6 passos para estimular trajetos a pé nas cidades

26 de maio de 2021 4 mins. de leitura
Mudanças e adaptações essenciais para favorecer a caminhabilidade

A urbanização tornou a caminhabilidade mais difícil e perigosa. Com a industrialização acelerada e focada na produção de automóveis, as cidades se moldaram a eles. O resultado? Milhões de pedestres mortos em acidentes de trânsito. 

É por isso que a mobilidade a pé merece uma atenção especial nas políticas de mobilidade urbana, sobretudo em um cenário onde a mobilidade ativa tem sido incentivada em prol de um planeta mais sustentável.

O conceito de caminhabilidade é proveniente do termo em inglês walkability e usado para atribuir valor aos recursos que favorecem o trajeto a pé, entre eles: acessibilidade, a presença de árvores, atratividade das vias, permeabilidade e segurança. Conheça seis formas de fomentar trajetos a pé nas cidades.

1. Fiscalização de veículos

Motoristas devem ter regras para conviver em harmonia no espaço das cidades. (Fonte: Pixabay)
Motoristas devem ter regras para conviver em harmonia no espaço das cidades. (Fonte: Pixabay)

O controle de automóveis é um dos passos primordiais para garantir a segurança de quem anda por cidades movimentadas. Essa é uma das reivindicações feitas pela Associação pela Mobilidade a Pé em São Paulo (Cidadeapé) a partir da Visão Zero: defesa da ideia de que nenhuma morte no trânsito é aceitável.

2. Legislação específica

Pessoas que preferem andar precisam se localizar com facilidade. (Fonte: Pexels)
Pessoas que preferem andar precisam se localizar com facilidade. (Fonte: Pexels)

Outra mudança proposta pelo Cidadeapé é a de que pedestres devem contar com sinalizações direcionadas exclusivamente a eles, bem como informações visíveis para todos. Isso porque elas reduzem a energia gasta com localização e tornam o deslocamento menos cansativo e demorado.

3. Beleza que convida a andar

Estética urbana faz a diferença na hora de escolher o meio de transporte. (Fonte: Pixabay)
Estética urbana faz a diferença na hora de escolher o meio de transporte. (Fonte: Pixabay)

Em Copenhague, capital da Dinamarca, a saída foi apostar na estética. Com fachadas assinadas pelo arquiteto Jan Gehl, as ruas da cidade se tornam convidativas e favorecem a caminhabilidade de mulheres, crianças e idosos para fazer rotas semelhantes às que seriam de carros ou motos.

4. Tempo de deslocamento

Em 2012, uma equipe da Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo realizou uma visita técnica em Nova York com objetivo de entender medidas usadas para incentivar o deslocamento por pedestres. Uma delas foi o tempo de espera no sinal: enquanto lá, ele chegava a, no máximo, 50 segundos, aqui a espera durava até 130.

Já em 2013, a cidade ganhou uma faixa de pedestres em X. Inspirada em modelos de Tóquio, ela permite a passagem por cruzamentos com deslocamento menor e mais rápido.

5. Exclusividade para pedestres

Projetos com foco na caminhabilidade devem priorizar vias exclusivas. (Fonte: Pixabay)
Projetos com foco na caminhabilidade devem priorizar vias exclusivas. (Fonte: Pixabay)

Por conta da preferência dada aos carros nos projetos de cidades, as calçadas se tornaram estreitas para dar espaço às vias expressas. A forma encontrada para reverter essa dinâmica é criar faixas no asfalto exclusivas para quem realiza trajetos a pé, como foi feito no Bairro da Liberdade, em São Paulo, onde há fluxo intenso de pessoas.

6. Acessibilidade é prioridade

Estratégias de acessam dão dignidade a cidadãos prioritários. (Fonte: Pixabay)
Estratégias de acessam dão dignidade a cidadãos prioritários. (Fonte: Pixabay)

No planejamento urbano, idosos e pessoas com deficiências têm prioridade. Por conta das dificuldades apresentadas, é preciso criar estratégias de acessibilidade para garantir a mesma dignidade a todos. Calçadas maiores e com piso tátil, semáforos adaptados, rampas e apoio à mobilidade inclusiva são algumas delas.

Melhorias com foco no deslocamento a pé têm apenas vantagens: evitam riscos de doenças relacionadas ao sedentarismo, melhoram a qualidade do ar e ainda incentivam a convivência entre moradores.

Fonte: CET, Cidadeapé, Cidades de Pedestres, Goddard Nasa.

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