Como tornar a mobilidade urbana mais acessível?

28 de novembro de 2022 5 mins. de leitura

Celebrado em 03/12, o Dia Internacional do Portador de Deficiência deve promover a conscientização sobre o papel da acessibilidade

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Em 3 de dezembro, é celebrado o Dia Internacional do Portador de Deficiência. A data é importante e não chama a atenção apenas para a necessidade de assegurar o direito de ir e vir de todas as pessoas, mas também para a urgência de promover melhores condições e otimizar as soluções em mobilidade urbana.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), há 1 bilhão de habitantes que apresentam algum tipo de deficiência. No Brasil, estima-se que esse público corresponda a 24% da população brasileira, de acordo com os dados do Censo 2010. Apesar de ser um dado alarmante por si só, com o impacto decorrente da pandemia, a carência de uma ampla rede estruturada que viabilize um deslocamento prático e seguro ficou ainda mais evidente.

Se tratando de acessibilidade, uma abordagem mais profunda mostra que há barreiras de diferentes naturezas presentes no cotidiano das PCDs, dificultando mesmo a realização de atividades que podem ser consideradas mais simples no dia a dia. Intrinsecamente relacionadas, elas assumem diversas formas tanto nos projetos urbanísticos, quanto na mobilidade e na comunicação. Apesar disso, elas também mostram o caminho para a solução.

imagem de um homem negro sorrindo sentando em uma cadeira de rodas
A falta de elevadores, rampas e calçadas projetadas para receber os PCDs é uma das dificuldades que mais se faz presentes no cotidiano. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)

Elementos que podem trazer soluções

Ao pensar no desenvolvimento de soluções, é importante destacar o papel do desenho universal no urbanismo, que se faz como um elemento essencial para entrega de espaços inclusivos. É por meio dele que a concepção de produtos e serviços é gerada para atender a todos os públicos. Como não é necessária sua adaptação, o conceito torna viável o objetivo de promover flexibilidade por meio de uma utilização simples e intuitiva.

A comunicação é outro fator que tem muito a agregar, sendo relacionada tanto com o urbanismo quanto com a mobilidade, e pode ter maior protagonismo por meio da adoção da tecnologia assistiva. Ela pode não apenas propiciar uma melhor utilização de diversos aparelhos, ainda que ocorra de forma supervisionada, mas também promover o barateamento dos produtos que contam com recursos de tecnologia assistida, facilitando a realização de diversas tarefas.

A tecnologia, de forma geral, também é fundamental para promover a acessibilidade digital. Presente em páginas da internet e tradução da linguagem em libras, por exemplo, ela desempenha papel fundamental na entrega de recursos que oferecem maior conforto e segurança. As possibilidades de uso conferem à tecnologia, portanto, um papel promissor para uma mobilidade urbana mais acessível.

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imagem de uma pessoa andando com uma guia dobrável para o uso de pessoas com deficiência visual
A tecnologia assistiva pode desempenhar um papel importante dentro da mobilidade. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)

Desafios para a mudança de cenário

O baixo investimento em acessibilidade é um dos principais empecilhos que se fez presente, resultando em dificuldades de locomoção e de acesso a diversos espaços. Mas além disso, a falta de qualificação específica nesse campo se configura como um dos principais entraves para o desenvolvimento de profissionais que possam atuar no campo e desenvolver soluções que atendam às necessidades dos diferentes públicos.

A urgência de mudar esse cenário e garantir a acessibilidade em diferentes meios é o melhor caminho para promover uma participação social mais efetiva. Apesar de soar complexa, a implementação de alguns projetos já concluídos pode ilustrar melhor a importância desse progresso: na cidade de Curitiba, capital do Paraná, os semáforos inteligentes permitem ao PCD que ele aproxime o cartão de um sensor e, assim, tenha maior tempo para atravessar a faixa de pedestre.

A cidade também está trabalhando para entregar mais 100 km de calçadas acessíveis, promovendo a mobilidade ativa por meio do projeto Caminhar Melhor. No entanto, a necessidade de que esse tipo de entrega esteja presente também em cidades mais afastadas dos grandes centros revela a fragilidade pela qual os projetos passam em muitas localidades.

imagem de uma pessoa andando em uma calçada de concreto com faixa de piso tátil
Investir em meios de integrar os espaços aos meios de transporte deve ser prioridade nos projetos de acessibilidade urbana. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)

Promover autonomia e integração dos espaços é fundamental

Além do objetivo de oferecer segurança, é importante aumentar a autonomia dos usuários, analisando os cenários em que ele pode estar menos dependente e facilitando o seu trajeto, seja para o trabalho, lazer ou para usufruir de um serviço. Isso pode ser feito com uma série de medidas, como ao permitir o acesso gratuito ao transporte público.

Apesar de prédios públicos, edificações privadas e ambientes de lazer estarem se empenhando para receber todos os públicos e atenderem ao direito previsto na legislação, ainda se faz necessário investir numa maior integração entre os diferentes espaços e os meios de transporte.

Por isso, pensar no planejamento de toda a infraestrutura de acesso significa ir além, voltando o olhar para aquilo que não foi posto em prática no passado e buscando não apenas sanar lacunas, mas ser detalhista na execução dos projetos de acessibilidade, valendo-se do conhecimento técnico para promover soluções que minimizam impactos negativos e promovam a mobilidade urbana.

Quer saber mais? Confira aqui a opinião e a explicação de nossos parceiros especialistas em Mobilidade.

Fonte: ONU, Prefeitura de Curitiba, IBGE, Prefeitura de Curitiba

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