5 princípios para uma educação de trânsito efetiva

5 princípios para uma educação de trânsito efetiva
Na Europa, entidades públicas e privadas têm pensado em soluções para que o trânsito seja tema de discussão desde a escola

Junto ao crescimento das cidades, a questão do transporte urbano e a de como acessar as ruas ganham importância. Porém, para além de planos diretores que são responsáveis pelo planejamento formal dos municípios, a agenda de mobilidade precisa ser pensada de outro ponto de vista, com uma educação específica.

Esse tema tem-se mostrado fundamental porque, diante de problemas urbanos e de questões ambientais, é importante que cidadãos e organizações mudem de comportamento. Por isso, campanhas oriundas do poder público e também de entidades privadas cumprem um papel na garantia da segurança e em formas mais saudáveis de ocupar e compartilhar o espaço viário.

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Dois exemplos ilustram a importância de educar cidadãos para o trânsito. O primeiro vem de Londres: a capital inglesa adotou a taxação de congestionamentos em 2003. A política deu certo: a ciclomobilidade mais que triplicou na área central, além de haver um aumento no uso de transporte coletivo.

No entanto, os números de acidentes com ciclistas também aumentou: ainda que por pouco tempo e em uma incidência proporcionalmente pequena, o fenômeno indica que quem pedala por lazer não necessariamente sabe pedalar em vias compartilhadas com carros e ônibus.

(Fonte: Shutterstock)

O outro exemplo é brasileiro. Há três anos, São Paulo enfrentou uma séria polêmica a respeito da velocidade nas vias marginais aos rios Pinheiros e Tietê. Conhecidas por serem os principais condutores viários da maior cidade brasileira — norte-sul e leste-oeste —, ambas tiveram a velocidade máxima aumentada no início de 2017. Poucos meses depois, foi possível mensurar um aumento de 60% nos acidentes de trânsito, uma vez que a tolerância provocou uma conduta no volante menos prudente.

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O principal desafio desses casos é superar a cultura de um trânsito centrada no carro e apostar em modelos mais sustentáveis, orientados por uma preocupação coletiva. Esse é um dos motivos pelos quais o trânsito deve receber uma política de educação e formação específicas, centradas na vida dos cidadãos e com promoção de saídas concretas.

A educação para a mobilidade, portanto, não deve ser uma carta de princípios desconectada da realidade social. Não é resolutivo, por exemplo, defender que trabalhadores residentes em áreas desabastecidas por transporte coletivo abram mão de seus carros.

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Isso mostra que é fundamental que haja uma forma de diálogo com os cidadãos desde cedo, construindo uma agenda social que responda pelas condições concretas em cada região e que esse tema se converta em uma variável importante no cotidiano das pessoas desde a infância.

(Fonte: Shutterstock)

Buscando elencar os principais pontos que devem nortear uma formação efetiva, a Fundação Mapfre, o Conselho Europeu de Transporte Seguro e a Fundação Flamenca para o Conhecimento Viário elaboraram o documento Princípios-chave para a segurança de tráfego e educação para a mobilidade. Que tal conhecer um pouco desses princípios?

1. Segurança de tráfego e educação para mobilidade como direitos

O primeiro eixo do documento refere-se ao fato de que o poder público e as organizações responsáveis devem considerar o trânsito seguro e a educação em mobilidade como direitos do cidadão. Diante disso, esses tópicos devem constar nos currículos escolares de forma contínua e progressiva, com financiamento específico e suficiente para o tema.

O documento prevê também que o plano de educação para a mobilidade deve ter metas estratégicas, táticas e operacionais, de forma que desmembre a agenda da mobilidade em ações que se somem.

2. Envolver e apoiar a gestão escolar

O documento estabelece ainda que é necessário envolver e apoiar a gestão escolar para que essa temática seja introduzida no currículo. Para isso, as entidades de trânsito devem motivar a gestão das escolas a adotar uma política de segurança e estimular a nomeação de um professor para os assuntos de trânsito na instituição de ensino, responsável por formar alunos e demais professores, bem como elaborar conteúdos alinhados à realidade da comunidade.

3. Assegurar educação de alta qualidade

Segundo o documento, é necessário garantir a qualidade da educação para a mobilidade, abordando conhecimentos, habilidades, atitudes e motivações, assim como treinamento periódico.

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Para isso, é importante manter o conteúdo atualizado e parametrizado por padrões de qualidade, usando testes, processos e avaliações de resultados — sugere-se que a escola avalie os alunos e permita a eles a autoavaliação.

4. Facilitar as condições estruturais

O documento prevê ainda a necessidade do uso de materiais interdisciplinares como um meio para ensinar sobre segurança e mobilidade, assim como treinamentos e atualizações que garantam um acompanhamento do assunto.

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Deve-se sublinhar que esse princípio tem um objetivo de longo prazo, que, além disso, pode não ser facilmente implementado ou alcançado. Por isso, é oportuno que as escolas troquem experiências entre si de forma a fazer desse campo uma construção coletiva, assim como outras áreas educacionais já o fazem.

5. Envolver a comunidade escolar

O último item do documento refere-se ao engajamento de toda a comunidade escolar: alunos, professores, pais, funcionários e outros membros que podem estar envolvidos na cooperação comunitária em prol de um trânsito mais seguro.

Isso significa não apenas os tornar só participantes, mas sim protagonistas, sobretudo em relação aos alunos. Se eles puderem participar do planejamento das atividades de educação em segurança no trânsito nas escolas será mais fácil conectar o que aprenderam na escola a situações reais de trânsito.

Fonte: Key Principles for Traffic Safety and Mobility Education, Circula Seguro.

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