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Como combater o machismo no trânsito?

31 de maio de 2022 4 mins. de leitura
Conheça as iniciativas para tornar o trânsito um ambiente menos violento e machista

Basta que uma mulher cometa algum erro no trânsito para que aquelas velhas “piadas” machistas reapareçam, como “Mulher no volante, perigo constante” e outras ainda piores e mais ofensivas. Mas o que os dados oficiais falam sobre isso?

O trânsito no Brasil ainda é dominado por homens. Segundo dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), as mulheres são titulares de apenas 35% das 74,3 milhões de Carteiras Nacionais de Habilitação (CNHs) ativas. O percentual é ainda pior quando se fala de veículos grandes; no segmento de caminhões, por exemplo, elas são apenas 6,5% do total de motoristas da categoria.

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O machismo e a reprodução do preconceito podem ajudar a explicar a dificuldade que as mulheres têm de entrar no trânsito. Um estudo realizado pela Associação Brasileira de Medicina de Trânsito (Abramet) apontou que pelo menos 2 milhões de brasileiros gostariam de dirigir, mas têm medo — 80% desses são mulheres.

Apesar das piadas e do preconceito presentes nesse cenário, os dados mostram que as mulheres são condutoras mais responsáveis do que os homens. A empresa Quality Planning, que realiza pesquisas para companhias de seguro, indica que homens têm 3,4 vezes mais chances de cometer infrações no trânsito e 3,1 vezes mais possibilidades de dirigir embriagados.

Os dados se refletem na perda de vidas no trânsito. Segundo dados do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), homens foram 81% dos envolvidos em acidentes fatais em janeiro de 2022.

Homens são maiores resposáveis por acidentes no trânsito e maiores vítimas de acidentes fatais. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)
Homens são mais responsáveis por acidentes no trânsito e as principais vítimas de acidentes fatais. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)

Exemplos de combate ao machismo no trânsito

Uma das cidades brasileiras que resolveram combater a desigualdade de gênero e o machismo no trânsito foi Recife (PE), lançando em março deste ano a cartilha Pequeno Manual Prático de Como Não ser um Babaca no Trânsito. O material será impresso e entregue em diversos locais estratégicos da cidade, como pontos turísticos, e terá dicas de civilidade e boas práticas no trânsito.

Entre as dicas estão indicações de como não abordar mulheres que estão esperando por ônibus, não assediar com assobios e não entender nenhum tipo de vestimenta como motivo para cantadas e assédios.

Uma das desigualdades que a prefeitura de Recife tenta combater é o fato de as mulheres serem responsáveis por 54,18% dos deslocamentos para o trabalho durante o dia, mas serem apenas 19% dos ciclistas. Especialistas afirmam que a falta de segurança é um dos principais motivos para que elas prefiram usar táxis e aplicativos de transporte.

Apesar de elas serem a maioria no transporte público, pesquisas indicam que mulheres perdem oportunidades de estudo e de emprego por medo de utilizar serviços em determinados horários e regiões.

Argentina tomou uma série de iniciativas para diminuir o machismo no trânsito e incentivar a maior participação das mulheres. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)
Argentina criou uma série de iniciativas para diminuir o machismo no trânsito e incentivar a participação das mulheres. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)

Enquanto no Brasil a população ainda sofre com a violência de gênero no trânsito, os argentinos estão enfrentando a questão de forma mais acentuada. Desde o ano passado, todos os candidatos a tirar carteira de motorista precisam passar por um teste sobre igualdade de gênero, que engloba questões como patriarcado, machismo e feminicídio.

Na Argentina, 70% das licenças emitidas para a direção são de homens, que também são 85% dos mortos em acidentes de trânsito e 90% dos flagrados dirigindo sob efeito de álcool. Além disso, 100% dos “rachas” interrompidos no país são perpetrados por homens.

As inovações no vizinho latino-americano não param por aí: o Ministério do Transporte está redesenhando todos os sinais de trânsito para serem neutros em questões de gênero. A linguagem e a comunicação em todas as esferas do trânsito, desde a autoescola até as placas e campanhas, terão linguagem inclusiva visando à perspectiva de gênero. A intenção é tornar o trânsito mais acolhedor e menos preconceituoso.

Quer saber mais de mobilidade urbana? Assista aqui à opinião e à explicação de nossos parceiros especialistas sobre diversas pautas ligadas ao tema.

Fonte: Prefeitura de Recife, Automotive Business.

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