Summit Mobilidade

Hibridização de veículos auxilia redução da pegada de carbono

31 de maio de 2023 5 mins. de leitura
Carros 100% elétricos ainda não são acessíveis por alto custo de produção. Veículos híbridos movidos a motor elétrico e de combustão a etanol podem ser alternativa

A combinação de motores elétricos a motores de combustão, movidos por biocombustíveis como o etanol, em veículos híbridos pode ser uma saída de curto e médio prazo para contribuir para a descarbonização. 

Essa foi a conclusão que representantes de fabricantes do setor automobilístico no Brasil tiveram no painel complementar “Soluções para a redução da pegada de carbono no setor automotivo”, apresentado na trilha “Desafios atuais” do Summit Mobilidade. O evento, produzido pelo Estadão, está sendo transmitido hoje, dia 31 de maio, pela internet.

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Etanol: uso de biocombustível em veículos híbridos contribui para descarbonização

Combinar etanol com a eletrificação do automóvel faz que a descarbonização ocorra de forma mais barata e acessível. E isso já é uma realidade por meio dos carros híbridos, movidos tanto a eletricidade quanto a combustão.

Para os painelistas, o grande desafio da descarbonização é fazê-la de uma forma equilibrada, envolvendo três fatores: social, ambiental e econômico. Além disso, também é importante descentralizar a concentração da indústria automotiva, distribuindo os fabricantes em várias regiões.

A tecnologia escolhida para descarbonizar precisa manter a qualidade do ar, fomentar energias renováveis, mas integrar o usuário ao processo. “Ao introduzir tecnologias, devemos incluir o que o usuário também quer e avaliar como o mercado se comporta”, ressaltou Fábio Ferreira, diretor de Produto da Bosch, que participou do painel.

Biocombustível tem baixa emissão de carbono

O etanol é um combustível renovável, por ser produzido a partir da cana-de-açúcar. E tem baixa emissão de carbono, considerando sua cadeia de produção (well-to-wheel, ou do poço à roda): desde a plantação, colheita e produção, até posterior distribuição, diferente de combustíveis fósseis.

A Stellantis conduziu um estudo em parceria com outras organizações, entre elas a Bosch, em que comprovou a baixa emissão de carbono por parte de veículos movidos a etanol, tornando a mobilidade sustentável.

Porém, diferente do que se possa imaginar, o setor de transportes é o que menos emite carbono no Brasil. Atualmente, a agropecuária é o ramo com maior pegada de carbono.

Automóvel híbrido: o que é e quais tipos existem

Ferreira explicou que o carro híbrido tem duas fontes de propulsão, uma vez que é movido por dois motores ao mesmo tempo ou que se complementam.

Existe, assim, um motor elétrico e um motor clássico a combustão embutidos no veículo, que pode ser: 

  • híbrido leve: com motor menor que entra em ação em momentos restritos para recuperar energia e fazer o carro se movimentar;
  • híbrido forte: com baterias de alta voltagem, em que o motor trabalha sozinho. Nesse caso, o motor a combustão só é ativado em manobras ou circuitos maiores. Pode ser plugado, sendo abastecido à energia elétrica local.

Não só veículos de passeio, como tratores e caminhões também já usam a tecnologia híbrida.

Custo do veículo 100% elétrico ainda é desafio a ser superado

O custo elevado de veículos 100% elétricos para consumidores é um dos desafios a serem superados, uma vez que a bateria responde pela metade do valor do carro. E sua fabricação também é custosa, de acordo com o painelista João Irineu Medeiros, vice-presidente de Assuntos Regulatórios da Stellantis para a América do Sul.

O uso de veículos híbridos, movidos a eletricidade e biocombustível como o etanol, podem contribuir para a redução da pegada de carbono. (Fonte: Getty Images/Reprodução)

Outro desafio: reduzir a pegada de carbono na cadeia de produção dos automóveis eletrificados

A Stellantis, que é líder de vendas de grandes marcas automobilísticas no Brasil e América do Sul, já produz automóveis eletrificados. Porém, para produzi-los, há uma série de etapas da cadeia que ainda utilizam combustíveis fósseis, como a gasolina, responsáveis por uma alta emissão de carbono para a atmosfera.

Apesar de estar concentrada no uso do veículo pelo consumidor, a emissão de carbono ocorre em toda a cadeia de produção de bens. Inicia com a extração de matéria-prima, produção, distribuição e descarte dele, após ser efetivamente usado.

Dessa forma, Medeiros defende que a descarbonização precisa começar na extração da matéria-prima na natureza para a fabricação dos automóveis e seguir até o uso consciente do automóvel pelo consumidor. É ele quem deve realizar manutenções, entre outras ações para que o carro não emita carbono para além do necessário.

Além disso, Medeiros também destacou a necessidade de reciclagem adequada da bateria, o que é feito com ela após o fim do ciclo de vida do automóvel, quando já foi usado pelo consumidor. “É preciso dar uma segunda ou terceira utilização. O desafio do carro 100% elétrico é grande”, apontou.

Assim, automóveis híbridos podem ser um caminho mais rápido para contribuir com o processo de descarbonização. Ferreira destacou, por exemplo, que veículos híbridos movidos a etanol e eletricidade são melhores que o elétrico europeu. Isso porque esse último ainda possui uma pegada de carbono maior, considerando outras pontas da cadeia de produção.

Fontes: Aberje, Revista Pesquisa Fapesp

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