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4 casos de segregação socioespacial no Brasil

17 de abril de 2023 5 mins. de leitura
Entenda como a segregação socioespacial pode acentuar a desigualdade em diferentes perspectivas

Em meio ao processo de desenvolvimento das cidades, a composição das ruas e das habitações está intrinsecamente ligada ao crescimento populacional, de modo que, quando a ocupação dos espaços ocorre sem coordenação, acaba dando margem a fenômenos que caracterizam a desigualdade presente entre diferentes estratos, como a segregação socioespacial.

Além de se estabelecer como uma espécie de divisão geográfica, ela acaba se refletindo na disposição das redes de transporte e de serviços, resultando tanto em maiores dificuldades de deslocamento da população com menor acesso à renda quanto em problemas na infraestrutura de forma geral.

A partir disso, áreas de grandes dimensões ficam marginalizadas mesmo quando situadas no interior de grandes centros urbanos, prejudicando a qualidade de vida da população afetada pelo fenômeno.

Confira como quatro casos de segregação socioespacial no Brasil se apresentam com diferentes nuances.

1. Santos (SP)

(Fonte: Getty Images/Reprodução)
Porto de Santos atuou como agente transformador na cidade, dinamizando a economia da região e contribuindo com a especulação imobiliária. (Fonte: Getty Images/Reprodução)

Santos apresenta elementos que caracterizam, de forma geral, muito daquilo que é observado no processo de segregação socioespacial, com construções precárias em áreas de risco, sendo fruto do empobrecimento das famílias e da impossibilidade de habitação em bairros com melhores condições.

Além disso, com o crescimento promovido pelo Porto de Santos, o processo de gentrificação, reforçado pela especulação imobiliária e pelo turismo, acabou afastando do interior da cidade a população com menor acesso à renda a partir dos anos 1990.

Assim, com a constante valorização dos terrenos e da concentração de renda, o acesso às áreas mais nobres e com localização privilegiada ficou restrito. Com isso, a população que se deslocou para a região metropolitana e trabalha em Santos, prejudicada pela dinâmica, enfrenta diariamente maior tempo de deslocamento entre as cidades.

2. Manaus (AM)

(Fonte: Getty Images/Reprodução)
Ocupação da população na região da depressão do Rio Amazonas é um dos casos de segregação socioespacial do Brasil. (Fonte: Getty Images/Reprodução)

Em Manaus, a ocupação da cidade, somada à geografia, tem atuado na polarização das desigualdades. Isso porque a expansão das áreas urbanas acompanhou o curso dos rios, de modo que regiões ocupadas estão situadas em altitudes mais baixas, sendo suscetíveis a alagamentos, sobretudo nos períodos de cheia.

Esse cenário de vulnerabilidade, ao mesmo tempo que afeta a infraestrutura existente, provoca o agravamento dos problemas sociais enfrentados pela população, caracterizando a segregação socioespacial.

No ranking do saneamento divulgado pelo Instituto Trata Brasil em 2022, Manaus ocupa a 12ª pior posição entre os cem maiores municípios brasileiros, com apenas 21,95% do esgoto coletado. Ainda assim, a cidade tem apresentado elevação da taxa de crescimento, passando de 1.802.014 habitantes (Censo 2010) para 2.054.731 habitantes (Prévia Censo 2022).

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3. Recife (PE)

(Fonte: Getty Images/Reprodução)
A forma como a ocupação das cidades se deu acabou configurando a segregação socioespacial. (Fonte: Getty Images/Reprodução)

Assim como em outras cidades, a dualidade está presente em Recife, com parte da população marginalizada excluída dos privilégios e das ocupações valorizadas, sobretudo nas áreas centrais, o que reforça o papel da distância como uma barreira no acesso a oportunidades de emprego e serviços públicos.

Esse processo, iniciado há décadas, é reflexo da apropriação de terras, fazendo que a cidade se desenvolvesse em meio à verticalização das habitações em áreas valorizadas por aqueles que detêm mais renda, acentuando a desigualdade socioeconômica. Assim como ocorrido em Santos, a dinâmica repeliu parte da população para a região metropolitana.

A parcela prejudicada da população, afetada também pela favelização, tem acesso restrito ao saneamento básico. Os efeitos ainda podem ser percebidos na educação: segundo o Censo 2010, os indicadores da região metropolitana de Recife apontam que, entre a população acima de 18 anos, 40% têm formação incompleta até o Ensino Fundamental.

4. Rio de Janeiro (RJ)

(Fonte: Getty Images/Reprodução)
Ocupação das áreas de curso acidentado coloca a população em risco. (Fonte: Getty Images/Reprodução)

No Rio de Janeiro, o relevo contribui para tornar a segregação socioespacial ainda mais evidente, uma vez que a cidade apresenta morros espalhados em diferentes porções, sendo em muitas dessas áreas de relevo acidentado onde a população com menor acesso a renda vive exposta ao risco de deslizamentos. Ao mesmo tempo, muitas se encontram próximas das regiões mais nobres.

Além disso, merece destaque o fato de que as diferentes transformações vivenciadas acabaram gerando crise na mobilidade urbana, afetando quem está mais afastado das áreas centrais. Como responsáveis por isso é possível apontar o desequilíbrio de modais e o crescente número de automóveis destinados ao transporte individual, aumentando substancialmente o tempo de deslocamento.

Fonte: Observatório das Metrópoles, Unicamp, Revista Brasileira de Estudos Regionais e Urbanos, Câmara dos Deputados

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