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Quais são os países que andam na mão inglesa?

9 de maio de 2023 4 mins. de leitura
Saiba quais países adotaram a mão inglesa e o que estaria por trás disso

Muitos dos sistemas presentes nas sociedades são frutos de costumes e normas adotadas ao longo da história. E quando se trata da condução dos veículos e da organização do fluxo nas vias, essa noção também é válida.

No Brasil, o volante fica localizado no lado esquerdo do veículo, de modo que a mão direita do condutor possa comandar o câmbio. O fluxo das vias, por sua vez, é direcionado para a direita, exceto em alguns trechos de sentido obrigatório, que devem estar devidamente sinalizados.

Com essa configuração, o condutor tem uma melhor visão dos veículos que se encontram no sentido oposto, o que ajuda a evitar acidentes. Mas há outros países em que o motorista fica posicionado no lado direito do veículo e os carros usam a via esquerda, a exemplo da Inglaterra.

(Fonte: Getty Images/Reprodução)
Para quem se acostuma a mover o câmbio com a mão direita, inicialmente pode ser um pouco mais difícil dirigir com volante localizado no lado direito do veículo. (Fonte: Getty Images/Reprodução)

Ponto de partida histórico

Conforme aponta o National Motor Museum, a organização do trânsito remete a períodos mais antigos, de modo que tenha se tornado regra no período da Idade Média, por exemplo, quando o Papa Bonifácio VIII determinou que o lado esquerdo da estrada deveria ser usado no fluxo.

Porém, mais adiante, especificamente após o início da Revolução Francesa, Napoleão Bonaparte é apontado por influenciar que a condução passasse a ocorrer pelo lado direito além da França, espalhando tal padrão a outros países europeus, como Itália, Bélgica e Alemanha. Por outro lado, a Inglaterra se manteve com o fluxo à esquerda.

Assim, boa parte das localidades que outrora foram colônias inglesas também seguiram desta forma, de modo que, hoje, países como Austrália, Nova Zelândia, África do Sul e Índia seguem adotando a chamada “mão inglesa” até os dias atuais. Mas vale ressaltar que os adeptos correspondem a pouco mais de um terço da população, não representando uma maioria.

Outros locais permaneceram com a mão inglesa até meados de 1920, como Canadá e Portugal, além da Suécia, que seguiu com o fluxo à esquerda até 1967. Também há casos que não se enquadram nesse cenário, a exemplo do Japão, onde os condutores têm o volante posicionado ao lado direito do veículo por consequência das obras das ferrovias no país terem sido realizadas por engenheiros britânicos, o que expandiu o sistema para outros modais.

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(Fonte: Getty Images/Reprodução)
Quando há mudança no padrão do fluxo, as sinalizações das vias também devem sofrer adaptações para evitar que os motoristas tenham dificuldades. (Fonte: Getty Images/Reprodução)

Diferentes percepções ao dirigir

Uma vez definido o modelo, a mudança na posição do volante também representa alteração na percepção do motorista. A partir do sistema adotado, todas as ruas e estradas são projetadas para atendê-lo, de modo que se evite acidentes e seja proporcionada uma maior fluidez ao trânsito de veículos.

Pensando nisso, ao viajar para localidades que utilizam a mão inglesa, vale a pena se atentar a esses aspectos para evitar colisões, o que pode se estender aos pedestres. Definida a alteração, além de os semáforos serem adaptados, as faixas também devem ser remarcadas novamente, principalmente nas áreas de cruzamento.

E, assim como ocorre com os automóveis, na mudança da posição do volante e do câmbio, os ônibus também exigem tal cuidado, já que as portas usadas pelos passageiros devem mudar de lado. Ou seja, os custos são consideráveis, o que desencoraja a realização. Ainda assim, as Ilhas Samoa, na Oceania, realizaram esse processo em 2009.

Por outro lado, em virtude da maior influência dos Estados Unidos, um número significativo de países adotou a mão francesa em vez da mão inglesa. Apesar da colonização inglesa, o processo de independência norte-americana foi associado a essa mudança. Assim, com o forte avanço da indústria automobilística dos EUA no mundo, a maioria dos países acabou por adotar o fluxo do lado direito, incluindo o Brasil.

Fonte: World data, National Motor Museum, Internacional Driving Authority

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