uma biodiversidade mais rica no entorno. Além disso, aposta-se no desenvolvimento sustentável como princípio: muitos recursos podem ser reaproveitados, diminuindo a poluição e gerando renda.

Assim, em vez de serem um problema ambiental e logístico, os resíduos ganham status de matéria-prima para novos produtos.

Fonte: OSD Brasil, UFMS

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