Qual é a maior favela do Brasil?

19 de maio de 2022 4 mins. de leitura
Saiba qual é a maior favela do Brasil e os desafios de mobilidade urbana e infraestrutura que seus moradores enfrentam

Para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), favelas são os aglomerados habitacionais formados por unidades residênciais precárias que ocupam terrenos públicos ou privados. As ocupações formam padrões urbanísticos irregulares sem acesso (ou com acesso escasso) a itens como saneamento, pavimentação e iluminação. Nessas condições, os moradores ficam sujeitos a precárias condições socioeconômicas, de saúde, educação e acesso a serviços públicos.

Segundo as estimativas do IBGE, no Brasil, são mais de 5,1 milhões de domicílios subnormais que integram as mais de 13.151 mil favelas no país. Elas são distribuídas em pelo menos 734 cidades em todos os estados da federação. Mas qual a maior favela do Brasil?

Rocinha: maior favela do Brasil

O destaque em tamanho e população fica com a favela da Rocinha, a maior favela do Brasil. Se fosse um município, a Rocinha seria mais populosa que 92% dos municípios brasileiros.

Rocinha se estende por 828 mil metros quadrados em algumas areas planas e outras com enorme declividade. (Fonte:Shuttersotck/Reprorudção)
Rocinha se estende por 828 mil metros quadrados em algumas áreas planas e outras com enorme declividade. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)

Apesar do seu tamanho e importância social e cultural, os dados sobre a Rocinha ainda são bastante desencontrados. Em 2010, o IBGE divulgou que a população da favela era de cerca de 70 mil habitantes. A metodologia, porém, foi criticada por separar algumas regiões integrantes da localidade. Outras pesquisas estimam a população entre 100 e 140 mil pessoas. A favela, localizada em São Conrado, zona sul do Rio de Janeiro, se estende por 838 mil metros quadrados.

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Desafios urbanos

As ocupações irregulares e o constante crescimento geram uma série de desafios urbanísticos. O modelo de construções muito próximas, que muitas vezes formam corredores tão estreitos que não podem ser atravessados por carros, criam os chamados canyons urbanos.

Assim, as casas sofrem com a falta de iluminação solar, que faz com que muitos domicílios sejam tomados por mofo, abatendo a saúde dos moradores. Além disso, o vento e as chuvas podem se tornar problemas ao ingressar nestes corredores, que chegam a ter até 4 km de extensão.

Além dos perigos de saúde e para desastres naturais, o tipo de ocupação também causa dificuldade para a realização de serviços públicos. O crescimento desordenado faz com que ruas e vielas sejam transformadas todos os dias, podendo ficar sem saída com novas construções.

Além disso, o crescimento vertical, com novas unidades residenciais surgindo sobre lajes, coloca em perigo as estruturas, mas também dificulta a entrega de encomendas e cartas e a venda e regularização de imóveis.

As construções irregulraes em declividades coloca em risco as estruturas das residências. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)
As construções irregulares em declividades colocam em risco as estruturas das residências da maior favela do Brasil. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)

Iniciativa de mapeamento 3D

Estas características da Rocinha chamaram a atenção de pesquisadores do Senseable City Lab, ligado do Massachusetts Institute of Technology (MIT), uma das principais universidades dos Estados Unidos. O instituto lançou um projeto de mapeamento em 3D da Rocinha.

O sistema utiliza escaneamentos a laser para gerar imagens em 3D que registram dimensões, distâncias e elevações de todas as ruas e vielas. Para Fábio Duarte, urbanista, coautor da pesquisa e professor do MIT, a iniciativa é fundamental para auxiliar no melhor conhecimento da área e no mapeamento da maior favela do Brasil.

Até então, os mapeamentos da prefeitura são feitos com imagens e laser de aviões, portanto sujeitos a todo o tipo de obstrução. O sistema do MIT é realizado através de técnicos que caminham pelas ruas, otimizando o mapeamento e criando uma maior integração com a população local.

Até o fim de 2021, a pesquisa tinha mapeado algumas áreas da Rocinha, e demanda mais investimentos para fazer o escaneamento 3D completo. A iniciativa, porém, foi muito criticada por alguns moradores e líderes locais. Para eles, o que falta é vontade e investimento do Estado em criar melhorias, e não mais um mapa para “gringo ver”.

Quer saber mais? Confira aqui a opinião e a explicação dos nossos parceiros especialistas em Mobilidade.

Fonte: Senseable MIT, Agência Brasil, EBC, WikiFavelas

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