Carro movido a água: isso existe mesmo?

11 de julho de 2022 5 mins. de leitura
Com os altos preços dos combustíveis, começam a surgir kits que prometem utilizar água para gerar economia de até 80%, mas isso é mesmo possível?

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Com a nova crise mundial do petróleo e a disparada dos preços dos combustíveis no Brasil, a população está usando a criatividade e inovando nos métodos para economizar. A nova “moda” é a instalação de um kit que promete usar a energia do alternador para retirar o hidrogênio da água e injetá-lo no motor. Isso permitiria maior rendimento e economia de até 80% no uso da gasolina.

Os kits são vendidos nas redes sociais e até em lojas de peças de carros por um preço que varia de R$ 200 a R$ 1,5 mil, dependendo da “marca”. As configurações dos kit são similares, com um pequeno tanque que armazena a água e um sistema para a retirada do hidrogênio e o lançamento para o motor.

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Será que funciona?

Apesar de relatos em redes sociais atestando a eficácia dos kits, não foi dessa vez que o brasileiro encontrou uma forma “alternativa” para economizar. Os kits não geram economia nem ganho de potência e podem, inclusive, danificar o carro, colocando motoristas e passageiros em risco.

Kits de instalação que prometem carro movido a água podem danificar o carro. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)
Kits de instalação que prometem carro movido a água podem danificar o veículo. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)

O uso do hidrogênio como combustível é realmente uma opção que promete revolucionar a indústria. Porém, a tecnologia empregada nos “kits hidrogênio” (ou kit água) não consegue extrair a quantidade suficiente do gás para causar algum benefício ao motor. Pelo contrário, a energia elétrica consumida do alternador é maior do que a energia gerada pelo gás, portanto os kits acabam sendo onerosos ao veículo.

Além disso, a instalação pode causar danos na bateria, ocasionar a perda da garantia e até levar a um superaquecimento e à diminuição da vida útil do motor. Convenhamos que, se a conta fechasse, diversas montadoras de carros do mundo já teriam empregado a tecnologia. Um dos obstáculos para isso, porém, é o alto custo do processo de hidrólise da água para gerar hidrogênio suficiente para mover um motor.

Prática ilegal

E mais: depois da popularização dos kits, a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) já informou que essa instalação é ilegal. A Resolução nº 292/2008 do órgão permite a alteração da matriz de combustíveis dos motores apenas quando realizada por uma instituição técnica licenciada que forneça um Certificado de Segurança Veicular (CSV).

Portanto, nada de acreditar em fórmulas milagrosas que prometem economia de gasolina. Algumas técnicas simples podem ser utilizadas para otimizar o gasto do combustível, porém nenhuma delas inclui alterações mecânicas nos veículos.

Como funcionam os carros a hidrogênio?

Já existem veículos em produção com o uso de hidrogênio como combustível, porém o sistema não tem nenhuma relação com o aplicado nos kits citados. Os carros que utilizam o hidrogênio são elétricos e têm um método engenhoso de movimentar os motores, sendo abastecidos com hidrogênio em vez de serem recarregados em tomadas. Para isso, é preciso que tenham um tanque especial capaz de aguentar temperaturas de até -36°C.

Toyota Mirai, carro elétrico movido a hidrogênio. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)
Toyota Mirai, carro elétrico movido a hidrogênio. (Fonte: Toyota/Reprodução)

Em funcionamento, o hidrogênio é expelido do tanque e entra em contato com o ar; o choque que acontece gera a energia elétrica que é utilizada para alimentar baterias e mover o motor. Assim, o escapamento do carro expele apenas vapor de água, o que faz que ele seja considerado um dos veículos menos poluentes.

Embora alguns modelos já estejam em circulação, vários pontos ainda dificultam a popularização do método, pois os veículos com essa tecnologia tendem a ser caros, podendo custar até o dobro dos carros elétricos convencionais da mesma categoria.

Apesar de terem boa autonomia, podendo rodar até 600 quilômetros antes de serem reabastecidos, poucos locais oferecem o serviço de abastecimento de hidrogênio, e o preço costuma também ser elevado.

Mesmo com o alto custo, montadoras da Europa e dos Estados Unidos têm investido para aprimorar o uso do hidrogênio como combustível. A alta oferta do elemento e os baixos níveis de poluição podem fazer que ele se torne o combustível do futuro.

Quer saber mais? Confira aqui a opinião e a explicação de nossos parceiros especialistas em Mobilidade.

Fonte: ThinkSeg, Click Petróleo e Gás, Calve, Captalist, Mapfre, Instacarro

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