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Mobilidade urbana no Rio de Janeiro pela perspectiva dos moradores

23 de janeiro de 2023 4 mins. de leitura
Pesquisa mostrou dados que destacaram quais são os pontos de melhoria na mobilidade urbana do Rio de Janeiro

Ter um olhar voltado para a percepção da população acerca do uso dos diferentes meios de transporte é essencial para mitigar os constantes problemas vivenciados nas cidades. Por isso, a realização de pesquisas é especialmente importante por traduzir em dados muito daquilo que é de conhecimento geral entre os usuários, principalmente por destacar alguns pontos menos evidentes.

Na cidade do Rio de Janeiro (RJ), que enfrenta enormes desafios tanto para oferecer uma boa estrutura de mobilidade quanto para inovar, isso não foi diferente. Graças à pesquisa do Mobilize, realizada em 2021, foi possível identificar como é a relação das pessoas com a mobilidade urbana na capital, além de mapear o perfil de usuários do transporte público.

(Fonte: Shutterstock/Reprodução)
Mobilidade urbana no Rio de Janeiro precisa de melhorias, principalmente nos BRTs. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)

Perfil do público

Tratando-se de transporte público, a pesquisa ofereceu alguns dados interessantes. Foram 2.664 entrevistados em 16 cidades do Estado, sendo a maioria adultos entre 25 anos e 34 anos, 54,3% homens. Do total, 58,9% se identificaram como usuários assíduos do serviço, evidenciando alto nível de contato com os diferentes meios, que tiveram percentuais de uso aproximados.

O deslocamento para o trabalho foi apontado como o principal motivo para o uso de transportes por 76% dos cariocas. Como reflexo disso, é no período da manhã que o movimento é mais concentrado para 76,4% dos passageiros. O metrô apresentou maior índice (84,6%). Já no momento do retorno, a pesquisa identificou uma dinâmica diferente. Confira a seguir.

Dinâmica de uso

Quanto à dinâmica de uso, 50,6% do público voltam para casa durante a tarde, enquanto 42,3% fazem isso à noite, evidenciando a divisão entre diferentes faixas de horário, sendo o ônibus o meio menos utilizado nesse último período, em específico. Quando analisados conjuntamente, os dados sugerem que a frequência das composições poderia ser reduzida na segunda metade do dia.

O nível de contentamento geral também foi avaliado, sendo o metrô e as barcas os modais que apresentaram maior porcentagem de usuários satisfeitos ou muito satisfeitos, com 88% e 69,8%, respectivamente. Já entre o público que utiliza o ônibus de trânsito rápido (BRT), esse valor foi o menor, com 19,3% de satisfação.

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(Fonte: Shutterstock/Reprodução)
O valor da passagem é considerado elevado pelos cariocas. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)

Avaliação sob diferentes aspectos

Ao abordar a satisfação nos locais de espera, o maior nível esteve presente entre 92,9% dos usuários do metrô. Nas barcas, o valor foi de 83,5%. Já quando considerada a preocupação com a segurança, ela se fez mais evidente entre os passageiros do BRT, com apenas 17,9% do público satisfeito nesse aspecto.

Entre os que utilizam trem e ônibus, os índices também foram baixos (23% e 30%), o que ressalta a importância de melhorias para a mudança de tal cenário. O preço das tarifas, entretanto, apresenta a menor variação entre os diferentes meios, tendo nos usuários de trem os menos satisfeitos (17%).

Visão geral

A pesquisa apontou o metrô como o meio com as melhores avaliações em boa parte dos quesitos: local de espera, conservação, rapidez e acessibilidade. Já a barca se destacou em itens segurança, lotação, conforto e número de assentos. Apesar de ambos os modais contarem com maior satisfação, a avaliação mostra que o BRT está abaixo das expectativas em diferentes dimensões.

Dos 15 aspectos considerados na pesquisa, o BRT só não apresentou os piores percentuais em quatro delas, que foram: tempo de espera, rapidez no deslocamento, preço das passagens e acessibilidade. Esses dados sinalizam um ponto de partida importante para a promoção de mudanças que aumentem o conforto, a segurança e a praticidade de uso do modal, evitando que ele perca usuários.

Fonte: Mobilize

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