5 caminhos para mobilidade urbana segura às crianças

12 de outubro de 2020 4 mins. de leitura
Cidade precisa ter ambientes seguros e saudáveis

As crianças experienciam o espaço urbano de maneira particular. O caminho de casa para a escola é um exemplo disso. Estudos mostram que, quando fazem esse trajeto de carro, os pequenos têm a impressão de que as distâncias são mais longas e perdem a noção de continuidade do espaço, o que impacta na percepção das conexões no território. 

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Nesse sentido, as experiências na infância acabam moldando o comportamento das pessoas para o resto da vida. Dessa forma, planejar a cidade considerando esse público é pavimentar o futuro da mobilidade urbana. Confira cinco passos ao pensar as ruas para as crianças.

1. Ver a cidade “pelos olhos das crianças”

Toda a estrutura urbana, inclusive a sinalização, deve ser pensada para o público infantil. (Fonte: Shutterstock)
Toda a estrutura urbana, inclusive a sinalização, deve ser pensada para o público infantil. (Fonte: Shutterstock)

O planejamento da mobilidade urbana direcionado a um público infantil deve considerar, em primeiro lugar, como as crianças observam a cidade. Assim, é fundamental ouvir e procurar entender de que modo elas se relacionam com o espaço de forma ampla.

É necessário compreender a interação desse público com outras pessoas, veículos, sinais, cores e formas, para mapear e monitorar elementos que interessem aos pequenos a fim de construir caminhos mais acessíveis.

2. Cidade amiga da criança

Critérios que permitam a integração de ações voltadas às crianças devem ser incluídos nos processos de liberação de novas construções na cidade ou na realização de intervenções urbanas. É importante estabelecer padrões de espaço e infraestrutura verde que permitam o deslocamento seguro do público infantil.

O desenho urbano deve ser pensado para além do básico, com soluções que melhorem o aproveitamento do espaço e atendam às necessidades e vontades de famílias. As novas intervenções urbanas podem ser transformadas em oportunidades para estimular o aprendizado e a criatividade infantis.

3. Prioridade para pedestres

Se os pedestres estão entre os usuários mais vulneráveis das vias, as crianças que se deslocam a pé estão ainda mais ameaçadas. É preciso garantir áreas com menos trânsito de veículos, por meio de planos de ação que contemplem limites de velocidade mais baixos. Áreas de trânsito calmo criam ambientes mais seguros para as crianças conseguirem se deslocar, brincar e socializar no espaço público.

4. Mobilidade ativa para a escola

Mobilidade ativa traz benefícios à saúde e ao aprendizado das crianças. (Fonte: Shutterstock)
Mobilidade ativa traz benefícios à saúde e ao aprendizado das crianças. (Fonte: Shutterstock)

O percurso entre casa e escola é o principal trajeto diário percorrido pela maioria das crianças (claro, quando as aulas não estão sendo remotas). As caminhadas e as pedaladas proporcionam diversos benefícios para as saúdes física e psicológica delas, inclusive melhorando a sua concentração.

Ações com o intuito de incentivar o deslocamento de crianças a pé e por bicicletas para a escola acontecem em muitos países, como Dinamarca, Austrália, Estados Unidos, Portugal, Reino Unido e também no Brasil.

5. O fator de segurança

Um ambiente urbano seguro deve ser construído a partir de estudos de segurança viária que considerem a interação de diversos modos de transporte, em especial nas rotas preferenciais para ir à escola.

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Uma das principais barreiras aos ambientes amigáveis para crianças é o domínio dos carros nas ruas. Medidas como travessias coloridas e bem-sinalizadas ou espaços compartilhados redefinem o uso das vias, ajudam na conscientização dos pedestres e incentivam as atividades de rua.

A Organização das Nações Unidas (ONU) aponta que restringir a circulação de veículos de forma temporária é uma solução para os crescentes problemas de poluição no entorno das escolas. As ruas abertas apenas para pedestres podem ser vistas também como um caminho para cidades mais humanas com oportunidades para as crianças aproveitarem atividades ao ar livre.

Fonte: WRI Brasil, Arup, Fundação Bernard Van Leer.

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