3 transformações urbanas decorrentes da covid-19

8 de julho de 2020 4 mins. de leitura
A pandemia provocou transformações nos deslocamentos urbanos que podem se consolidar como caminhos para uma mobilidade sustentável

A quarentena provocada pelo coronavírus mudou radicalmente o cenário das ruas na maior parte das cidades do mundo e certamente vai causar transformações perenes na mobilidade urbana.

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Nas regiões onde já foi possível retomar parte das atividades, intervenções na forma de se deslocar estão sendo implementadas para evitar um novo crescimento dos casos. Muitas ações estão sendo realizadas de forma experimental, mas podem se tornar estratégias efetivas a longo prazo, caso apresentem resultados positivos.

1. Novas ciclovias

Barreiras protegem ciclistas em ciclovias temporárias de Bogotá (Fonte: Movilidad Bogotá)
Barreiras protegem ciclistas nas ciclovias temporárias em Bogotá. (Fonte: Movilidad Bogotá)

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda o uso da bicicleta durante a pandemia, por ser o veículo mais seguro para os deslocamentos nesse período. Muitas cidades aproveitaram o momento para acelerar as ações de promoção à mobilidade ativa, com a criação de novas ciclovias no intuito de fomentar uma retomada das atividades com segurança.

Lima decidiu adicionar 301 quilômetros à sua rede cicloviária de forma temporária, mas que podem ser implementados de forma definitiva posteriormente. Na Europa, Paris anunciou 650 quilômetros de ciclorrotas para permitir a reabertura da cidade.

Como uma nova estratégia transformou a mobilidade em Lisboa

Milão, uma das cidades mais poluídas da Itália e epicentro da crise nesse país, recorreu à bicicleta como forma de permitir o tráfego de pessoas sem voltar aos níveis anteriores de poluição.

Além disso, durante esse período de crise, houve um aumento substancial no fluxo de ciclovias em alguns países, como Colômbia, China, Alemanha, Irlanda e Reino Unido. Nos Estados Unidos, a cidade de Filadélfia viu o movimento de uma ciclovia aumentar em 471% durante as restrições provocadas pelo novo coronavírus, o que levou seus moradores a assinar uma petição para a ampliação de espaços aos ciclistas.

2. Mais espaço para pedestres

Montevidéu fechou avenidas principais para carros depois que a quarentena teve fim no Uruguai. (Fonte: Shutterstock)

Para promover o deslocamento seguro durante a crise, várias cidades ampliaram calçadas com tinta, marcando o novo desenho do pavimento. Com isso, permitiram o alargamento das calçadas de forma rápida e barata. A medida serve como experimento para tornar o aumento de espaço para pedestres definitivo.

Itália oferece incentivo para compra de bikes durante pandemia

Um exemplo é Vancouver, no Canadá, que restringiu o tráfego de veículos a 220 quilômetros de ruas, o equivalente a 11% de suas vias, para permitir o distanciamento físico de pedestres. Nesse sentido, Nova York começou a colocar em prática um plano que prevê a restrição de veículos em 160 quilômetros, que deverão ser exclusivos para pedestres.

Outras cidades dos Estados Unidos, como São Francisco, Oakland e Denver, seguem o mesmo exemplo. A medida também foi adotada na Europa, como em Londres, Dublin, Budapeste e Berlim.

3. Vizinhanças mais movimentadas

Com maior trânsito de pedestres e ciclistas, os bairros devem se tornar mais movimentados após a pandemia. Isso favorece o comércio local, além de tornar o espaço urbano mais agradável para o convívio.

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A Nova Zelândia, país que foi exemplo no combate ao novo coronavírus, pretende investir inicialmente US$ 4,3 milhões em projetos de urbanismo tático para tornar as cidades mais caminháveis e acessíveis. Caso os conselhos distritais consigam demonstrar que as medidas provisórias podem ser convertidas em permanentes, o programa pode alcançar investimentos de US$ 65 milhões.

No Brasil, algumas cidades, como São Paulo, Porto Alegre, Campinas e Salvador, também adotaram medidas de urbanismo tático que podem se converter em transformações duradouras no espaço público, garantindo mais segurança às pessoas e promovendo o desenvolvimento econômico das cidades.

Fonte: WRI Brasil, OMS, Philly Voice, Denver Post, Vancouver Public Space, Movilidad Bogotá.

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