Como Seul se tornou um exemplo de mobilidade urbana sustentável?

4 de julho de 2022 6 mins. de leitura
Entenda as medidas adotadas na capital da Coreia do Sul que fizeram a cidade se tornar referência em mobilidade urbana

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Seul, capital da Coreia do Sul, é vista como referência em soluções para a mobilidade urbana. Mesmo com cerca de 25 milhões de habitantes na região metropolitana, a cidade tem um sistema de ônibus e de metrô que é reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) como referência em pontualidade. Mas como a cidade diminuiu a dependência dos carros e qualificou a mobilidade urbana? Confira algumas das soluções adotadas.

Incentivo para o uso do transporte público

Antes de tirar as pessoas dos carros, é fundamental ter para onde mandá-las. Por isso, Seul tem investido há muito tempo na diversificação de modais. A cidade conta com uma das maiores extensões de metrô, com mais de 287 quilômetros e 293 estações distribuídas por toda a região metropolitana.

Além disso, o local oferece serviços de ônibus e de trem. Os trens expressos ligam a capital à maioria das grandes cidades coreanas, facilitando o deslocamento de trabalhadores.

Para qualificar o sistema de ônibus, o governo local assumiu a administração do serviço e expandiu a rede para as periferias. Com isso, locais carentes de opções de transporte foram integrados ao transporte público, desafogando as maiores linhas que anteriormente recebiam toda a demanda.

Metrô de Seul transporte cerca de 7 milhões de pessoas por dia. (Fonte: WikimediaCommons/Reprodução)
Metrô de Seul transporta cerca de 7 milhões de pessoas por dia. (Fonte: Wikimedia Commons/Reprodução)

Um sistema de cores foi aplicado aos ônibus e ao metrô, facilitando o acesso e integração tanto de moradores quanto de turistas nas rotas corretas. Um cartão de transporte integrado também garantiu descontos às pessoas que precisam utilizar mais de um transporte. Ainda na questão da bilhetagem, toda a cobrança passou a ser feita por quilometragem em vez de manter um preço único de passagem.

Para as empresas que operam as linhas de ônibus, a mesma lógica foi aplicada. Elas passaram a receber por quilômetro operado, e não mais por número de passageiros. Isso diminuiu as práticas que sucateavam o serviço, como circular com ônibus acima da capacidade de lotação.

Outra solução para consolidar o uso do transporte público foi uma intensa campanha de conscientização e incentivo do uso para as classes médias e altas. Para isso, até as autoridades da cidade começaram a utilizar o sistema público todas as segundas-feiras. O constante investimento na melhoria e na higiene das estações e dos veículos deu resultado, e cada vez mais pessoas passaram a usar o sistema público.

Assim como o incentivo para o uso do transporte público, a utilização de veículos começou a ser desencorajada. Uma das medidas mais usadas foi aumentar o valor das multas para quem estaciona em lugares irregulares. Essa prática era comum, já que é difícil achar vaga na cidade. Atualmente, quase 70% dos deslocamentos diários da cidade são realizados por ônibus e metrô.

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Esforço para ser uma cidade verde

Seul tem metas para se tornar uma cidade cada vez mais eficiente e menos poluente. O plano de mobilidade urbana do município prevê expandir as ciclovias por toda a cidade, bem como aumentar e qualificar as calçadas para os pedestres.

Um dos exemplos mais marcantes da mudança de eixo do plano de mobilidade foi a desativação do viaduto do Rio Cheonggyecheon. O elevado havia-se tornado uma das principais vias para carros na cidade, mas o rio abaixo sofria com problemas de poluição e enchentes constantes.

Entre 2005 e 2008, o viaduto foi desativado, e o rio passou por uma série de reformas, que incluíram a recuperação das margens, a construção de parques e calçadas em vários pontos, a inserção de pontos de passagem e de áreas para arte urbana. Atualmente, o rio é um ponto turístico, e estima-se que 30 mil pessoas circulem pelos parques do local nos fins de semana.

Rio Cheonggyecheon depois de que via elevada foi retirada e parques foram instalados. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)
Rio Cheonggyecheon depois que a via elevada foi retirada e parques foram instalados. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)

Essa mudança foi um dos exemplos do conceito de “evaporação do tráfego”. O termo designa o fenômeno que acontece quando, ao se retirar ou limitar a circulação de carros em uma via, aquele contingente de veículos desaparece em vez de ir para as vias adjacentes.

O fenômeno já é estudado há mais de 20 anos e foi mapeado em cidades como Amsterdã, Zurique, São Francisco e Londres. O mapeamento demonstra que a construção de mais vias não diminui o trânsito, porque a diminuição no tempo de deslocamento com veículo particular faz que mais pessoas optem por comprar carros e usá-los. Diminuir as vias e qualificar outras opções de deslocamento comprovadamente diminuem o trânsito e aumentam a qualidade de vida.

Para diminuir a poluição, a cidade também adotou uma medida extrema que evitou o compartilhamento de veículos de carga e automóveis na mesma pista. Com menor uso de carros, certas vias foram destinadas apenas à circulação de veículos de carga.

Essas rotas foram pensadas para afastar esse tipo de veículo do centro da cidade e das vias mais utilizadas pelo trânsito comum. Além de diminuir o tráfego, a medida combateu a poluição do ar e sonora. Nesse sentido, os caminhões passam por vistorias e precisam estar equipados com filtros que diminuem a emissão de CO2.

Além disso, o governo federal fez um investimento de US$ 10 bilhões para que todos os ônibus em circulação operassem com gás natural e as ciclovias fossem ampliadas em todo o país, com sinalização, estacionamentos e pontos de manutenção.

Assim, com planejamento e investimento na integração de modais, desencorajamento do uso de carros, qualificação do transporte público e esforços para a diminuição da poluição, Seul tem-se tornado uma das megalópoles líderes em planejamento da mobilidade urbana.

Quer saber mais? Confira aqui a opinião e a explicação de nossos parceiros especialistas em Mobilidade.

Fonte: The City Fix, Cidades Sustentáveis, ITDP, WRI Brasil, Instituto de Engenharia, Mobilize.

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