Existe solução para a segregação urbana?

30 de maio de 2022 4 mins. de leitura
Entenda o que é segregação urbana e quais medidas podem diminuir a marginalização de certas populações

O espaço urbano é capaz de representar a forma como uma sociedade se organiza. Na sociedade capitalista atual, a disputa pela forma de ocupação ganha novas dinâmicas, marcadas pelas características do funcionamento das grandes cidades. A separação das residências e dos espaços de convivência de determinadas classes sociais é chamada de segregação urbana.

Qualquer grande cidade do mundo apresenta áreas com moradias e infraestrutura urbana melhores e áreas com residências mais simples, com dificuldade de acesso a itens básicos, como saneamento. Porém, é nos países mais pobres que as diferenças são mais visíveis e muitas vezes chocantes.

Favela ao redor de centro urbano. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)

Como ocorre a segregação urbana?

Normalmente, os primeiros centros urbanos concentram as elites locais que fundaram as cidades. A infraestrutura dessas regiões é mais bem desenvolvida e muitos donos de terra passam a posse por gerações dentro da família. Para as parcelas da população sem poder financeiro se instalarem nessas regiões, resta procurar zonas mais afastadas e baratas ou até se inserir de forma irregular em áreas de risco.

Muitas cidades que se tornam metrópoles passam por um processo diferente. Depois que os centros urbanos ficam muito lotados, elites econômicas elegem novos bairros ou regiões mais afastadas para construir suas residências.

Devido à influência política, essas novas localidades são prontamente atendidas por toda a infraestrutura necessária de serviços públicos e, por causa do poder econômico e, muitas vezes, da especulação imobiliária, não há área das cidades que não possam ser transformadas em novos “bairros para ricos”.

Dentro desse movimento de segregação urbana, também está o fenômeno da gentrificação, que descreve os casos em que classes mais altas se mudam para bairros mais pobres atrás de melhores preços de aluguéis e de terrenos. Com a chegada de pessoas com mais poder aquisitivo, os serviços encarecem e, assim que as melhorias chegam, a população original já não dá mais conta de viver ali, sendo obrigada a se mudar.

O termo vem da palavra “gentry” (que significa “aristocracia” em inglês) e foi usado como conceito pela socióloga Ruth Glass, na década de 1960. Ela estudou o movimento de expulsão da classe trabalhadora de determinados bairros de Londres e a ocupação deles por classes mais ricas que transformaram os locais.

Populações marginalizadas gastam mais tempo para se deslocar pelas cidades e tem mais dificuldade no acesso aos serviços públicos. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)
Segregação urbana: populações marginalizadas gastam mais tempo para se deslocar pelas cidades e têm mais dificuldade no acesso a serviços públicos. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)

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Existe solução para a segregação?

Como vimos, a segregação urbana está intimamente ligada à concentração de renda. Países com melhor distribuição das riquezas, como a Suécia e a Dinamarca, tendem a ter uma oferta mais uniforme do serviço público de qualidade, o que dificulta o surgimento de “zonas pobres”.

Países ricos, mas com grande diferença na concentração de renda, como os Estados Unidos, e permitem o lobby político, tendo menor tradição de investimento em serviços públicos, costumam ter zonas mais visíveis de segregação.

No Brasil, o lobby político não é permitido, mas, por uma série de questões sociológicas de tradição, influência familiar, política e corrupção, muitas classes dominantes têm poder sobre as escolhas do Estado. Isso impede que o planejamento urbano seja pensado de forma democrática com objetivo de melhorar a qualidade de vida de todos e o acesso e direito às cidades.

Não existe uma solução fácil para a segregação. Mas enquanto houver a luta das classes excluídas pelos seus direitos e a falta de vontade dos órgãos oficiais de direcionar recursos para a melhoria da infraestrutura urbana das zonas periféricas, dificilmente a quantidade de cidades menos segregadas no futuro será maior.

A segregação urbana dificulta a ascensão social das classes marginalizadas, uma vez que se gasta mais tempo no transporte público, que é precário, e há dificuldade de acesso a serviços de educação, saúde e lazer. Assim, a segregação espacial serve como um movimento de manutenção da ordem social vigente, o que provavelmente é interessante para quem se beneficia dela.

Quer saber mais? Confira aqui a opinião e a explicação de nossos parceiros especialistas em Mobilidade.

Fonte: Brasil Escola, Mundo Educação, Urbanidades, Chão Urbano, Revistas USP.

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