Alphabet cancela plano de cidade inteligente no Canadá

28 de junho de 2020 4 mins. de leitura
Empresa desiste de concluir cidade inteligente em Toronto em meio à pandemia do novo coronavírus

O projeto Quayside, piloto de cidade inteligente que pretendia revolucionar parte da orla de Toronto, no Canadá, foi cancelado pela Alphabet (empresa controladora da Google). A incerteza econômica provocada pela pandemia do novo coronavírus foi o principal motivo, segundo Daniel Doctoroff, CEO da Sidewalk Labs — braço do conglomerado responsável pela iniciativa.

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A crise derrubou o valor dos imóveis locais, com isso a empresa não conseguiria lucrar com a venda de espaços para habitações e comércios na orla da cidade canadense. “Tornou-se muito difícil viabilizar financeiramente o projeto de 48 mil metros quadrados sem sacrificar as partes principais do plano”, escreveu Doctoroff em um artigo publicado no blog Sidewalk Talk.

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Em pouco mais de dois anos de implantação, e mesmo com milhões de dólares de lobby, o projeto já enfrentava forte resistência. Moradores locais e opositores à ideia de uma cidade controlada por organizações privadas gigantescas levantaram preocupações com relação à privacidade e à propriedade intelectual dos dados.

Cidade inteligente ambiciosa

Projeto da orla de Toronto serviria como modelo para outros locais (SideWalks Labs/Reprodução)
Projeto da orla de Toronto serviria como modelo para outros locais. (Sidewalks Labs/Reprodução)

Os planos da Sidewalk Labs para a região de Quayside eram gastar US$ 1,3 bilhão em casas de madeira maciça, calçadas aquecidas e iluminação inteligente. O projeto incluía Wi-Fi público, bem como uma série de câmeras e sensores para monitorar o tráfego nas ruas. A iniciativa poderia ser ampliada para uma área total de 1,5 milhão de metros quadrados, conforme dados vazados pela imprensa local.

A coleta de lixo seria realizada por rampas subterrâneas. Sensores forneceriam dados para a Inteligência Artificial gerenciar os sistemas de águas pluviais e o tráfego direto. A proposta também previa uma ferrovia para interligar a área com a rede de transporte público de Toronto.

Enquanto isso, seriam coletados e digitalizados todos os dados disponíveis para buscar o aperfeiçoamento do planejamento das cidades. O projeto serviria como modelo para a implantação da mesma iniciativa em outras regiões do mundo, para criar espaços urbanos “mais inclusivos, acessíveis e resilientes”, segundo o CEO da Sidewalk Labs.

Erros na condução do processo

Comunidade foi pega de surpresa com o vazamento na imprensa local de um projeto de expansão para o projeto em Quayside, que não havia sido apresentada anteriormente (Fonte: SideWalk Labs/Reprodução)
Projeto serviria como modelo para a implantação da mesma iniciativa em outras regiões do mundo. (Fonte: SideWalk Labs/Reprodução)

Antes mesmo da pandemia do novo coronavírus, a iniciativa de revitalização da orla de Toronto corria o risco de afundar. A empresa cometeu uma série de erros no projeto Quayside, a maioria relacionada à falta de transparência nas decisões e na utilização de dados privados.

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A organização responsável pela supervisão das atividades apresentou questionamentos, causando uma série interminável de propostas, reuniões e consultas que ameaçavam atrasar a sua implementação. Líderes locais acusaram a Sidewalk Labs de não ouvir sua opinião, e a empresa sofreu até um processo feito pela Associação de Liberdades Civis do Canadá.

A falta de diálogo ficou evidente até na mais recente decisão da Alphabet. A WaterFront, organização sem fins lucrativos designada pelo governo canadense como parceira da iniciativa, declarou que não foi consultada sobre a suspensão do projeto.

Futuro da Sidewalk Labs

A Sidewalks foi criada pela Alphabet para repaginar as cidades e melhorar a qualidade de vida urbana. A empresa trabalha no planejamento de bairros para alcançar novos padrões de sustentabilidade, acessibilidade, mobilidade e oportunidades econômicas.

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Apesar do encerramento de um de seus principais projetos, a Sidewalk Labs deve continuar operando, mas com o direcionamento de seus esforços para o combate à pandemia. “A atual emergência de saúde nos faz sentir ainda mais fortemente a importância de repensar as cidades para o futuro”, afirmou o CEO da empresa.

A companhia desenvolve uma solução chamada de CityBlock, que visa aprimorar a saúde pública a partir dos bairros. O projeto pretende fornecer serviços de saúde para a população de baixa renda, com um modelo de assistência baseado na atenção primária, na saúde comportamental e nos serviços sociais.

Fonte: Bloomberg, The Verge, Sidewalk Labs, Wired, Tecmundo, Socialist Project, Water Front.

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