Jaguar Land Rover vai “ensinar” carros autônomos a reduzir enjoos

16 de outubro de 2020 3 mins. de leitura
O enjoo de movimento é importante para que as pessoas possam aproveitar melhor as funcionalidades dos carros autônomos

Uma das principais mudanças que os carros autônomos vão trazer para o cotidiano das pessoas é a possibilidade de aproveitar o tempo de deslocamento para fazer outras atividades, como ler. Porém, há um problema que precisa ser resolvido nessa história: o enjoo de movimento

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Segundo a Universidade de Oxford, em torno de 70% das pessoas sofrem desse mal: se tentam ler ou usar o celular no carro, acabam sentindo um mal estar causado pela confusão entre os sinais recebidos pelos olhos (que estão estáticos) e os outros sentidos do corpo (que percebem movimento). 

Para resolver esse problema em seus futuros veículos autônomos, a fabricante de automóveis inglesa Jaguar Land Rover pretende “ensiná-los” a dirigir de forma mais suave. 

Fabricante está desenvolvendo sistema que evita mal-estar em veículos sem motorista (Fonte: Jaguar Land Rover/Divulgação)
Fabricante está desenvolvendo sistema que evita mal-estar em veículos sem motorista. (Fonte: Jaguar Land Rover/Divulgação)

Como funciona o sistema antienjoo?

Durante os testes de suas tecnologias, os engenheiros da Jaguar Land Rover desenvolveram o motion sickness score (pontuação de enjoo de movimento, em tradução livre), que mede o bem-estar dos passageiros ao longo do trajeto. Assim, foi possível descobrir quais são as manobras que mais fazem as pessoas se sentirem mal dentro dos automóveis, bem como buscar alternativas para isso. 

Fazer uma curva com traçado mais suave, por exemplo, pode aumentar o bem-estar dos passageiros de 74% para 91%, segundo as experiências. As frenagens e as acelerações também são outro ponto importante. 

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Freadas atrasadas e bruscas resultam 71% de bem-estar, contra 93% das paradas mais suaves. O mesmo ocorre com as acelerações, cuja pontuação pode variar entre 78% (mais bruscas) e 95% (graduais). Esses dados foram descobertos após 32 mil quilômetros de testes reais e simulações em computador.

Além disso, a fabricante utiliza sistemas de machine learning (aprendizado de máquina), para que os veículos melhorem cada vez mais seus estilos de dirigir, baseados nas informações coletadas durante a experiência. A partir desses estudos, a ideia é desenvolver algoritmos que façam os futuros veículos autônomos da empresa dirigirem da forma mais agradável possível para os passageiros. 

Sistemas essenciais para os veículos autônomos

Além disso, a Jaguar Land Rover está desenvolvendo sistemas que monitoram o bem-estar de cada um dos passageiros do carro durante o trajeto. Dessa forma, o software poderá ligar os massageadores dos bancos ou o ar-condicionado automaticamente, por exemplo, com o objetivo de prevenir o enjoo de movimento. 

A ideia desses sistemas, segundo a fabricante, é reduzir os impactos do enjoo de movimento em 60%. Isso será essencial para popularizar os veículos autônomos, tecnologia que a empresa considera imprescindível para atingir os objetivos de seu programa Destination Zero — redução de acidentes, do congestionamento e da poluição nas cidades. 

Em nota à imprensa, Steve Iley, médico da Jaguar Land Rover, afirmou: “A mobilidade está mudando rapidamente e nós vamos ter que aproveitar a força dos veículos autônomos para alcançar nosso objetivo de zero acidente e zero congestionamento. Resolver o problema do enjoo em carros sem motorista é a chave para desbloquear o enorme potencial dessa tecnologia para os passageiros, que poderão usar o tempo de trajeto para ler, trabalhar ou relaxar”.

Fonte: Jaguar Land Rover.

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