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Brasileiros gastam até 20% do orçamento com transporte público

5 de julho de 2023 4 mins. de leitura
Pesquisa de companhia alemã divulga dados do custo do transporte público em diferentes países

Deslocar-se com o transporte público nunca foi tão caro para o brasileiro. Quem depende de salário mínimo pode chegar a gastar 20% do rendimento com os transportes.

A companhia alemã Numbeo realiza o levantamento do custo de vida em diversas cidades ao redor de todo o mundo, e as informações não são animadoras para os brasileiros. O País ocupava a 55º posição do ranking de tarifas de transporte público mais caras em 2020, agora avançou para a 49ª.

Média de gastos com transporte

A colocação pode dar a falsa sensação de que a passagem é barata, mas quando é levado em consideração o salário médio, o panorama real aparece. Amsterdã, na Holanda, tem um dos bilhetes mais caros do mundo, em média 3,20 euros, porém a renda média é de 3.564 euros, o que gera um gasto mensal de transporte de cerca de 4% do salário.

Segundo relatório da Oxfam, o salário médio no Brasil em 2022 foi de R$ 2.540, enquanto o custo médio do transporte foi de R$ 4,80. Com estes números, quem recebe o salário médio e usa duas passagens por dia pode comprometer 11% do orçamento.

O problema é maior para quem vive com o salário mínimo, de R$ 1.320, e para quem mora em capitais e regiões metropolitanas, onde as tarifas são mais caras. Nestes casos, o custo do transporte fica entre 15% a 20% do orçamento mensal. A situação é mais cruel para famílias maiores com apenas um rendimento.

Em 2023, muitas capitais aumentaram significativamente o preço das passagens. Em Belo Horizonte (MG), o aumento foi de 35%. A capital mineira tem, juntamente com Curitiba (PR), Porto Velho (RO) e Florianópolis (SC) , o bilhete mais caro do País, de R$ 6,00.

Passagem de Curitiba está entre as mais caras do País. (Fonte: Getty Images/Reprodução)

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Transporte público em crise

O aumento da passagem em todo País foi verificável principalmente após o início da pandemia de covid-19. Os efeitos do conflito entre Rússia e Ucrânia e a indexação do preço do petróleo da Petrobras ao preço internacional em dólar também afetaram as passagens. As duas últimas situações foram mais desastrosas para um setor que depende fortemente de ônibus movidos à gasolina e diesel.

O aumento de preços, as regras de distanciamento e o fechamento temporário de empresas e comércios levaram o sistema público de transporte brasileiro à beira de um colapso. Segundo a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), entre 2020 e 2023, a perda financeira estimada no setor foi da ordem de R$ 36 bilhões.

Mesmo com a retomada das atividades normais, o nível de passageiros não voltou ao normal. Segundo a NTU, o nível de passageiros atualmente é de 82,8% do que era no período de pandemia. O crescimento do home-office, o aumento de preços e a competição com aplicativos de transporte são algumas das justificativas para a dificuldade em retomar o volume anterior de usuários.

Além dos ônibus, as redes sobre trilhos do Brasil também não recuperaram o número de passageiros pré-pandemia. Metrôs, trens, VLTs e monotrilhos do País tiveram uma queda de demanda de 43% em relação a 2019.

Metrôs brasileiros perderam passageiros desde a pandemia. (Fonte: Getty Images/Reprodução)

Futuro preocupante para o setor

Os dados de aumento das passagens e de perda do número de passageiros no transporte público são preocupantes para uma mobilidade urbana sustentável. Com boa parte dos usuários migrando para os aplicativos de transporte, o número da frota particular cresce, aumentando congestionamentos e poluição. Soma-se a isso o fato de que a eletrificação da frota veicular brasileira anda a passos muito lentos, com os preços exorbitantes dos veículos e da taxa de juros.

As melhores experiências de mobilidade urbana mostram que é preciso que existam vários modais de transporte coletivo, com qualidade e segurança, para atrair usuários. Com passagens caras e serviço que deixa a desejar nos quesitos conforto, lotação e pontualidade, dificilmente o transporte público brasileiro recuperará a taxa de usuários de anos anteriores.

Fontes: Numbeo, Mobilize, Carta Capital, Itatiaia

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